“Avenida Dropsie”, Felipe Hirsch

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Avenida Dropsie

 “Avenida Dropsie” é uma recriação cênica da gráphic novels de Will Eisner, recebeu quatro indicações ao Prêmio Shell e teve sua primeira montagem em 2005.

 A peça foi sucesso absoluto de público e crítica. “Aceite um conselho, entre num avião, tome um ônibus, suba num trem, pegue uma bicicleta, faça qualquer coisa mas vá a São Paulo assistir Avenida Dropsie” – Arthur Xexeu, editor do caderno de Cultura do Jornal O Globo no Rio.

Uma grande crônica sobre o cotidiano de uma grande cidade. Na peça, essa cidade é Nova York, mas que poderia ser qualquer outra grande cidade. Com seus encontros e desencontros, com seus ruídos, suas pessoas, que chegam de várias partes do mundo, enfim, seus vários olhares.

Com uma produção refinada e impecável, “Avenida Dropsie”, que poderia encantar simplesmente pelo ótimo texto e com ótimas interpretações que tem, nos ganha também pelo figurino, pela bela iluminação, e pelo grandioso cenário de Daniela Thomas. A quarta parede do teatro, conhecida como “invisível” torna-se “visível”, e adquire uma importante função narrativa. Filipe Hirsch mostra uma direção corajosa, inovadora, conceitual, e acima de tudo autoral. O que torna “Avenida Dropsie”, mais ainda, obrigatória para quem gosta de teatro.

No elenco, Guilherme Weber, que faz parte da companhia desde sua formação a 15 anos, Leonardo Medreiros, Érica Migon mais um grupo de cinco ótimos atores. Temos ainda um off do saudoso Gianfrancesco Guarniere. “Avenida Dropsie” vai até o dia 04 de abril, no teatro SESI Paulista, aos preços de 10 reais a inteira e 05 a meia, e fazem parte das comemorações do 15 anos da Sutil Companhia de Teatro. 

Jair Santana

“A Fruta e a Casca”, Manuel dos Prazeres

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Fotografia Silvana Marques

Interessante trabalho de pesquisa de Manuel dos Prazeres, que resultou na peça “A Fruta e a Casca”, encontro de duas Capitus, de Dom Casmurro. Uma mais velha exilada na Suíça, e a outra, ou melhor, a mesma Capitu, mais nova, antes de se casar com Bentinho.

Helena Varvaki e Bianca Comparato dão vida a essas Capitus, sob a direção e o texto de Manuel dos Prazeres, em peça em Cartaz no Teatro Café Pequeno , no Leblon, Rio de Janeiro, até o dia 15 de fevereiro de 2009.

Helena Varvaki e Bianca Comparato se conheceram nas gravações do filme “Anjos do sol”, de Rudi Lagemann. Essa parceria, o texto, enfim, a peça, tem sido sucesso de crítica e público, até mesmo por isso, está em sua segunda temporada.

Bianca vem provando estar acima da classificação de atriz global. Tem marcado presença sim em novelas “Belíssima” e “Beleza Pura”, no cinema com “Anjos do Sol” apresentando um belíssimo trabalho, no teatro com peças como “Últimos Remorsos Antes do Esquecimento”, montagem da Cia Os Dezequilibrados, e agora em mais um projeto “A Fruta e a Casca”. Bianca tem arriscado, e, apesar de seu rosto angélica, tem apresentado papeis mais densos, mais adultos.

Helena Varvaki tem feito apenas pequenas participações em televisão. A maior parter de seu trabalho tem alternado entre cinema e teatro. Esteve em curtas como “A Encomenda” de Alan Minas ao lado de Othon Bastos, e “Penélope”, onde divide a direção com Célia Freitas. No teatro, ficou conhecida com a personagem Sebastiana, de “A Aurora da Minha Viva”, texto e direção de Naum Alves de Souza, em 1984.

Manuel dos Prazeres nos leva a uma viagem gostosa, da premissa de uma possibilidade, onde um mesmo personagem se depara pra conversar com ele mesmo, em dois momentos tão distintos. Ainda mais, imaginar isso, de um dos personagens mais interessantes da literatura brasileira, que é a Capitu de Dom Casmurro.

Aqui, Capitu está com um filho de 20 anos, já separada de Bentinho, morando na Suíça, então, encontra Capitu com 24 anos, no dia que decidiu casar com Bentinho. O encontro dessas duas Capitus, torna-se então, tão interessante quanto a grande questão sobre a possível traição de Capitu.

Capitu, diferente da que está delimitada dentro do livro Dom Casmurro, passa a ter passado e futuro, passa a divagar sobre seus sentimentos, suas angustias, seus sonhos e suas paixões.

Ela se questiona. Seu futuro tenta orientar seu passado, e essa brincadeira, bem realizada, e com o cuidado de se tratar dessa personagem tão polêmica, desperta em seu público uma gostosa e encantadora curiosidade sobre ela. A Capitu de Dom Casmurro.

Jair Santana

“As Eruditas”, Molère – Limite 151 Cia. Artística, 2009

as-eruditas-22Em São Paulo até o dia 08 de fevereiro, temos um clássico de Molière, a montagem do texto “As Eruditas”, com tradução de Millôr Fernandes, e direção de José Henrique, com a montagem do grupo carioca Limite 151 Cia. Artística com quase 20 anos de estrada.

Molière, é considerado um dos maiores nomes da dramaturgia francesa, tido como o pai da comédia satírica, com textos críticos aos costumes e a hipocrisia de sua época. O texto de “As Eruditas” tem mais de 300 anos, e continua atualíssimo, criticando de maneira ágil e cômica, a crueldade e hipocrisia humana.

A Cia. Limite 151 é uma das mais atuantes e respeitadas companhias de teatro do Rio de Janeiro, iniciando sua carreira com a montagem de “Os Sete Gatinhos” de Nélson Rodrigues, sempre estiveram próximos a textos mais clássicos do teatro, alternando sempre entre textos nacionais como “O Santo e a Porca” de Ariano Suassuna e “A Moratória” de Jorge de Andrade, e clássicos do teatro mundial como “A Margem da Vida” de Tennesse Williams e “O Mercador de Veneza” de Willian Shakespeare.

“As Eruditas” é o oitavo texto de Molière montato pela companhia, que se diz apaixonada pelos textos do autor. “Somos apaixonados pelos clássicos porque reconhecemos que um bom texto corresponde a 80% do espetáculo. E nisso, Molière é mestre. Ele nos leva à reflexão dos pecados do dia-a-dia com leveza. Daqui a 3000 anos seus textos vão ter a mesma contundência da época em que foram escritos” conta Gláucia Rodrigues que está à frente da Cia. 151 desde o início, ao lado do ator e produtor Edmundo Lippi.

A “Limite 151 Cia. Artística” fica em cartaz com a peça “As Eruditas” até o próximo dia 08 de fevereiro, no Teatro SESC Santana, na Av. Luiz Dumont Villares, 579, ao sábados as 21h e domingo as 19h. Um belo presente do teatro carioca aos palcos paulistanos nesse inicio de ano.

Jair Santana