“Ricky”, François Ozon, 2009

Cartaz de "Ricky"

Cartaz de "Ricky"

A principal afirmação que podemos fazer sobre “Ricky”, filme do diretor francês François Ozon, é que é, apesar do tom realista, o filme não passa de uma grande e bonita fábula.

Algo cabe ao espectador nesse filme. Estar livre, estar de peito aberto ao que o diretor lhe propões, e a partir daí, mergulhar no filme. Podemos dizer, que é difícil até, classificar o filme em algum gênero se o quisermos fazer.

A clima do filme é de extremo naturalismo. Ainda no prólogo do filme, Kate chora copiosamente para assistente social, falando que não consegue criar o filho, pois ele chora demasiadamente. Então voltamos alguns meses antes, para conhecermos a história.

Kate é uma mãe solteira, cria sua filha Lisa sozinha, mas já na primeira cena, percebemos que a há uma inversão de responsabilidades. Lisa, apesar de pouca idade, aproximadamente 7 ou 8 anos, é quem acorda a mãe para o trabalho, faz o café da manhã, como se a dona da casa realmente fosse Lisa.

Kate trabalha em uma fábrica, tem uma vida medíocre, sem perspectivas. Conhece Paco, quando esse começa a trabalhar na fábrica também. Os dois tem um envolvimento impulsivo, e logo Kate engravida.

O filho de Paco e Kate é Ricky. A criança é o motivo da virada de 180° que o filme dá. Como é motivo de virada na vida daquela familia. Mas aqui, Ricky é uma criança mais que especial. Ricky vai colocar em jogo a confiança da família, a união familiar, e mais que colocar em jogo, vai ser também o grande motivo de aproximação desse núcleo familiar.

Essa virada do filme pode causar estranhamento em alguns espectadores. Ozon passeia entre momentos engraçados e sequências mais fortes e emocionantes, como quando Lisa espera pela mãe sozinha até a noite em frente a escola.

Paco entra rapidamente na vida de Kate e Lisa. Com a chegada de Ricky as coisas ficam mais difíceis, por causa do horário de trabalho, o pouco dinheiro. Algumas marcas roxas em Ricky fazem com que Kate questione Paco sobre seu comportamento quando ele está sozinho com o filho. Paco não suporta a desconfiança e sai de casa.

Kate e Lisa passam sozinhas a cuidar de Ricky, Lisa começa a ter ciúmes de toda atenção, que inclusive é exigida com que ela dê a Ricky, e com isso, novos situações vão surgindo, novas tensões familiares aparecem, inclusive a tentativa de retorno de Paco.

Algumas situações são colocadas, mas sem que seja dada muito importância a elas, como a reação da sociedade a anomalia de Ricky. E isso não é o mais importante. Como a sociedade se comporta é o que menos importa. O importante ali, é como a família se comporta. O retorno de Kate a sua função de mãe por exemplo.

A cena de Kate no lago, lembra uma espécie de batismo, de renascimento dessa família, que passa a se reestrutura como uma família a partir dalí.

“Ricky” é um convite ousado que Ozon faz a seu público, que precisa estar aberto a proposta do filme. Um convite inusitado e gostoso. Pois “Ricky” é um filme diferente, inteligente, com tons de um humor sutil, uma outra característica de Ozon, mas ao mesmo tempo uma forte carga dramática existente o tempo todo no filme.

Jair Santana

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: