“A Rede Social”, David Fincher, 2010

A Rede Social

A Rede Social

“A Rede Social”, filme do diretor David Fincher, é de roteiro de Aaron Sorkin, baseado no livro de “Bilionários por Acaso, A Criação do Facebook“, de Ben Mezrich, escrito a partir do ponto de vista do brasileiro Eduardo Saverin.

Este não é o melhor filme de Fincher, diretor de “Clube da Luta”O Curioso Caso de Benjamin Button, mas é com certeza o filme que lhe dará alguns dos principais prêmios do cinema do ano.

“A Rede Socail” é sobre um assunto muito contemporâneo, muito atual. O Facebook. Talvez o maior fenômeno de um site de relacionamento on line desde a criação da internet na década de 70. Mais que sobre “o que é” o site, o filme é sobre seu processo de criação, ou seja, “como se chegou até o Facebook”.

Mark Zuckerberg, é interpretado muito bem por Jesse Eisenberg,  que utiza em sua interpreração o mínimo de expressões no rosto e um tom de voz que parece nunca mudar. Agrega com isso uma arrogância quase inata ao personagem,  um rapaz com dificuldade de relacionamento, tanto amoroso como de amizades.

Seu único amigo, é o brasileiro Daniel Saverin, um colega estudante de Havard. Sua pretensa namorada o abandona na primeira, e fantástica, sequência do filme, em que 3 ou 4 minutos, passamos a conhecer exatamente como é a linha de pensamento e como se comporta o estranho Zuckerberg.

Mas o personagem principal do filme não é somente um curioso anti-herói. É talvez, a síntese de uma juventude. É só mais um, que passaria por cima de tudo e todos, é só mais um, que para conseguir notoriedade e dinheiro, derrubaria amigos, se uniria a inescrupulosos e por aí vai. Não é tão distante da maioria dos jovens que querem conseguir “chegar lá” o quanto antes. A famosa geração Y, nascidas a partir dos anos 80.

Então vamos acompanhar quem foi o Mark Zuckerberg do filme. Ele era um jovem muito inteligente quando se falava em técnica. Após levar um fora da namorada, cria em uma rede interna em Harvard, um programa comparativo entre as estudantes da universidade. Em apenas uma madrugada, o acesso é tanto, que faz com que a rede caia.

Pela primeira vez, ele se torna popular para alguns estudantes. É convidado então por dois irmãos de Havard, que são milionários, a criar uma rede social entre estudantes de universidades. Está aí a semente do Facebook. Daniel Saverin, seu amigo, único amigo, investe então o dinheiro inicial para que ele possa se dedicar a criação desse programa e se associa a ele. Mark então em vez de trabalhar para os dois estudantes, passa a trabalhar pra si, e some do alcance dos que o contrataram.

Roubar idéias não é algo novo. E roubando idéias, Mark Zuckerberg se tornou bilionário e virou ídolo da geração Y. Mas pelo Mark Zuckerberg que aparece no filme, e pelo que se nota em entrevistas, ficou rico e continua solitário. Seus amigos? São virtuais, assim como o seu dinheiro. O Facebook hoje é o site mais acessado do mundo, e está avaliado em mais de 50 bilhões de dólares.

Se encantará e se identificará com o filme principalmente aqueles que fazem parte desse mundo virtual, e mais ainda aos que acreditam nele. Aos que acreditam que as relações virtuais, são tão importantes ou palpáveis quanto as reais. Aos que acreditam na sensação de poder que internet pode criar.

O roteiro de Aaron Sorkin caminha entre o genial e o confuso. É ágil, genial em sintetizar situações em uma ou duas frases, como é a cena em que a ex-namorada de Daniel Saverin briga com ele por que estava marcado “solteiro” no seu perfil do Facebook., e as vezes confuso, por querer contar detalhe técnicos de algumas situações menos relevantes. Também não é um roteiro inovador. Pelo contrário, é até tradicional em seu formato. O herói está em um lugar comum, quando é chamado para o mundo especial, enfrenta problemas, e termina como uma nova pessoa. Sem grandes reviravoltas, sem grandes surpresas. Nada de novo.

A fotografia é de Jeff Cronenweth, que já havia trabalhado com Fincher em “Clube da Luta”. É funcional, tem uma texttura anos noventa, um pouco lavada, mas nada surpreendente. Não tem um grande diálogo com o filme. Até mesmo por que tudo se inicia em 2003.

A trilha sonosa de Trent Reznor é um ponto importante do filme. Presente desde sua primeira cena, a música dá o clima tenso e uma densidade as cenas que ficariam em lugar comum sem ela.

A direção de Fincher é segura. Ele prova mais uma vez ser um ótimo diretor de atores, a participação de Justin Tinberlake como Sean Parker criador do Napster é execelante, chega a roubar a cena. Ótima também é a participação de Andrew Garfiel interpretando Daniel Sevarin. Elenco bem escolhido é boa parte de um filme.

Mas Fincher erra em outros pontos. Diálogos e edição rápidos demais, e historias com muitos detalhes, não contribuem para o envolvimento do espectador no filme. Pelo contrario, acaba fazendo o filme parecer corrido demais, afastando o espectador da historia. Com toda certeza, não é seu melhor trabalho como diretor.

A verdade é que “A Rede Social” é um filme datado. É contemporâneo, como já foi citado, mas ao contrário do que acontece com grandes filmes, não terá interesse para as próximas gerações, ainda mais se o Facebook fracassar em alguns anos como aconteceu com Orkut. Algo que chama muito atenção do filme são as questões autorais na internet, ainda não solucionadas.

Se “A Rede Social” realmente é o filme do ano de 2010, teríamos que afirmar, que 2010 foi um ano sem grandes filmes e que logo será esquecido. O que não é fato. Foi um ano de bons filmes sim, o que se precisa mudar, é a linha de pensamento das grandes premiações.

Jair Santana

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