Entrevista com Laís Bodanzky

Laís Bodanzky

Laís Bodanzky

Laís Botansky é diretora e roteirista paulistana, que esteve a frente de projetos de ficção, como o premiado “O Bicho de Sete Cabeças” e o documentário “Cine Mambembe – O Cinema Descobre o Brasil”.  Escreveu junto com o marido o também roteirista Luiz Bolognesi o roteiro de “Chega de Saudade”, filme que também dirigiu.

Laís junto com seu marido são sócios da produtora Buriti Filmes, e levam a frente o projeto “Cine Tela Brasil”, um projeto social que leva o cinema por cidades brasileiras onde não existem salas de cinema

Nessa entrevista conversa de seu ultimo filme,  “As Melhores Coisas do Mundo”. A entrevista foi uma conversa com uma diretora sempre muito humilde, bem humorada e muito segura de seu trabalho.  Laís concedeu essa entrevista muito feliz com o resultado e a repercussão e o sucesso de público e crítica que tem tido o seu filme. Reafirmando sempre que esse sucesso cabe não só a ela, mas a toda equipe envolvida no filme.

JairS: Algo que me chamou muita atenção foi o roteiro inteligente e profundo. As situações são fortes, o filme aborda temas como drogas, homossexualidade e, mesmo assim, os diálogos não filosofam ou dão lição de moral. Pelo contrário, eles são reais. Deve ter sido muito dificil construir um roteiro com tanta profundidade e ainda se conter nos diálogos. Como foi essa preparação? Como se deu essa construção?

Laís Bodanzky: Interessante você colocar isso. O roteiro veio com todas as informações necessárias para os atores, para eles mesmos colocarem essas informações da maneira deles. Então eles trazem com seus diálogos as informações do roteirista. Assim as coisas fluiam melhor, mais naturalmente. A Gabriela, que interpreta a Carol, e o Francisco Miguez, o Mano, por exemplo, contribuíram muito. Eles têm uma forma, uma maneira própria de se expressar e muitas vezes os subestimamos. Vamos pelas aparências. O próprio Pedro, personagem do Fiuk, é um outro exemplo disso.

JairS: Como foi ter os nomes mais famosos do elenco em papéis menores. Não menos importantes, pelo contrário, Paulo Vilhena e Caio Blat tem fundamental importância, mas suas participações são menores. Queria que você comentasse um pouco da importância desses personagens e como eles foram pensados.

Laís Bodanzky: Bom, claro que os adolescentes tem os adultos como referências. E aqueles são os adultos mais próximos deles. A escola, por exemplo. Grande parte do filme se passa lá, porque é onde o adolescente vive grande parte do seu tempo. E tanto Marcelo, personagem do Paulinho Vilhena, como o Artur, personagem do Caio Blat, foram colocados para dar referência a eles. O filme, desde o inicio, foi pensado para o elenco principal ser os adolescentes, pois seria sobre o universo deles. Já o elenco adulto veio a partir disso. Pensamos muito em trazer parceiros, amigos, e conversamos para que tivesse muita generosidade por parte deles. E eles foram muito generosos sempre.

JairS: Algumas críticas tem sido feita ao filme com relação a escolha do elenco. Ao ator A ou B. Como você tem recebido isso? Você sentiu preconceito por parte da crítica por causa da escolha do elenco?

Laís Bodanzky: Eu não ligo para críticas preconceituosas. Houve preconceito com o Rodrigo Santoro na época do “Bicho de 7 Cabeças” também. O Fiuk, por exemplo, está na Malhação pelo filme e não o contrário. As Melhores Coisas do Mundo foi filmado um ano antes, a produção de Malhação procurou ele por saber que estava no filme. O longa foi um processo de três anos até o lançamento. Fizemos testes. O trabalho de ator num filme é muito importante, de toda equipe, e eu tenho mega orgulho do meu elenco, tenho muito carinho por todos eles. Da Denise, Fiuk, Paulinho, tenho muito carinho por todos.

JairS: Não vemos divulgação do filme na TV, por exemplo, e sinto que tem sido muito mano-a-mano, que você tem utilizado muito a internet também. Isso veio em função da linguagem do filme. Nele os jovens utilizam muito o mundo virtual. Isso é algo específico desse filme ou é algo que você pretende levar adiante, para outros trabalhos?

Laís Bodanzky: A utilização da internet hoje é algo inevitável. Veio pra ficar. Os mais velhos usam também, mas os jovens se utilizam disso de uma maneira extraordinária. Ninguém mais vai até o computador, ele deixou de ser um lugar, as pessoas vão até o Orkut, Twitter e Facebook, o lugar passou a ser esses sites de relacionamento. Criei o Twitter depois de realizado o filme, por meio de um rapaz que fez parte da pesquisa e hoje estou meio viciada nisso. A internet possibilitou recuperar algo que só era possível no teatro, que é o contato direto com o público. Então as pessoas saem da sessão e ficam twittando e eu fico pensando quando vou dormir à meia noite, esperar mais um pouco porque tem uma sessão saindo aquela hora e as pessoas estão chegando em casa…é uma loucura.

JairS: O filme, apesar de se passar em São Paulo, tem uma temática e uma abordagem universal. Fico curioso para saber como está sendo a recepção dele lá fora. Pois acho que temos nos equivocado em algumas escolhas de filme quando se seleciona um brasileiro pra representar o país no Oscar, por exemplo. O mercado lá fora tem recebido bem o filme? Ele já foi exibido ou está se pensando nessa carreira internacional para “As Melhores Coisas do Mundo”?

Laís Bodanzky: O filme não foi até agora exibido lá fora. Ele foi pensado para o público brasileiro. Sempre penso no meu filme para o Brasil, para o brasileiro. O público aqui se permite mais chorar quando tem que chorar, rir quando tem que rir, diferente do público europeu, por exemplo, que é mais racional e menos emocional. O filme foi feito pra brasileiro ver. Claro, já estamos pensando e conversando sobre exibições lá fora. A Gullane tem esses contatos e está cuidando disso e esperamos, assim como “Bicho de 7 Cabeças” e o “Chega de Saudade” tiveram, que o “Melhores Coisas do Mundo” tenha uma boa recepção. Nem um deles foi um blockbuster, mas foram bem aceitos pelo público e pela crítica.

JairS: Algo que me chamou muita atenção foi a equipe do filme. Você conseguiu o “filé” do cinema brasileiro. Nomes como Daniel Rezende, Mauro Pinheiro Jr, enfim, tantos outros nomes que são top no cinema. Como foi conseguir essa equipe? Como foi reunir esse povo para seu filme?

Laís Bodanzky: Reunir essa equipe foi realmente demais. Eles são realmente o filé, em todos os sentidos. Foi ótimo trabalhar com eles. Daniel Rezende, Cassio Amarante, Mauro Pinheiro Jr, Luiz Bolognesi, tem também Alessandro Laroca, Armando Torres Jr, Louis Robim, que as pessoas, o público em geral não conhece, não sabem quem são, mas EU sei, e sei o quanto são bons. São os técnicos que quase não aparecem e são muito importantes pro filme. A Gullane foi muito responsável por isso, porque conseguiu um orçamento legal pro filme. Falo lá na Gullane, que eles me acostumaram mal. Como eu vou realizar um próximo trabalho sem eles?

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2 Respostas

  1. […] Leia aqui a entrevista com a diretora Laís Bodanzky […]

  2. […] queria algumas entrevistas. Domingos foi a terceira delessas entrevistas (antes conversei com Laís Bodanzky e André Klotzel). Mandei um email e marquei uma conversa por telefone com Domingos,  já que eu […]

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