“Dois Irmãos”, Daniel Burman, 2010

Dois Irmãos

Dois Irmãos

O novo filme do jovem diretor argentino Daniel Burman, de “O Abraço Partido” e “Ninho Vazio”, é mais um ótimo filme de uma bela filmografia. “Dois Irmãos” pode ser um filme crítico, inteligente mas também não deixa de ser um filme humano e bem humorado.

Susana (Graciela Borges, de “O Pântano”) é uma perua egocêntrica e valoriza o próprio sucesso acima de tudo. Por esse motivo, deixou exclusivamente a cargo do irmão Marcos (Antonio Gasalla), um homossexual enrustido e omisso, que tem a tarefa de cuidar da mãe. Quando esta morre, Marcos se vê solteiro aos 64 anos e sem grandes realizações profissionais e sem grandes perspectivas. Ao ser levado por Susana a sair do próprio apartamento onde sempre morou com a mãe em Buenos Aires, ele vai buscar asilo em um vilarejo no Uruguai. Lá, ingressa em um grupo de teatro, desenvolve amizades, se apaixona pelo diretor e assim recupera a vontade de viver.

Os irmãos protagonistas, são meio que uma sintese do argentino atual. Susana, mesmo que de um modo exagerado, é uma mulher sofisticada mas decadente, cheia de artimanhas para manter certa aparencia ela mantem um certo ár de superiodade. Seu contraponto, o irmão Marcos é ao mesmo tempo que mais equilibrado, tambem mais conformado com o rumo que sua vida tem tomado. Ao ponto de permitir que em uma das falcatruas da irmã, abandone sua casa para viver em um vilarejo no Uruguai.

Susana não se cala. seja onde estiver, ela não para de falar, pro irmão, vizinhos, ou um corretor que acabou de conhecer, sempre contanto vantagens de uma vida que não é a sua. Marcos, mais ouve que fala. Se mantem sempre obtuso a quase tudo que acontece. Mesmo em sua mais brusca reação, Marcos nada fala. Se isola, mas não fala nada.

O filme tem vários acertos, roteiro, direção, mas talvez o maior deles seja mesmo a escolha e direção de atores. Graciela e Antonio estão ótimos, dão o tom certo de verdade e graciosidade nos seus personagens. Soma-se as ótimas interpretações, o ótimo roteiro, baseado em livro de Diego Dubcovsky, é agil, com ótimas tiradas, e mesmo com dramas familiares e finaceiros, o humor é permanente.

“Dois Irmãos” não é o melhor filme do ano e nem arrebatará multidões para o cinema. Mas é um filme leve, acessível e inteligente que terá seu público. Uma aula de cinema dos nossos hermanos. Enquanto o cinema brasileiro, com raras exceções, tenta imitar o cinema americano, o argentino cria sua própria identidade, caminhando para um cinema humano, inteligente, simples e não por isso um cinema menor. Temos muito que aprender com eles.

Jair Santana

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