“Cabeça a Prêmio”, Marco Ricca, 2010

Cabeça a Prêmio

Cabeça a Prêmio

Impossível não lembrar de Alejandro González-Iñárritu quando assistismos “Cabeça a Prêmio”, primeiro longa metragem do até então ator,  Marco Ricca. E isso não é um desmerecimento, de modo algum.

Se percebe essa referência no roteiro,  sem um personagem central, que lembra os entrelaços de personagens dos roteiros de Arriaga, nos planos escolhidos por Ricca, no ambiente que decidiu filmar, inóspito, nada atraente, e também na trilha, que lembra muito, as músicas de Gustavo Santaolalla, que como Arriaga, é parceiro de Iñárritu desde de “Amores Brutos” em 2000.

A historia se passa em uma região de fronteira não muito especificada, com fazendeiros, traficantes, matadores profissionais, enfim, tudo que faz parte desse mundo que Ricca resolveu retratar.  Diferente de Arriaga, o roteiro de Felipe Braga e do próprio Marco Ricca, baseado em um livro de Marçal Aquino, é linear, criando assim uma identidade própria para o modo de se contar a história.

Além de Iñárritu, percebe-se outra forte referência de Marco Ricca. O diretor brasileiro Beto Brant, que em “Os Matadores” trabalhou um tema semelhante em região de fronteira, em roteiro também de Marçal Aquino,  e com quem Ricca trabalhou em dois filmes, “O Invasor”, considerado por muitos o melhor filmes da retomada, e “Crime Delicado”.

Historias de amor, perseguições, tensão.  Ricca consegue levar bem ao espectador o que propõe, mas ao meio do filme, parece perder o rítimo. O filme parece criar uma certa barriga e nada acontece até a filha do fazendeiro Miro (Fúlvio Stefanini), a bela jovem Elaine ( Alice Braga) e seu amtante, o piloto da fazenda Denis (Daniel Hendler),  fugirem da fazenda. Mas isso, acontece no terço final do filme.

Interessante observar, como mesmo em meio a matadores, a violências físicas e psicológicas fortes, poucas cenas de violência são realmente presenciadas pelo espectador. Que parece ser preparado a cada sequência, para algo a mais no final. E realmente somos. Tudo corre para algo meio tragédia grega. As soluções para todos os problemas, amorosos ou não,  como o próprio trailer anúncia, se resolvem com uma única sentença.

 

 

O filme é cheio de qualidades, mas diria que a maior delas é sem sombra de dúvida as interpretações. Ricca se mostra como um excelente diretor de atores. Isso tem se mostrado um ponto em comum entre os diretores que arriscam a direção como  vemos em  “A Festa da Menina Morta” de Matheus Nachtergaele, e “Feliz Natal” de Selton Melo.

Todo elenco tem seu momento, todos estão em ótimas performances, mas impossível não destacar três deles, por seus papeis. Eduardo Moscóvis como um matador introspectivo e aparentemente confuso quanto a sua profissão. Otávio Muller como Abilio, em seu melhor papel. Otávio faz um homossexual frustrado, preso com sua sexualidade em uma região que não dá essa homossexualidade como algo facilmente aceito. Otávio não é caricato, apresenta uma interpretação leve, sensível ao mesmo tempo que muito firme. Merecedor de prêmios com toda certeza. E ainda, Ana Braga, como Jussara a esposa do fazendeiro. Apesar de personagem com menor participação, o papel é denso, pesado, e ela segura com uma grande verdade. Porém todos estão, como já falado, em ótimas atuações.

O filme ainda apresenta outros muitos acertos, entre eles a música de Eduardo Queiroz, a bela fotografia de José Roberto Eliezer (de “Nina” e “O Cheiro do Ralo”) que realiza uma fotografia correta, realista, sem grandes firulas, e é também a correta e verdadeira  direção de arte de Luiz Roque.

Marco Ricca, acerta em seu primeiro trabalho como diretor. E deixa a promessa de se tornar um grande. “Cabeça a Prêmio” com toda certeza não será a maior bilheteria do ano, nem mesmo será eleito como um filme para representar o Brasil no Oscar, por não ser um filme fácil, mas entra para o hall dos melhores filmes brasileiros do ano.

Jair Santana

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“A Bela Junie”, Alex Beaupain

Filme: A Bela Junie
Diretor: Christophe Honoré
Ano: 2008
Música: Way to blue
Compositor: Nick Drake
Trilha Sonora: Alex Beaupain

“La Bele Junie”, Alex Beaupain

Filme: A Bela Junie
Diretor: Christophe Honoré
Ano: 2008
Música: Comme la pluie nous manque parfois
Compositor: Alex Beaupain
Trilha Sonora: Alex Beaupain

Entrevista com Domingos Oliveira

Domingos de Oliveira

Domingos de Olveira

Domingos Oliveira, é carioca, formado em engenharia mas nunca trabalhou na área. Após se envolver com teatro amador nunca mais deixou o mundo artístico. Hoje é dramaturgo, diretor, roteirista, podemos afirmar que é um artista completo. Um dos mais respeitados  do país. Com seus mais de 70 anos, é bastante atuante, em 2010 lançou um filme, duas peças, alguns contos, tem um blog na revista Bravo!, tem um espetáculo de música e muito mais.

Bairrista (ao mesmo tempo que universal), é muito mais conhecido no Rio que em São Paulo, pelo menos para o grande público. Seus filmes retratam muito o mundo em que vive. A boêmia e o mundo artístico carioca. Uma vez, marcamos uma reunião onde eu queria lhe apresentar a proposta de um projeto. Ele marcou no escritório em uma quinta a tarde. Na quarta me ligou dizendo, ”Jair, podemos marcar na quinta a noite?”, respondi que sim logicamente, e ele continuou”Podemos marcar em um bar. Na Academia da Cachaça ali perto do Teatro do Leblon? Fica mais informal né”. Fiquei feliz com aquela proposta na verdade. Eu iria conversar com um dos meus ídolos, em um bar, tomando cachaça. Muito mais descontraído que em um escritório.

Conversa vai, conversa vem, falamos da vida, do cinema, e falando sobre roteiros, Domingos  deu de presente o “pulo do gato” para novos roteirista: “Escrevam sobre o que vocês conhecem. O que vocês sabem. Não queiram escrever sobre aquilo que vocês acham. Escrevam sobre aquilo que vocês tem intimidade. Pois aí, o roteiro de vocês será verdadeiro”. Nada mais certo que isso. E assim são os roteiros de Domingos. Sobre o que ele conhece bem. A boêmia carioca, o baixo Leblon,  amores, família, sobre arte e artistas . Relações humanas como ele  gosta de colocar.

Mas não foi aí a entrevista. Criei um blog, com o nome de um grupo de cinema que eu fazia parte no Rio. Além das minhas opiniões sobre filmes que assisto também queria algumas entrevistas. Domingos foi a terceira dessas entrevistas (antes conversei com Laís Bodanzky e André Klotzel). Mandei um email e marquei uma conversa por telefone com Domingos,  já que agora eu estava em São Paulo e ele no Rio de Janeiro.

Conversei aproximadamente uma hora com Domingos. Ele não determinou tempo, nem limitou assunto. Confesso que eu estava nervoso, mas foi diminuindo ao passar do tempo. Domingos  e eu riamos de algumas coisas, e me pareceu sem graça quando afirmei que ele era um dos mais respeitados artistas do país. Sua humildade, ou melhor, simplicidade talvez, tenha feito com que ele meio que desconversado do assunto. Peguei alguns dos pontos mais importantes e transcrevi aqui.

JairS:  Você filmou “Carreiras” em ordem de roteiro, e parece que “Juventude” também. Você prefere filmar assim que por uma ordem técnica? Assim não é mais complicado?

Domingos: O filme é como uma casa de tijolos. Tem que se construir em uma ordem. Na verdade, filmar em ordem técnica é uma teoria técnica. Eu sempre tento filmar na ordem do roteiro em respeito aos atores. Tenho raiva das ditaduras dos técnicos. Da luz que demora duas, três horas pra montar. E a minha inspiração onde fica? E os atores? Eu brigo muito com a técnica, me preocupo bem mais com os atores que a técnica do filme.

JairS: Em seus trabalhos como em sua vida, sempre existe uma musa, uma grande mulher que lhe inspira. Pelo menos na maioria deles. Não lembro de saber do Domingos solteiro por muito tempo. Acho que isso, que essa relação sua com sua esposa, agora com a Priscila, já foi com a Leila Diniz, enfim, acha que se elas não existissem na sua vida, seu trabalho seria diferente?

Domingos: A paixão é necessária pra todo trabalho. E preciso estar saudável pra se trabalhar e estar apaixonado é estar saudável. Sim, a vida sem paixão é um grande tédio. Tudo é paixão, sexo como dizia Freud. Na política, as relações, tudo. Freud tinha razão. Paixão é loucura, ela te coloca em contato direto com Deus. Eu preciso da paixão pra me colocar em movimento. Sou um apaixonado

JairS: Domingos, você escreve contos, livros, roteiro pra cinema, teatro, atua, dirige,  canta, produz, atua em várias vertentes, enfim. Uma vez li que cantar era algo que estava te dando muito prazer. Um dos teus aniversários fizestes um grande karaokê inclusive. Mas tem uma, dentre todas essas atividades que te identificas mais? Que se você pudesse, se classificaria?

Domingos: Acima de tudo sou escritor. Esse é o meu barato, ser escritor. Meu papel mais importante na arte é ser autor. Tudo que eu faço é em função de ser autor. Todo artista acha que arte é uma atividade de auto-ajuda. A melhor coisa do mundo é saber que você tem uma alma, e melhor ainda é saber que você pode melhorá-la, e a arte serve pra isso.Para melhorar a alma.  E eu melhoro a minha escrevendo primeiramente.

JairS: Durante um tempo se achou que você era contra o Cinema Novo. Que o pessoal do Cinema Novo não gostava de você e vice versa. Qual a verdade nisso? Você nunca participou do movimento,  que é considerado o mais importante movimento do cinema brasileiro e  que foi contemporâneo  a você. O Cinema Novo acabou, e seu estilo, continua o mesmo, desde “Todas as Mulheres do Mundo”. Seu estilo, seu foco sempre foram relações humanas acima de tudo.


Domingos:
Não tenho nada contra o cinema novo. pelo contrario. Acho um movimento importantíssimo. E afinal, tem gente do cinema novo aí até hoje. Achava eles muito criativos, e fizeram o cinema exemplo disso, dessa criatividade. Mas era ruim de dramaturgia. E eles eram muito políticos, e eu pessoalmente acho a política suja, chata. Isso é só um detalhe, bobagem. Gosto de escrever sobre relações humanas, sempre gostei. O povo de direita, a imprensa de direita é que me colocava contra o cinema novo, contra o Glauber, mas eu adorava o Glauber. Sempre tive muito boa relação com ele. Teve até aquele episódio que eu encontrei ele no banheiro depois da estreia de “Terra em Transe” e o abracei emocionado o parabenizando pelo filme.

JairS: E o B.O.A.A. (Baixo Orçamento e Alto Astral)? Foi um movimento, foi uma crítica, uma brincadeira. Eu realizei um filme com o B.O.A.A. Coloquei nos créditos em homenagem a você. O BOAA acabou?

Domingos: O B.O.A.A. não morreu, é algo que criei para realizar cinema. Algo pessoal mesmo.  Já lutei muito por isso mas tive uma reação muito negativa. Só se quer pagar o filme pelo projeto, de se escolher na subjetividade, e eu sou a favor de mais do que o projeto, sou a favor do filme, da arte em geral. De alto orçamento, de baixo orçamento, sou a favor da realização. O B.O.A.A. foi a idéia que tive de realizar e posteriormente capitar recursos para se pagar aquela equipe. Com filme pronto, por todos terem trabalhado a valores mínimos ou até nem isso, somente como colaboradores, algo meio como uma cooperativa. Mas não deu certo. Não quiseram, não aceitam pagar depois de o filme pronto. Prefere-se julgar pelo projeto que pelo próprio filme.

JairS: Domingos, você é um dos mais respeitados artistas brasileiros. Pode não  ser tão conhecido pelo grande público, mas qualquer um adoraria trabalhar com você. Lí que mesmo pra você é difícil conseguir patrocínio para seus trabalhos. Que muitas vezes você precisa ir até o diretor de marketing com um global, como foi o caso do filme “Todo Mundo Tem Seus Problemas Sexuais” que você ia com o Pedro Cardoso visitar o marketing. Mesmo com toda sua historia na arte brasileira, porque acha que isso acontece?

Domingos: Eu não sou famoso. Ninguém é famoso no Brasil. Eu sou um cara simples, sou respeitado no meio eu sei, mas sou muito simples. Quando você vai atrás de patrocínio as empresas acham que a gente quer tirar dinheiro deles, que queremos ficar rico com o patrocínio deles, mas eu insisto. Não sou rico, nunca fiquei rico com algum trabalho meu. Pelo contrário, eu até já perdi dinheiro. E eu continuo fazendo, tenho sempre 10 projetos nas mãos. Muita gente tem inveja de mim sabe, porque sou muito livre. E realizo e realizo e realizo. Com dinheiro ou sem dinheiro. E isso incomoda muita gente.

JairS: E sua relação com os atores. Muitos adorariam trabalhar com você,  atuando em seus filmes, suas peças, acho que trabalhariam até de graça.  Qualquer ator toparia. Mas você na maioria prefere trabalhar com atores menos conhecidos. Já trabalhou com muito dos grandes e mais conhecidos, mas não é o usual. Trabalha com bons atores, mas dificilmente pega um ator, digamos, Global. Como é essa relação sua com a escolha do elenco.

Domingos: Ator adora fazer cinema porque acha que vai terminar em Hollywood. Mas teatro ninguém quer fazer, o público é restrito e paga pouco. Ninguém fica famoso com teatro. E nem fica rico. Essa é a relação.

“Nosso Lar”, Wagner de Assis, 2010

 

Nosso Lar

Nosso Lar

O diretor, de A Cartomante, e roteirista Wagner de Assis (“Xuxa Requebra” e “Xuxa e os Duendes 1 e 2) chega com seu segundo como diretor com “Nosso Lar”. Vale ressaltar, que para o segu segundo filme, é um projeto bem corajoso, bem ousado. O filme mais caro já produzido no país até hoj, 20 milhões de reais, perde apenas para “Lula – O Filho do Brasil” orçado em 15 milhões. “Nosso Lar” é baseado no best seller de Chico Xavier, o mais famoso espírita brasileiro, e aos que acreditam, psicografado pelo espírito de André Luis, o personagem principal da trama.

O filme conta a história de André Luis, um médico no início na década de 30, que é um homem muito materialista ligado a status, posição social, que vem a falecer logo no início do filme. Então, aí sim começa sua historia. Baseado na doutrina espírita, o filme conta como é feita essa passagem, da vida para o outro lado.

A historia em sí é curiosa, o livro (que não lí) pode ser realmente bem interessante, mas o  filme tem um grave, um gravíssimo problema. O roteiro. Sem dramaturgia.  Apesar do diretor ser antes de tudo um roteirista, o filme peca por diálogos superficiais e excesso de didatismo, cheio de frases feitas, que até podem (eu disse que podem) funcionar na literatura, mas não saindo da boca de um ator.  Talvez faltasse um personagem na equipe de roteiro chamado “dialoguista”. A adaptação do livro para o cinema é pobre e mal realizada.

Somando-se ao problema de roteiro está a interpretação, ou melhor, a falta dela principalmente do elenco principal. Renato Prieto e Fernando Alves Pinto não convencem em seus papeís, talvez por falta de direção. Contudo, o roteiro já não colabora e falas não o ajudam a estar a vontade,  e com isso o filme perde muito.

E por último, pelo menos o que considero o último grande problema do filme. A edição,  careta, sem ousadias, parece apresentar o mesmo didatismo do roteiro. O intercalar o personagem principal em vida ,  e vida pós desencarnado por exemplo, nos afasta do personagem principal. Não há envolvimento, e chega a cortar o clima de boas situações

O diretor peca também na direção quando tenta explicar com off o que as imagens já estão mostrando. Algo muito comum em telenovelas. A primeira parte, no lugar identificado como umbral, o diretor insiste em nos mostrar e explicar tudo que está acontecendo. Cinema não é isso. Ou você mostra, ou você explica, fala, conta.

 

 

Mas o filme não é só problemas não. A mal escolha do elenco principal, compensou com um elenco de coadjuvantes maravilhoso. Em especial Selma Egrei, a mãe do personagem principal, temos ainda Paulo Goulart, e sub aproveitada Chica Xavier. Não entendi a opção do diretor em sub aproveitar o melhor elenco.

A direção de arte está muito boa, os efeitos visuais do filme são bons, mas não maravilhoso como muitos tem comentado. O umbral, é muito mais bem produzido que a cidade “Nosso Lar” por exemplo. Na cidade, com construções inspiradas na arquitetura de Oscar Niemeyer, você percebe certa superficialidade, e uma frieza (como Brasilia) que em alguns momentos chega a incomodar, pois alí deveria ser um lugar feliz e bom para se “viver”. Os efeitos visuais foram realizados por uma empresa canadense que realizou os efeitos de filmes como “A Fonte da Vida”e “Anjos da Noite – A Rebelião”.

O diretor peca em muitos momentos, mas percebe-se um cuidado com a decupagem do filme. Ele realmente estuda movimentos, posicionamentos mais trabalhados, e isso ajudou a fotografia de Ueli Steiger, de “10.000 A.C” a realizar um bom trabalho.

A música de Philipe Glass, o compositor americano que já compôs trilhas pra filmes como “Notas de um Escândalo”e “Sonho de Cassandra”,  não decola. Se esperou muito de sua música para esse filme, mas a trilha caiu em lugar comum, tão comum que você nem lembra dela ao sair do cinema. O que realmente foi uma pena, pois uma boa música melhoraria algumas cenas dramáticas do filme. Mesmo que não savasse, ajudaria.

Quanto a historia, não foge muito ao moralismo cristão-ocidental-conservador de sempre, mas ainda assim o filme emociona, principalmente se você tiver alguma identificação com a doutrina espírita. Não há surpresas, o roteiro é clássico, apesar de mau trabalhado. O herói começa de um jeito, e há sua transformação no decorrer da historia, e ele chega ao fim com uma nova pessoa, mais maduro, mais forte.

Não acho que como filme, seja um material realmente relevante. Mas acredito, que também como cinema nacional, tenha seu valor, que é o de levar pessoas que não estão acostumadas, a sair de casa pra assistir o filme nacional na tela grande. E só esse mérito, já deve ser congratulado. Outro seria, que há sim possibilidade de se realizar outras temáticas no cinema nacional para grande público, que não seja violência e comédias bobas.

Jair Santana

“Sangue Negro”, Jonny Greenwood

Fime: Sangue Negro
Diretor: Paul Thomas Anderson
Ano: 2007
Música: Henry Plainview
Compositor: Jonny Greenwood.
Trilha Sonora: Jonny Greenwood.

“Diamante de Sangue”, James Newton Howard

Fime: Diamante de Sangue
Diretor: Edward Zwick
Ano: 2006
Música: Blood Diamond Theme
Compositor: James Newton Howard
Trilha Sonora: James Newton Howard