Henry Mancini, EUA, 1924 – 1994

Henry Mancini

Henry Mancini, nasceu em 16 de abril de 1924 na cidade Cleveland,  filho de pai italiano e mãe americana. Seu pai, um exímio flautista fez com que o jovem Henry logo se interessasse por música, e ele logo começou a tocar flauta e piano. Quando adolescente foi estudar na famosa Juilliard School of Music, em Nova York (em 1942), e mais tarde fez especialização em Música para o Cinema com mestres do porte do compositor italiano Mario Castelnuovo-Tedesco.

Com essa sua proximidade com a música desde de sua infância, Mancini criou um gosto apurado e sofisticado, se tornando um dos mais respeitados, sofisticados e pops compositores de trilhas sonoras da historia do cinema.

Durante a segunda guerra, foi convocado pelo exercito americano, mas dentro do exercito logo conseguiu trocar a infantaria pela banda, que na época era a banda do Capitão Gleen Miller. A banda ja era respeitada, e posteriormente veio obter reconhecimento internacional.

Com o desaparecimento de Gleen Miller durante uma viagem de Londres para Paris, foi Mancini quem assumiu a banda, tornando a banda do exercito, que já tinha se tornado tradicional nas mãos de seu criador, Gleen Miller, a The Gleen Miller Orchestra em 1946.

Ao voltar para os EUA após a gerra, Mancini tocou em alguns bares de jazz em Los Angeles. Com seu currículo, logo conseguiu ser contratado pela Universal City Studios, começou a compor trilhas sonoras, Irônicamente, acabou componto a trilha para o filme, “The Gleen Miller Story”, traduzido aqui como “Música e Lágrimas” em 1954. Ainda na Universal fez trilhas de filmes de terror como “O Monstro da Lagoa Negra” em 56, e o suspense “A Marca da Maldade” de Orson Welles em 1958.

Porém, foi com Moon River, música tema de “Bonequinha de Luxo” de 1961 que realmente Mancini se consagrou como um dos músicos mais bem sucedidos da historia do cinema. A música foi saudada como um clássico instantâneo, se tornando um marco para época, se tornando um novo modelo de acompanhamento sonoro para um filme, onde a tradição sinfonica daria lugar a música moderna, como o jazz.

Mancini agradou à critica e ao público, criando um novo estilo, o sofit-jazz, um jazz com orquestra e coro, que a partir daí se tornaria sua marca registrada, revisitada em vários outros filmes com suas trilhas, como em “Charada”, filme de 1963, do diretor Alfred Hitchocock, onde o tema principal, na versão em coro, se tornou outro grande clássico de sua carreira.

Depois de “Charada”, ainda em 1963 temos então o que seria a mais popular música de sua carreira, e uma das mais populares trilha de cinema de todos os tempos. Seu sucesso definitivo, a trilha do filme “A Pantera Cor de Rosa”, desde o tema principal, com um jazz em várias camadas sonoras, bem humorado ao mesmo tempo sensual, até os temas mais româticos. O soft-jazz estava definitivamente fincado na historia do cinema mundial.

Mancini foi o primeiro, e depois dele, o jazz passou a ser utilizado em trilhas sonoras. Antes, a trilha sonora dos filmes no cinema americano era quase que somente sinfônica. Mesmo que mais flexivel aos padrões mais formais de compositores heruditos.

Temos por exemplo entre os mais conhecidos Max Steiner de “…E O Vento Levou” (1939) e ainda Bernard Herman com “Psicose” (1960), “Um Corpo que Cai” (1959) e “Cidadão Kane” (1941). Trilhas maravilhosas com toda certeza, mais ainda nos tradicionais formatos sinfônicos daquela época.

A partir de Mancini, da entrada do Jazz no cinema, muitos outros compositores passaram a compor tirlhas com mais liberdade sonora. Podemos citar como exemplos Lalo Schifrin de “Missão Impossível”, Bill Conti com os filmes da série “Rocky”, Giorgio Moroder de “Expresso da Meia Noite”, Alan Silvestri de “De Volta Para o Futuro” e “Forest Gump”, entre outros, todos esses foram descendentes diretos de Henry Mancini.

Curiosamente, Mancini também compôs algumas músicas para um dos maiores sucessos da animação infantil de todos da historia. O desenho Snoopy, exibido até hoje por emissoras de TV do mundo todo, tem algumas composições de Mancini. Como a música “Linus and Lucy” entre outras.

Fora sua viagem para o exterior durante a 2° Guerra, Mancini nunca morou fora dos EUA. Conheceu sua esposa logo após voltar da guerra. Ele era pianista da banda “Tex Beneke” e ela, Ginny O’Connor, foi para uma audição. Os dois se casaram e tiveram três filhos: Christopher e as gêmeas Felice e Monica.

Desde sua infância, Henry Mancini se dedicou a música e a arte. Ao estudo, a divulgação e também ao ensino da melhor música popular. Faleceu em 1994 aos setenta anos em decorrência de um câncer, em Bervely Hills, distrito de Los Angeles, na California.

Logo dois anos depois, em 1996, foi fundado na California, o Henry Manicni Institute, para a manutenção do ensino da Música, com o qual o grande compositor e maestro se dedicou durante sua vida. Porém, tristemente, o Henry Mancini Institute fechou suas portas em 2000, por falta de apoio e verba para continuação dos trabalhos.

Jair Santana

Thomas Newman, EUA, 1955 –

Thomas+Newman+ThomasNewman

O compositor Thomas Newman, é americano, nascido na cidade de Los Angeles – Califórnia, no dia 20 de Outubro de 1955. Músico, é um dos mais atuantes compositores americanos da atualidade. É filho do também compositor de trilhas sonoras Alfred Newman, que compôs trilhas para mais de 200 filmes e recebeu 45 indicações ao Oscar.

Thomas vem honrando o nome do pai em Hollywood, criando trilhas marcantes que fazem sucesso entre público e crítica. Já recebeu elogios escancarados de diretores como Robert Altman e Gilian Armstrong.

Quando jovem, Thomas estudou composição e orquestração na USC, completando seu trabalho acadêmico em Yale. Seu maior mentor, Stephen Sondheim, da Broadway, ficou tão impressionado com a originalidade de Newman que promoveu uma de suas primeiras obras, o musical teatral “Three Mean Fairy Tales”, que ganhou uma oficina de produção cortesia da Stuart Ostrow Foundation.

Logo após completar seus estudos, ganhou o apoio de um jovem agente de talentos de Nova York, Scott Rudin, que o levou para trabalhar no filme do diretor James Foley “Jovens Sem Rumo”, como assistente musical. A iniciativa de Newman no projeto logo o elevariam à posição de compositor , então aos 29, ele já havia sido bem-sucedido assinando a trilha do seu primeiro longa-metragem de cinema.

A reputação de seu sobrenome e sua competência somada ainda a originalidade e dramaticidade de Newman, além do tratamento dado por ele aos personagens, cresceu rapidamente com filmes como “Procura-se Susan Desesperadamente”, “Os Garotos Perdidos”, “Perfume de Mulher” e mais de 40 outros grandes títulos, incluindo “Encontro Marcado”, “O Encantador de Cavalos”, “Íntimo e Pessoal”, “Fenômeno”, “O Povo Contra Larry Flynt”, “Entre Quatro Paredes”, “A Corrente do Bem”, “Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento”, “Justiça Vermelha” (Red Corner), “Colcha de Retalhos”, “Um Sonho de Liberdade”, “À Espera de Um Milagre”, “Soldado Anônimo”, “A Luta pela Esperança”, “Tomates Verdes Fritos”, “Pecados Íntimos”. “Foi Apenas um Sonho”, “Wall-E” e também compôs a trilha da aclamada minissérie com seis horas de duração da HBO,“Angels in America”, dirigida por Mike Nichols. Foi convidado a compor uma peça sinfônica única de sete minutos, “Reach Forth Our Hands”, em comemoração ao bicentenário da cidade de Cleveland, em 1996.

Transita confortavelmente entre o drama a sátira afiada, clássicos de produções época e animação, graças a essa versatilidade o compositor Thomas Newman, juntamente com nomes como Alan Silvestri e Jonh Willians, vem se mantendo entre os mais requisitados e respeitados compositores de cinema americano. Honrando a tradição da família em Hollywood, Newman já foi indicado oito vezes ao Oscar com suas trilhas cinematográficas: ele foi o único indicado duplamente na premiação de 1995, tanto por “Adoráveis Mulheres” quanto por “Um Sonho de Liberdade”, e depois disso foi indicado outras vezes com as trilhas de filmes como “Meus Tios Heróis”,”Procurando Nemo”, “Desventuras em Série” e “O Segredo de Berlim” e “Wall-E”. Newman também venceu um Emmy® de Melhor Canção pelo seriado dramático da HBO “Six Feet Under”.

Jair Santana

Alan Silvestri, EUA, 1950 –

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Alan Silvestri

Alan Silvestre é hoje um dos mais renomados e respeitados compositores do cinema americano, Silvestre galgou sua carreira principalmente “dando tom” a filmes de ação como “O Retorno da Múmia”, “De Volta para o Futuro”, “Predador” entre inúmeros outros.

Mas foi em um drama, “Forrest Gump”, sua grande consagração. O tema do filme, além de inúmeros prêmios, inclusive o Oscar de melhor trilha sonora, virou um grande clássico. E é reutilizado TV, publicidade, e até mesmo trailers de outros filmes.

Nascido em Manhattan em 26 de março de 1950, foi criado em Teaneck, onde estou na prestigiada escola de música Berklee College of Music, de Boston.

Entrou para uma banda em Lãs Vegas como guitarrista, mas seu talento como arranjador, logo o levou a compor trilha sonora de um longa metragem, “The Doberman Gang” em 1972. Logo depois começou a criar trilha para televisão, onde compôs a trilha do seriado “Chips”, que fez muito sucesso na década de 70.

Veio então, em 1984 o convite para compor a trilha sonora de uma grande produção de Hollywood. Robert Zemeckis, o convidou para compor a trilha de “Tudo por uma Esmeralda”.

Exatamente 10 anos depois, a dupla viria a ganhar o Oscar de melhor trilha sonora por pelo filme “Forrest Gump”. Um presente de agradecimento de Silvestri, a confiança de Zemeckis.

Hoje, Zemeckis e Silvetri, trabalham juntos a mais de 17 anos, essa parceria resultou em trilhas de filmes como “O Naufrago”, “De Volta para o Futuro I, II e III”, Contato, “A Lenda de Beowulf” entre outros. Fora Steven Spielberg e John Williams, trata-se da parceria mais longa e bem sucedida de Hollywood diretor-compositor.

Residindo na Califórnia, em Carmel a quase 15 anos, Silvestre além de um dos mais bem sucedidos compositores de Hollywood, tem como hobby pilotar aviões, e ainda recentemente tem se destacado como produtor de vinhos, com seu vinhedo de mais de 300 hectares na Vale de Carmel.

Além de todos esses compromissos, Silvestri também é engajado em causas sociais. É atuante na luta com Diabetes Infantil, levando sua luta até o Congresso, onde compôs uma cancão, “Promise to Remember Me”, que posteriormente se tornou temas de campanhas da Fundação de Vitimas de Diabetes Juvenil.

Jair Santana

Ryuichi Sakamoto, Japão, 1952 –

Ryuichi Sakamoto

Ryuichi Sakamoto é sem dúvida dos mais crescentes compositores de cinema da atualidade. Claro, é um erro dizer que Sakamoto é um compositor de cinema somente. Pianista respeitado internacionalmente, Sakamoto passeia entre o erudito, o jazz, a bossa nova e o eletrônico.

Nascido no Japão em 1952, Sakamoto estudou na Universidade Nacional de Tóquio de Belas Artes e Música, onde formou-se bacharel em composição, e fez mestrado na mesma universidade, tornando-se Mestre, com ênfase em música eletrônica e música étnica. Para um compositor de trilhas pra cinema, nada mais perfeito.

Quando ainda estava no mestrado na Universidade em Tóquio, Ryuichi Sakamoto tornou-se membro da banda Yellow Magic Orchestra, juntamente com Haruomi Hosono e Yukihiro Takahashi. A banda conseguiu o topo da parada britânica com o sucesso “Firecracker” no final dos anos 70, e foram uma grande influência no surgimento de nada mais nada menos que o acid house e do movimento techno do final dos anos 80 e começo dos 90.

Em sua trajetoria fora do cinema, Sakamoto trabalhuo com nomes como Iggy Pop, DJ Dmitry (do grupo Deee-Lite), os brasileiros Caetano Veloso, Marisa Monte, além Paula e Jacques Morelenbaum.

No cinema, a carreira de Ryuichi Sakamoto não é nada discreta. Trabalhou em trilhas com diretores consagrados como Bernardo Bertolucci, Brian de Palma, Oliver Stone e Pedro Almodóvar por exemplo. Por sinal, entre outros, com Bertolicci, Sakamoto é compositor, juntamente com David Byrne e Cong Su, pela trilha de “O Ultimo Imperador”, um dos filmes que mais ganhou Oscars na historia do cinema. E claro, vencedor do Oscar de melhor trilha sonora.

Ryuichi Sakamoto e orquestra, apresentando o tema de “O Ultimo Imperador”;

Além de “O Ultimo Imperador”, Sakamoto é compositor também das trilas de filmes como “O Pequeno Buda” e “O Céu que nos Protege”, de Bertolucci, “Olhos de Serpente” e “Femme Fatalle” de Brian de Paula, “Tabu” do diretor japonês Nagisa Oshima, “De Sato Alto” de Pedro Almodóvar, entre outros inúmeros filmes. Ao todo, Sakamoto é responsável por mais de 20 filmes de cinema, além de suas músicas sempre aparecerem em filmes onde ele não é o responsável pela trilha, como em “Babel” onde podemos escutar “Bibo no Ozora” uma de suas mais lindas composições.

Com essa sabedoria, sensibilidade e dominação musical, que como já citei, vai do erudito ao eletrônico, Sakamoto torna-se hoje, dos compositores mais versáteis e completos para o cinema, e não se resume somente a isso. “Compositor de trilhas”. Se é que se pode usar a palavra “resumir” quando falamos de um compositor somente de trilhas de cinema.

Jair Santana

Bernard Herrmann, EUA, 1911-1975

Bernard Herman

Bernard Herman

Bernard Herrmann é dos compositores que está na galeria dos grandes compositores da Era de Ouro de Hollywood. Nascido em Nova York no dia 29 de junho de 1911, Herrmann foi um prodígio que iniciou a compor ainda adolescente, e aos 20 anos de idade formou uma orquestra.

A sua amizade com o então apenas promissor diretor Orson Welles levou-o a compor para muitos dos programas de rádio de Welles, e depois para o mais cultuado filme da historia do cinema: “Cidadão Kane” de 1941.

Herrmann trabalhou com os maiores da historia do cinema, sua lista vai de nomes como o proprio Orson Welles, à François Truffaut e Hitchcock. Herrmann compôs por exemplo a ESPETACULAR trilha do “Psiciose” (1960), com Hitchcock. Herrmann compôs ainda trilhas para filmes como “O Terceiro Tiro” (1955), um filme que parece ser todo musicado, sua trilha confundi-se com cada ação. Temos ainda “O Homem que Sabia Demais” (1956), segunda versão, “O Homem Errado” (1957), “Um Corpo que Cai” (1959), “Intriga Internacional” (1959), “Os Pássaros” (1963), e curiosamente, fez ainda a trilha de “Cortina Rasgada” que foi rejeitada pelo diretor. Com François Truffaut, trabalhou no mais que clássico, “FAHRENHEIT 451” em 1953.

Scorcese era fã declarado de Herrman, com o qual fez seu ultimo trabalho como compositor de trilhas. Herrmann morreu em 23 de dezembro de 1975, algumas horas após encerrar as gravações de “Taxi Driver” (1976).

Jair Santana

Jonh Williams, EUA, 1932 –

Jonh Willliams

A historia do cinema e mesmo da televisão confunde-se com a historia musical de John Williams. Desde seriados como “Perdidos no Espaço”, “Túnel do Tempo” ou “Terra de Gigantes“, a inesquecivel e meaçadora trilha de “Tubarão”, as notas de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau“, as trilhas épicas de “Guerra nas Estrelas” e a trilogia de “Indiana Jones”, dentre os mais de 80 filmes e programas de TV para os quais John Williams compôs.

Johnny Towner Williams, ou somente John Williams como viria a ser conhecido, nasceu em Long Island, cidade de Nova York, em 8 de fevereiro de 1932, filho de um músico da orquestra da CBS. Mudou-se em 1955 para Califórnia, onde posteriormente e evidentemente, com a proximidade que a Califórina oferece ao Estúdiso, começou sua carreira no cinema.

Logo logo, suas composições chegaram a filmes como os clássicos da catástrofe “O Destino do Poseidon” (1972) de Ronald Neame, “Terremoto” de Mark Robson, e “Inferno na Torre” ambos em (1974) com direção dupla de John Guillemin e Irwin Allen, e os primeiros filmes de Steven Spielberg “Louca Escapada” (1974) e “Tubarão” (1975).

John Williams é sem dúvida o mais pop de todos os compositores pra cinema. O preferido de 9 entre 10 cinéfilos. A filmografia de Williams é extensa, tendo ganho inúmeros Emmys, Grammys e Indicado nada menos que 45 vezes ao Oscar, conquistando o prêmio maior da Academia de Melhor Trilha Sonora com “Um Violinista no Telhado” (1971) de Norman Jewison, e ainda “Tubarão”(1975), “Guerra nas Estrelas”(1977), “ET – O Extraterrestre” (1982) e “A Lista de Schindler”(1993). Todos esse de Steven Spielberg.

Steven Spielberg por sinal é um dos maiores parceiros de John Willians, desde de 1974, a maioria, se não todos seus filmes, a trilha é assinada por ele. No final dos anos 70 destacam-se ainda as trilhas de Williams para “A Fúria”, de Brian De Palma, a inesquecível trilha de “Superman – O Filme” de Richard Donner em 1978 e “Drácula” em 1979, de John Badham.

A trilha de “Tubarão” por exemplo, é tão forte, para o próprio filme, que sua presença se torna objeto diegético. Na seqüência da praia lotada de turistas, no feriado, todos os truques que Spielberg utiliza para anunciar o tubarão (movimentos de câmera, etc.) estão presentes, menos a música. Realmente a cena termina em um alarme falso, com duas crianças brincando com uma barbatana falsa. Mas algum tempo depois ouvimos o tema assustador, e agora sabemos que a ameaça é real graças ao reaparecimento da música.

Em “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (1977), as primeiras idéias sobre a música haviam sido discutidas por Williams e Spielberg ainda durante a produção de “Tubarão”. Sua base seria a canção de “Pinóquio, “When You Wish Upon a Star”, de modo a exprimir a fantasia e o encantamento infantis que a maior parte dos adultos abandona com o passar dos anos. Contatos teve grande parte da música composta antes mesmo de se realizarem as filmagens, com base apenas no roteiro e nos storyboards desenhados por Spielberg. O resultado, como todos sabem, foi uma obra-prima, que só não recebeu o Oscar daquele ano porque John Williams foi derrotado por um concorrente mais que imbatível: ele mesmo, com “Guerra nas Estrelas”.

Nos anos 80, Williams continuou a compor trilhas inesquecíveis, como “O Império do Sol” (1987), de Spielberg, na minha opinião um das melhores dele e do cinema. É sensível e épica ao mesmo tempo, é grandiosa e suave, é acima de tudo inesquecível. Sou apaixonado por esse filme e essa trilha. Ainda com Spielberg veio ainda a trilogia “Indiana Jones” e posteriormente “Nascido a 4 de Julho” (1989) de Oliver Stone.

Na década de 90, o compositor estava mais requisitado que nunca, limitando-se a filmes de Spielberg na ótima trilha de “Jurassic Park” (1993), na lindíssima trilha de “A Lista de Schindler” (1993), ainda “Amistad” (1997), e a poucos projetos de diretores renomados, como “JFK” (1991), “Nixon” (1995), ambos de Oliver Stone, e “Sabrina” (1995), de Sidney Pollack e a inesquecivel trilha da comédia “Esqueceram de Mim” (1990) de Chris Columbus, cujo a música acabou se confundindo com músicas natalinas.

Tema de “A Lista de Shindler”:

A partir de 1999 o compositor parece ter ingressado em um novo ciclo de sua carreira, que teve início com o retorno ao universo de “Guerra nas Estrelas” em “Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma” (1999), com a volta direção de George Lucas, seguindo com “As Cinzas de Ângela” (1999) com a direção de Alan Parker e Emily Watson em “O Patriota”(2000) de Roland Emmerich, ambos indicados para o Oscar por trilha sonora.

Williams continua a nos fascinar com trabalhos como “A. I. – Inteligência Artificial” (2001), e “Harry Potter e a Pedra Filosofal”(2001), ele volta a trabalhar com Chris Columbus , depois ainda vieram, “Memorias De Uma Gueixa” de Rob Marshall e em “Munique”, novamente, Steven Spielberg.

Seus álbuns atingiram os primeiros lugares nas paradas, ficando lado a lado com as estrelas pop do momento como Madonna. Um exemplo é o álbum com a música de “Guerra nas Estrelas”, em apenas seis meses, vendeu dois milhões de cópias, a sua primeira gravação com a Boston Pops Orchestra, chegou ao 20º lugar na tabela de vendas do Natal de 1980. Sendo até hoje, um dos únicos discos orquestrados da historia da música a chegar em tal posição.

Jair Santana

Ennio Morricone, Italia, 1928 –

Ennio Morricone

Nascido em Roma, em 28, Enio Morricone é com certeza um dos maiores compositores de cinema de todos os tempos. Ainda pequeno começou a estudar trompete e logo estava na famosa Academia de Música Santa Cecília estudando composição. Na década de 50 começou a trabalhar com composições para teatro e cinema, e na década de 60 já trabalhada com nomes como, ninguém mais ninguém menos que Bernando Bertolucci.

Já havia feito bastantes filmes como “Por uns dólares a mais” e “Era uma vez no Oeste” ambos de Sergio Leone, quando em 1978, Morricone criou a trilha de “Cinzas no Paraíso” de 1978 do diretor Terrence Malick onde teve sua primeira indicação ao Oscar.

Com Sergio2 Leone, alguns anos mais tarde em “Era Uma Vez Na América” em 84, Morricone volta mais uma vez marcar seu nome na historia do cinema, com uma música melancolica, nostálgica e com um belíssimo tema principal. Mais uma música que ficara para historia do cinema.

Temos ainda a trilha de “A Missão” em 86, filme do diretor Roland Joffé, uma trilha menos popular, porém mais trabalhada, mais difícil e mais uma que concorreu ao Oscar, e logo depois em 87, temos a música tema de “Os Intocáveis” de Brian de Palma.

O comentado “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore em 1989, temos uma das trilhas mais inspiradas da história do cinema. Marca o início da bem sucedida parceria entre o diretor Giuseppe Tornatore e Ennio Morricone. O premiadíssimo trabalho da trilha deste belo filme conduz o drama de maneira única. É difícil imaginar o que seria do filme sem a música composta por Enio Morricone. É o casamento perfeito.

Morricone ainda compôs pra filmes como “Busca Frenética”, 1988, do diretor Roman Polanski, e “Pecados de Guerra”, em 1989, do diretor Brian de Palma, filmes de grande sucesso internacional.

Morricone ganhou sua quarta indicação ao Oscar pela trilha de mais um filme de gângsters. “Bugsy” (1991), do diretor Barry Levinson.

Mais tarde, Roland Joffé, o mesmo diretor de “A Missão”, Morricone compôs a trilha de “A Cidade da Esperança”, 1992, e nos anos seguintes voltou a trabalhar mais intensamente em vários títulos italianos dos quais se destaca a maravilhosa música de “A Lenda do Pianista do Mar”, 1999, outra feliz parceria com o diretor Giuseppe Tornatore.

Enni Morricone, regendo a música “Love Theme” de “Cinema Paradiso”:

Nos ultimos anos, ficou popular entre os jovens por trabalhar com Tarantino, declarado fã de Morricone, em “Kill Bill”.

Após suas cinco indicações sem conquistar nenhum prêmio, finalmente Ennio Morricone foi condecorado com um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra. A Academia de Hollywood decidiu premiá-lo “por sua magnífica e multifacetada contribuição à arte da música de cinema”.

Em 2007, mais uma vez, e além do Oscar honorário, Morricone está causando furor no mundo da música de cinema, ele aceitou pela primeira vez o convite para apresentar um grande concerto nos Estados Unidos, realizado no início de fevereiro em Nova Iorque.

Mais presenteados também foram os brasileiros, que puderam assistir Morricone em uma única a presentação no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, fazendo parte da programação do “MÚSICA EM CENA – 1º Encontro Internacional de Música de Cinema”.

Aos 79 anos, Morricone mora até hoje em Roma, sem falar nada de inglês, dizem, ele se nega a aprender, faz alguns concertos espetaculares pela Europa, e não pretende parar de trabalhar com cinema até morrer. E eu, espero que ele chegue pelo menos aos 100 anos. Nos presenteando como tem feito, com músicas abençoadas.

Jair Santana