“Reflexões de um Liquidificador”, André Klotzel, 2010

Reflexões de um Liquidificador

André Klotzel, diretor paulistano, tem uma carreira com filmes de sucesso de público e crítica, e vencedor de vários prêmios, além de filmes exibidos em Cannes, Festival de Berlin, entre outros festivais pelo mundo. Apesar de uma bela carreira, ainda é um diretor de nome não tão conhecido pelo grande público. (Veja entrevista com o diretor aqui)

É diretor de filmes de sucesso como “A Marvada Carne”, filme de 1986, e “Memórias Póstumas”, de 2002. Agora, apenas oito anos depois, o diretor estreia seu novo trabalho, mais uma vez, um ótimo filme, “Reflexões de um Liquidificador“.

O filme é uma comédia de humor negro, onde uma pacata senhora, a dona Euvira, vivída com grande verdade por Ana Lúcia Torre, é uma mulher humilde, casada, e após o conserto do liquidificador, ele começa a conversar com ela. Somando-se isso, seu marido some, após uma semana ela vai na polícia, e então entra no filme o investigador de polícia Fuinha, outra ótima interpretação para o filme, do ator Aramis Trindade. Começa então a procura pela solução sobre oque aconteceu com Onofre, o marido de dona Euvira, que passa a ser a principal supeita do invertigador Fuinha.

O ótimo roteiro é de Antonio José de Souza, a direção e produção de André Klotzel. Concentrando essas duas funções, André consegue deixar o filme com um tom mais altoral. “Reflexões de um Liquidificador” é despretensioso, com ótima decupagem de cenas e com muitos acertos. O maior deles talvez esteja na seleção do elenco. Do principais personagens com Ana Lúcia Torre, em sua primeira protagonista no cinema e Selton Melo na voz do liquidificador até os personagens secundários.

Os dois dão o tom certo ao filme, além do mérito dos dois, vemos que o diretor é um ótimo diretor de elenco. Os atores coadjuvantes como Aramis Trindade, Fabiula Nascimento e Marcos Cesana (falecido em maios desse ano antes do lançamento do filme) também estão ótimos em seus personagens. O acerto de escolher bons atores, e com rostos menos televisivos, nos oferece maior verdade. Nos convence mais.

Impossível não comparar “Reflexões de um Liquidificador” com outro grande filme brasileiro, “Durval Discos” de Anna Muylaert, pela grande virada do roteiro, Ambos, saem de uma historia em um lugar comum, um universo tranquilo e pacato, para uma realidade mais absurda e inusitada. Mas suas comparações param por aí. O “Reflexões…” não é uma cópia do “Durval Discos”.

Mas os acertos não param por aí, a direção de arte e figurino por exemplo são muito bem cuidados, a fotografia idem, e oque também chama atenção a ótima música de Mário Manga. Trilha sonora por sinal é um setor que ainda temos acertado pouco, mas temos melhorado devagar e cada vez mais. Parabéns para ótima trilha do filme, meio melancólica, ao mesmo mesmo tempo muito bem humorada.

“Reflexões de um Liquidificador” é ótimo, Tem rápidos e inteligentes 80 minutos, que divertem, surpreendem e nos deixam torcendo para André Klotzel não demore mais 8 anos para nos presentear com seu próximo filme.

Jair Santana

Uma resposta

  1. […] e os longas “Capitalismo Selvagem” (1993) e Memórias Póstumas”(2001), e ainda o recente “Reflexões de um Liquidificador”, o principal assunto na entrevista que ele concede […]

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