Laís Bodanzky, 1969 –

Laís Bodanzky

Laís Bodanzy

Diretora paulistana, nascida em setembro de 1969,  Laís Bodanzky, é hoje uma das grandes promessas do cinema brasileiro. Formada em cinema pela FAAP, seu primeiro curts em 1994, “Cartão Vermelho”, já chegou chamando atenção pela ousadia. O curta ganhou vários prêmios no Brasil e participou de vários festivais internacionais. Esse seu primeiro curta, a diretora já formou parcerias que duram até até hoje, como Fabiano Gullane, que posteriormente, com seu irmão Caio Gullane, tomariam a frente do que hoje é uma das mais fortes produtoras do país.

Em 1999 realizou ao lado de Luiz Bolognesi dirigiu seu primeiro longa, que veceu o Prêmio Especial de Juri em Gramado. Essa parceria posteriormente se transformou em casamento, e os dois juntos, realizaram mais três longas, com Luiz Bolognesi roteirizando e Laís Bodanzky na direção.

Junto com Luiz Bolognesi é proprietária da Buriti Filmes, que mais que uma produtora de cinema, se classifica como uma produtora cultural. Realizando projetos intinerantes, cursos, produzindo teatro.

Em 2001 essa parceria Luiz e Laís resultou no polêmico “Bicho de Sete Cabeças”, roteiro de Bolognesi adaptado do livro “Canto dos Malditos” de Astraugésilo Carrano. A temática do filme rendeu muitas dificuldades para capitação de recursos do mesmo. Drogas, hospício, preconceito, afastaram muitos patrocinadores, oque fez com que a produção quase desistisse do projeto. Concluido o filme, “Bicho de Sete Cabeças” rendeu muitos prêmios, principalmente nas categoria Filme, Direção e Ator. O ator Rodrigo Santoro, foi indicado a Laís Bodanzky pelo grande ator de teatro, Paulo Autran, que na época trabalhava junto com Rodrigo no seriado “Hilda Furação” da TV Globo. No total, o filme foi vencedor de 48 prêmios, no Brasil e no exterior. Os não patrocinadores devem ter se arrependido profundamente.

Em 2005 dirigiu sua primeira peça de teatro, “Essa Nossa Juventude”, texto de de Kenneth Lonergan., produção de Maria Luiza Mendonça e Christiane Riese, no elenco Paulinho Vilhena (que também virou seu perceiro de trabalho), Gustavo Machado e Silvia Lourenço.

Ainda de 2005, Laís Bodanzky e o marido, Luiz Bolognesi, mantêm o Cine Tela Brasil, projeto Itinerante de exibição gratuita de filmes em cidades dos estados brasileiros de São Pualo, Rio de Janeiro e Paraná.O  projeto é mantido com o apoio cultural do Sistema CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), empresa que comanda várias concessionárias de rodovias brasileiras, entre elas a NovaDutra (que controla z Via Dutra, principal ligação rodoviária entre São Paulo e Rio de Janeiro).

Em um caminhão, o Cine Tela Brasil leva pelo país uma grande tenda de 13m x 15m, onde são instaladas 225 cadeiras, equipamento profissional de projeção 35mm, tela de 7m x 3m, som estéreo surround e ár condionado. Toda a estrutura é montada e desmontada em cada cidade para a exibição. As sessões tem sempre como atração, a exibição de um filme brasileiro de longa-metragem. O projeto promove até quatro sessões diárias de cinema. Até final de julho de 2007, o projeto havia visitado 111 cidades, promovendo 1.355 sessões, e abrangendo um público de mais de 260 mil pessoas (taxa média de ocupação da sala foi de 86%).

Em 2008 veio seu terceiro longa, roteiro de Bolognesi, “Chega de Saudade”. A historia agora se passaria em um baile. Um clube de dança em São Paulo, com o elenco em sua maioria, atores mais velhos, acima dos 60 anos, o filme conta a historia durante uma noite nesse clube de dança, Do abrir suas portas até o término do baile. Mais uma vez, a diretora foi prêmiada em alguns dos maiores festivais no país, e tambpem o filme teve ótima aceitação for a do pais.

Em 2010 a diretora lança seu ultimo trabalho, o filme  “As Melhores Coisas do Mundo”. O roteiro de Luiz Bolognesi sai da terceira idade de “Chega de Saudade” e vai para a adolescência. É também uma adaptação, doa série de livros “Mano” de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto. Aparentemente seria um filme mais facil, mais leve. Talvez seja, porém não menos crítico, não menos sério. Os temas abordados, homossexualidade, drogas, preconceito, continuam alí, porém com uma nova leitura, uma nova roupagem. A realização do projeto demorou três anos até seu lançamento, Este foi o primeiro filme a utilizar uma música dos Beatles, e foi a primeira vez que que Laís utilizou a internet em sua divulgação.

Leia aqui a entrevista com a diretora Laís Bodanzky

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Domingos de Oliveira, 1936 –

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Costumo dizer que Domingos de Oliveira é o Woody Allen brasileiro, ou o Woody Allen é o Domigos de Oliveira do mundo. Seus filmes e seus perfis individuais são muito parecidos. Seus filmes por exemplo, são parecidos pelos assuntos abordados, e pela maneira de se filmar. Onde o roteiro é o carro chefe.

Assim como Woody Allen, Domingos também é um artista multifacetado. É ator, roteirista, diretor de cinema, TV e teatro, escritor, poeta, compositor, cantor e bloquista. Entre mil outras coisas que não sabemos.

Contemporâneo do cinema novo, preferil não fazer parte do movimento, mas ainda assim, parece que pegou a frase de Glauber “uma câmera na mão e uma idéia” pra si. E filmou, como na novelle vague, saiu filmando, em cenários naturais, mostrando a cidade, à luz natural, com interpretações naturalistas.

É um dos cineastas brasileiros mais antigos em ação, desde 67, já erm seu primeiro filme, “Todas as Mulheres do Mundo”, lança a eterna musa Leila Diniz. Filme que conta ainda com a participação de Paulo José e Joana Fomm.

Seu cinema não é técnica, super produção ou mesmo um mega sucesso de bilheteria. É um cinema de historias, de bons roteiros e boas interpretações. É um cinema que se valoriza o texto e o ator, e acima de tudo livre, despretensioso, que conversa com o público.

Domingos é tem formação acadêmica em engenharia, porém, ainda em sua juventude, se envolveu com o teatro amador, e nunca mais conseguiu sair desse mundo. Um dos diretores mais atuantes na década de 80, dirigiu adores como Paulo José, Fernanda Montenegro, Jorge Dória, Tônia Carreiro, Carlos Vereza, entre outros grandes nomes.

No teatro, ainda na década de 80 recebeu o prêmio Molière de melhor direção, até então o mais importante prêmio do teatro nacional. No cinema, ganhou o Kikito de ouro do Festival de Gramado, e o Candango no Festival de Brasília.

Seus filmes são acima de tudo humanos. nada de formalismo por formalismo. Nada de pretensão. Seu cinema é simples, divertido, filosófico e inteligente. Como o próprio Domingos, seu cinema é encantador pelas palavras.

Jair Santana

Filmografia :

2008 – Todo Mundo tem seus Problemas Sexuais
2008 – Juventude(também como ator)
2006 – Carreiras (também como ator)
2005 – Feminices (também como ator)
2002 – Separações (também como ator)
1997 – Amores (também como ator)
1978 – Vida, vida
1977 – Teu tua
1973 – Deliciosas traições do amor (também como ator)
1971 – A culpa
1970 – É Simonal
1969 – As duas faces da moeda
1967 – Edu, coração de ouro
1966 – Todas as mulheres do mundo

Pedro Almodovar, 1954 –

 

Pedro Almodovar

Pedro Almodovar

Nascido no interior da Espanha, cidade de Calzada de Calatrava no dia 14 de setembro de 1951, Almodóvar teve uma infância pobre, aos oito anos sua família migrou para Extremadura, onde estudou em colégios religiosos Salesianos e Franciscanos, aos 16 anos, exatamente no ano de 1968 mudou-se para Madri a fim de estudar cinema.

Chegando a Madri, longe se dua família e sem dinheiro, Almodóvar se deparou com mais um problema. Percebeu ser impossível estudar cinema, pois Franco havia fechado todas escolas de cinema de Madri. Impossibilitado de estudar cinema na teoria, Pedro Almodóvar decidiu que iria para pratica.

Arrumou diversos quebra galhos até conseguir seu primeiro emprego formal na Companhia Telefônica Nacional, onde trabalhou 12 anos, lá conseguiu guardar dinheiro e comprar sua primeira câmera 8mm.

Foi membro ativo da “Movida Madrileña”, movimento de renovação cultural lançado em Madri após a morte do ditador Francisco Franco, Almodóvar começou a realizar curtas em super-8, chegou a realizar um longa experimental também em super-8 onde fazia a sonoplastia durante a projeção.

Seu envolvimento com movimentos culturais lhe abriu portas para escrever para revistas alternativas, escrevias contos e crônicas, entrou também para o grupo de teatro “Los Gollardos”, e posteriormente para um grupo de punck-rock, o “Almodovar e McNamara”.

Teve seu primeiro longa oficial, em 1980, o “Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas del Montón”, e desde então, nunca mais parou. No inicio da carreirei chegou a ser creditado com pseudónimos, como Pepe Patatia e Pepe Patatin.   Almodóvar passou a roteirizar, dirigir, e produzir cinema.

A dificuldade financeira e a falta de liberdade artistíca fez com que, em 1985, junto com seu irmão, criasse a produtora “El Desejo” para produzir seus filmes, e posteriormente projetos de diretores menos conhecidos. Foi assim, através de sua produtora que produziu pro exemplo filmes  como “Minha Vida Sem Mim” e “A Vida Secreta das Palavras” de Isabel Coixet, “Menina Santa” de Lucrecia Martel, “A Espinha do Diabo” do hoje reconhecido Guillermo del Toro, entre muitos de seus próprios filmes, entre eles, “Fale com Ela”, o filme que Almodóvar produziu, roteirizou e dirigiu, vencendo o Oscar de Melhor Roteiro Original e Globo de Ouro de Melhor Filme.

Pedro Almodóvar tem na maioria de seus filmes sexualidade como principal tema, homossexual assumido, foi o único diretor espanhol que concorreu ao Oscar de melhor direção. Está entre os três diretores Espanhóis mais aclamados de todos os tempos, ao lado de nomes como Luis Buñuel, e Carlos Saura.

Com vasta filmografia de 18 filmes, muitos deles premiados internacionalmente, Almodóvar é um dos mais respeitados cineastas do cinema mundial, conseguindo realizar um cinema autoral com uma identidade forte e polêmica.

Jair Santana

Filmografia

2006 – Volver (Volver)
2004 – Má Educação (La mala educación)
2002 – Fale com ela (Habla con ella)
1999 – Tudo sobre minha mãe (Todo Sobre Mi Madre)
1997 – Carne trêmula (Carne Trémula)
1995 – A flor do meu segredo (La Flor de Mi Secreto)
1993 – Kika (Kika) 1991 – De salto alto (Tacones Lejanos)
1990 – Ata-me! (¡Átame!)
1988 – Mulheres à beira de um ataque de nervos (Mujeres Al Borde De Un Ataque de Nervios)
1987 – A lei do desejo (La Ley Del Deseo)
1986 – Matador (Matador) 1985 – Tráiler para amantes de lo prohibido (TV)
1984 – Que fiz eu para merecer isto? (¿Qué he hecho yo para merecer esto?!!)
1983 – Maus hábitos (Entre Tinieblas) 1982 – Labirinto de paixões (Laberinto de Passiones)
1980 – Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón
1978 – Folle…Folle…Fólleme Tim! (curta-metragem)
1978 – Salomé (Média-Metragem) 1977 – Sexo va, sexo viene (curta-metragem)
1976 – Muerte en la carretera (curta-metragem) 1976 – Sea cariativo (curta-metragem)
1975 – Blancor (curta-metragem) 1975 – La caída de Sodoma (curta-metragem)
1975 – Homenaje (curta-metragem) 1975 – El Sueño, o la estrella (curta-metragem)
1974 – Dos putas, o historia de amor que termina en boda (curta-metragem)
1974 – Filme político (Film Político) (curta-metragem)

“Frank Capra”, 1897 – 1991

Frank Capra

Frank Capra

Quem disse que comédias românticas tem que ser melosas ou bobas, nunca assistiu um filme de Capra na vida. Triste mesmo é Frank Capra ter caído no esquecimento da maioria. Apesar de clássicos como “Felicidade Não se Compra” ou “Adorável Vagabundo”.

Diretor italiano naturalizado americano, sua extensa obra, com mais de 40 filmes, entre filmes para o cinema, tv e documentários para o governo americano, vai de 1922 a 1961. Seus filmes são leves, gostosos, apaixonantes e até, mesmo que sutilmente, questionadores. Sejam essas questões, morais ou sociais.

Talvez sua origem humilde influenciado suas obras, fazendo com que Capra se voltasse para filmes meio fábulas. Mas eles negava a dizer isso. É dele a frase: “Porque tudo na vida pode ser um filme, tudo na vida pode ser como no Cinema”

Frank Capra produziu a maioria de seus filmes, roteirizou uma boa parte, o que deu a seus filmes, mesmo em Hollywood, uma identidade própria, com ares de cinema autoral.

Seus filmes em grande maioria, falavam de amor e amizade,. Também fez filmes de natal, de ação de graças, fez filmes para nos olharmos mais. Frank Capra, acima de tudo fez filmes sensíveis.Deliciosas comédias românticas como “Aconteceu Naquela Noite” ou “Do mundo nada se leva”, ou mesmo o clássico de todos os clássicos de natal “A Felicidade Não se Compra”, já citado aqui.

Recebeu 6 indicações ao Oscar, na categoria de Melhor Diretor, por “Lady for a Day” (1933), “Aconteceu Naquela Noite” (1934), “O Galante Mr. Deeds” (1936), “Do Mundo Nada se Leva” (1938), “A Mulher Faz o Homem” (1939) e “A Felicidade Não se Compra” (1946). Ganhou 3, por “Aconteceu Naquela Noite” (1934), “O Galante Mr. Deeds” (1936), “Do Mundo Nada se Leva” (1938), o ultimo também ganhou melhor filme.

Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Diretor, por “A Felicidade Não se Compra” (1946) e em 1982, recebeu um Leão de Ouro em 1982, do Festival de Veneza, por reconhecimento à sua carreira.

Capra morreu em 1991, nos EUA, La Quinta, Califórnia, de um ataque cardíaco, enquanto dormia.

Jai Santana

FILMOGRAFIA:

1961 – Dama por um dia (Pocketful of miracles)
1959 – Os viúvos também sonham (A hole in the head)
1958 – Unchained goddess, The (TV)
1957 – Strange case of the cosmic rays, The (TV)
1957 – Hemo the magnificent (TV)
1956 – Our Mr. Sun (TV)
1951 – Órfãos da tempestade (Here comes the groom)
1950 – Nada além de um desejo (Riding high)
1948 – Sua esposa e o mundo (State of the union)
1945 – A felicidade não se compra (It’s a wonderful life)
1945 – Know your enemy: Japan
1945 – Your job in Germany
1945 – War comes to America
1945 – Two down and one to go
1944 – Battle of China, The
1944 – Este mundo é um hospício (Arsenic and old lace)
1944 – Tunisian victory
1943 – Battle of Britain, The
1943 – Divide and conquer
1943 – Nazis strike, The
1943 – Battle of Russia, The
1943 – Prelúdio de uma guerra (Prelude to war)
1941 – Adorável vagabundo (Meet John Doe)
1939 – A mulher faz o homem (Mr. Smith goes to Washington)
1938 – Do mundo nada se leva (You can’t take it with you)
1937 – Horizonte perdido (Lost horizon)
1936 – O galante Mr. Deeds (Mr. Deeds goes to town)
1934 – A vitória será tua (Broadway bill)
1934 – Aconteceu naquela noite (It happened one night)
1933 – A dama por um dia (Lady for a day)
1933 – O último chá do General Yen (Bitter tea of General Yen, The)
1932 – Loucura americana (American madness)
1932 – Mulher proibida (Forbidden)
1931 – Loira e sedutora (Platinium blonde)
1931 – A mulher miraculosa (Miracle woman, The)
1931 – Dirigível (Dirigible)
1930 – Chuva ou sol (Rain or shine)
1930 – A flor dos seus sonhos (Ladies of leisure)
1929 – Asas do coração (Fight)
1929 – Na trama das paixões (Donovan affair, The)
1929 – As duas gerações (Younger generation, The)
1928 – Burglar, The
1928 – Mocidade audaciosa (Power of the press, The)
1928 – Submarino (Submarine)
1928 – O que a lei não castiga (Say it with sables)
1928 – Os predestinados (Way of the strong)
1928 – Esta vida é uma canção (Matinee idol, The)
1928 – Defende o teu amor (So this is love?)
1928 – O meu segredo (That certain thing)
1927 – O filho da fortuna (For the love of Mike)
1927 – Pinto calçudo (Long pants)
1926 – O homem forte (Strong man, The)
1922 – Fultah fisher’s boarding house (curta-metragem)

Alfred Hitchcock, 1899 – 1980

Alfred Hitchcock

Alfred Hitchcock

Filho do casal William e Emma Hitchcock, Alfred Hitchcock nasceu em 13 de agosto de 1899 e teve uma educação rigidamente católica, tendo estudado em um colégio jesuíta toda sua infância.

Seu interesse pela Sétima Arte veio em 1915, junto com o seu primeiro emprego fora da família, na Henley Telegraph and Cable Company.

Em 1920, ingressou para Lasky que acabara de abrir um estúdio em Londres. Pelos dois anos seguintes foi o responsável por criar todos os títulos dos filmes do estúdio. Em 1923 veio a sua primeira chance de dirigir um filme quando o diretor de “Always Tell Your Wife” Hugh Croise ficou doente. Hitchcock terminou o filme mas seu trabalho não foi creditado.

Impressionados com o excelente trabalho no filme, o estúdio acabou o contratando diretor para “Number 13”, mas antes que o filme pudesse ser finalizado o estúdio fechou suas operações britânicas. Foi então contratado como diretor-assistente por Michael Balcon para empresa que seria conhecida como Gainsborough Pictures.

Depois de muitos trabalhos para a companhia, ele teve em 1925 a chance de dirigir seu primeiro filme, uma co-produção entre Inglaterra e a Alemanha chamada “The Pleasent Garden”. Sua carreira de diretor renomado estava apenas começando. O suspense só foi integrar suas obras a partir de seu próximo filme “O Inimigo das Loiras” (The Lodger) em 1926, gênero que o diretor nunca mais abandonou.

Hitchcock realmente dominava a arte de se fazer cinema, pois seu caminho dentro da sétima arte, ele conhecia bem quase todas as funções, de roteirista, produtor, diração de arte, câmera, e por fim, a direção.

Radicou-se nos Estados Unidos, onde fez a maioria de seus filmes e refilmou alguns. Hitchcock é considerado até os dias de hoje, o “Mestre Suspense”, posição essa inquestionável seja pela crítica ou pelo público.

Ao mesmo tempo em que Hitchcock gostava de nos meter medo, ou nos deixar nervosos, ele tinha um humor absurdo. Seus filmes em sua maioria, nos oferecem medo e alegria, com seu sarcásmo e ironia. “O Terceiro Tiro” é um bom exemplo disso, ainda temos o “Intriga Internacional” e tantos outros exemplos dessa mistura.

Recebeu 5 indicações ao Oscar e nunca ganhou nem um. Curiosamente, desde “The Lodger”, filme de 1926, Hitchcock faz ao menos uma aparição em seus filmes. Sempre surgindo como um figurante comum. Até no seriado “Os Simpsons” já fizeram uma referencia a ele, quando logo após uma cena de suspense, Hitchcock passa na frente da familia Simpsons levando seu cachorro pra passear.

Em Hollywood, suas produções causavam curiosidade entre produtores e atores. Todos queriam trabalhar com Hitchcock, mesmo ele citando a famosa e polêmica frase “Ator tem que ser tratado como gado”, todos queriam fazer parte de seu rebanho.

Hitchcock fascinava, encantava, ao público e a quem trabalhava com ele. O set de filmagens de “Janela Indiscreta” por exemplo, era o mais curioso e disputado para se visitar na época das filmagens. Todos em Hollywood queriam conhecer o set do filme, até então o mais caro construido pelas majors.

Alfred Hitchcock ficou conhecido no mundo inteiro, seu cinema virou referência, e mesmo quando em 29 de abril de 1980 se noticiou que o “Mestre do Suspense” falecera em Los Angeles, ninguém negou que sua obra continuaria cada vez mais viva com o passar dos anos.

Jair Santana

 

 

Filmografia de Hitchcock

Trama Macabra (Family Plot, 1976)
Frenesi (Frenzy, 1972)
Topázio (Topaz, 1969)
Cortina Rasgada (Torn Curtain, 1966)
Marnie, Confissões de uma Ladra (Marnie, 1964)
Os Pássaros (The Birds, 1963)
Psicose (Psycho, 1960)
Intriga Internacional (North by Northwest, 1959)
Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958)
O Homem Errado (The Wrong Man, 1956)
O Homem que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much, 1956)
O Terceiro Tiro (The Trouble with Harry, 1955)
Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955)
Janela Indiscreta (Rear Window, 1954)
Disque M para Matar (Dial M for Murder, 1954)
A Tortura do Silêncio (I Confess, 1953)
Pacto Sinistro (Strangers on a Train, 1951)
Pavor nos Bastidores (Stage Fright, 1950)
Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn, 1949)
Festim Diabólico (Rope, 1948)
Agonia de Amor (The Paradine Case, 1947)
Interlúdio (Notorious, 1946)
Quando Fala o Coração (Spellbound, 1945)
Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat, 1944)
Bon Voyage (1944)
A Sombra de uma Dúvida (Shadow of a Doubt, 1943)
Sabotador (Saboteur, 1942)
Suspeita (Suspicion, 1941)
Um Casal do Barulho (Mr. & Mrs. Smith, 1941)
Correspondente Estrangeiro (Foreign Correspondent, 1940)
Rebecca, a Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940)
A Estalagem Maldita (Jamaica Inn, 1939)
A Dama Oculta (The Lady Vanishes, 1938)
Jovem e Inocente (Young and Innocent, 1937)
O Marido era o Culpado (Sabotage, 1936)
Agente Secreto (Secret Agent, 1936)
Agente Secreto (Secret Agent, 1936)
O Marido era o Culpado (Sabotage, 1936)
Os 39 Degraus (The 39 Steps, 1935)
O Homem que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much, 1934)
Waltzes from Vienna (1933)
O Mistério do nº 17 (Number Seventeen, 1932)
Rich and Strange (1932)
Mary (1930)
The Skin Game (1931)
Assassinato (Murder!, 1930)
Juno and the Paycock (1930)
An Elastic Affair (1930)
Elstree Calling (1930)
The Manxman (1929)
Chantagem e Confissão (Blackmail, 1929)
Champagne (Champagne, 1928)
A Mulher do Fazendeiro (The Farmer’s Wife, 1928)
Downhill (1927)
Easy Virtue (1927)
O Ringue (The Ring, 1927)
O Inimigo das Loiras (The Lodger, 1926)
The Mountain Eagle (1926)
The Pleasure Garden (1925)
Always Tell Your Wife (1923)
Number 13 (1922)

Lars Von Trier, 1956 –

Lars Von Trier

Lars Von Trier

Nascido na Dinamarca, Lars Von Trier é um dos diretores mais vissérais que tive contato nos ultimos anos. E adoro esse reflexo no seu cinema.

Lars é diretor do espetacular “Dogville”, e de um dos mais emocionantes e tristes filmes que já assisti na vida que é “Dançando no Escuro”, com a cantora, e maravilhosa atriz, Bjork, interpretando o personagem principal.

Seu filme, “Dançando no Escuro” recebeu um dos mais importantes e respeitados prêmios do cinema mundial, a Palma de Ouro em Cannes em 2000, que também recebeu o Goya de melhor filme Europeu.

Dogvillefaz parte de uma trilogia, que segundo o próprio Lars Von Trier, é sobre os EUA, ou melhor, sobre a cultura norte americana. Dois filmes da trilogia já foram lançados,Dogvillee “Manderlay”, o terceiro será “Wasington” ( Não, não está escrito errado, é assim mesmo), está em fase de pré-produção.

Lars von Trier é o diretor que gosta de incomodar, tocar, brincar ou brigar com o espectador. Sua filmografia e diversificada, sem uma linha só de trabalho. Um dos fundadores do “Dogma 95” uma experimentação visual que pregava o “cinema puro”, sem luz de artificial, sem mixagem, sem trilha sonora, sem cenários.

O Dogma 95, seja talvez, o ultimo grande movimento do cinema mundial desde a Nouvelle Vague e o próprio Cinema Novo. No fundo, Dogma 95, somente que prega um cinema mais simples e mais natural.

Trabalha em um projeto pessoal em que roda 3 minutos de filme todo dia em diferentes locações da Europa. Sua intenção é realizar este trabalho durante 33 anos e, como ele teve início em 1991, a previsão é que o filme seja lançado apenas em 2024.

Lars Von Trier é assim. Criativo, ousado, meio louco, capaz de despertar sentimentos fortes em seus espectadores e seus colegas de trabalho. O diretor e a cantora-atriz Björk tiveram sérias desavenças, com Björk chegando ao ponto de abandonar os sets por duas semanas. Além disto, um dos produtores executivos do filme, numa crise nervosa, quebrou alguns computadores e chegou a ser internado no hospital.

Após o término das filmagens de “Dançando no Escuro”, Björk declarou que esta seria sua primeira e última participação como atriz em um filme.

Posteriormente realizou dois outros grandes e polêmicos filmes “Anticristo”“Melancolia, os dois, vencedores da Palma de Ouro de melhor atriz, para Charlotte Gainsbourg e Kirsten Dunst respectivamente. Mais uma prova de sua excelência direção de atores.

Filmografia:

2011 – Melancolia
2009 – Anticristo
2007 – Cada um com seu cinema (Chacun son cinéma ou Ce petit coup au coeur quand la lumière s’éteint et que le film commence)
2006 – O grande chefe (Direktoren for det hele)
2005 – Manderlay
2003 – Dogville
2000 – Dançando no escuro (Dancer in the dark)
2000 – D-dag (TV)
2000 – D-dag-Lise (TV)
1998 – Os idiotas (Idioterne)
1996 – Ondas do destino (Breaking the waves)
1991 – Europa (Europa)
1988 – Epidemic
1987 – Medea (TV)
1984 – Forbrydelsens element
1981 – Den sidste detalje
1979 – Menthe – la bienheureuse
1977 – Orchidégartneren

Jorge Furtado, 1959 –

Jorge Furtado

Jorge Furtado

O diretor, roteirista e produtor Jorge Furtado, nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, onde começou sua carreira como diretor. Inicialmente na televisão na década de 80, Furtado ingressa na TV educativa, onde foi um dos criadores do programa “Quizumba”. Mistura de ficção e documentário. Algo inovador pra época em uma TV Pública.

Ainda na década de 80 começa a roteirizar e dirigir curtas, e em 84 lança “Temporal”, seu primeiro trabalho, onde ganhou Festival de Gramado de Melhor Curta e Melhor Diretor.

Em 1987, foi um dos fundadores da “Casa de Cinema de Porto Alegre”, que em um primeiro momento funcionava como uma Cooperativa, e hoje se tornou uma Produtora Independente. Jorge Furtado continua como um dos sócios da Produtora hoje.

Com o curta “Ilha das Flores” em 89, o diretor ganha novamente o Festival de Cinema de Gramado com os prêmios de Melhor Curta, Roteiro, Montagem e Crítica, ganhou ainda festivais na Franca e Berlim.
Em 2002, estreou como diretor de longas, em “Houve uma vez dois Verões”, gravado totalmente em câmera digital. Depois de seu primeiro longa, que apesar de fraca distribuição, teve relativo sucesso, Jorge Furtado não parou mais de realizar longas.

Logo em seguida, em 2003, é lançado “O Homem que Copiava”, onde Furtado roteiriza e dirige. Com um elenco mais conhecido do grande público ( Luana Piovane, Leandra Leal, Lázaro Ramos e Pedro Cardoso) e uma melhor distribuição, o filme fez sucesso de público e crítica. Ganhando 6 prêmio no Grande Prêmio de Cinema Brasil e mais dois no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.

Com uma filmografia de longas, ainda curta, mas segura, Jorge Furtado é um dos diretores mais promissores do país. Com um trabalho continuo, agradando público e crítica, o diretor constrói uma filmografia que já tema de mostras e homenagem em vários países: em Hamburgo (1994), Rotterdam (1995), São Paulo (1997), Santa Maria da Feira (1998), Goiânia (2002), Toulouse (2004), Paris (2005), Londres (2006) e Bruxelas (2006). Em março de 2008, o Harvard Film Archive, ligado à Universidade de Harvard, promoveu a mostra “Jorge Furtado’s Porto Alegre”, com a exibição de 2 longas e 7 curtas.

Seus roteiros em sua maioria, apresentam temas críticos-sociais, como gravidez, desemprego, entre outros. Mas acima de tudo, seus filmes não tem a intenção de serem demagógicos. Os assuntos são tocados de maneira sutil, totalmente condizente com o roteiro e não aleatoriamente para ser apenas politicamente correta e educativa.

Seu ultimo longa, “Saneamento Básico” por exemplo, apresentava um tema muito delicado e discutível. Uma cidade, do interior, procurava dinheiro para melhorar o esgoto, mas a prefeitura só oferecia dinheiro para a produção de cinema. A maneira como são colocadas as situações em seu roteiro, levantam questões delicadas, mas muito bem conduzidas.

Seus filmes, entre curtas e longas, hoje somam aproximadamente 130 prêmios em festivais do Brasil e exterior. É hoje um dos mais conhecidos e respeitados diretores do país e está apenas no quarto longa metragem.

Filmografia de Jorge Furtado

2007 – Saneamento básico, o filme
2004 – Meu tio matou um cara
2003 – O homem que copiava
2002 – Houve uma vez dois verões
2000 – O sanduíche (curta-metragem)
1997 – Ângelo anda sumido (curta-metragem)
1995 – Felicidade é… (curta-metragem)
1994 – A matadeira (curta-metragem)
1994 – Veja bem (curta-metragem)
1991 – Esta não é a sua vida (curta-metragem)
1989 – Ilha das flores (curta-metragem)
1988 – Barbosa (curta-metragem)
1986 – O dia em que Dorival encarou a guarda (curta-metragem)
1984 – Temporal (curta-metragem)