Entrevista com André Klotzel

André Klotzel, é diretor paulistano formado em cinema na USP, já trabalhou na Boca do Lixo, com diretores como Nelson Pereira dos Santos, e em meio a curtas e longa metragens foi diretor de filmes como “A Marvada Carne”(1986), sucesso de público e crítica, o filme foi vencedor de quase todos os Kikitos em Gramado, 10 ao todo, incluindo direção, filme pelo juri oficial e popular, entes muitos outros, visto por mais de 1.2 milhões de espectadores no país, e em uma época que antecede a moda do cinema brasileiro lá fora, o filme foi vendido pra mais de 15 países e convidado a 22 Festivais Internacionais. Depois André dirigiu alguns curtas e os longas “Capitalismo Selvagem” (1993) e Memórias Póstumas”(2001), e ainda o recente “Reflexões de um Liquidificador”, o principal assunto na entrevista que ele concede aqui.

A entrevista foi uma conversa leve e descontraída. O diretor mostrava muita segurança, objetividade e simpatia nas respostas. Ficou mais claro ainda, o lado autoral de seu trabalho. Ele sabia, comentava sempre sendo muito claro, cada mínimo detalhe de toda preparação, de todos os pontos de seu filme.

JairS: Como você chegou ao roteiro. “Reflexões de um Liquidificador” é o primeiro filme que vejo que você não aparece envolvido no roteiro.
André Klotzel: Sim realmente, esse é o primeiro roteiro que não é me envolvi diretamente. O roteiro era de um amigo, que queria me mostrar. Eu lí o roteiro e rolou uma empatia. Conversamos, mexemos no roteiro, 6, 7, 10 vezes até chegar onde chegou. Ele mexeu no roteiro mas através de muitas conversas entre nos dois.
E sim, esse é o primeiro roteiro que filme, que a ideia não partiu de mim. Não lembro de nem um outro amigo meu , nem outro caso parecido, que o roteiro tenha vindo dessa maneira. Sendo que desde o inicio estou envolvido no projeto. Bateu uma química, uma empatia forte pelo roteiro.
O roteiro, tem que me desafiar, e essa empatia tem que realmente ser forte, essa química tem que ser forte, pois um filme, esse roteiro, eu terei que conviver por um longo período de tempo. Desde sua primeira versão, até a filmagem, montagem, lançamento, todos os festivais, enfim…. é muito tempo de convivência.

JairS: Vejo seu cinema também como um cinema bem autoral. Geralmente além da direção, você também é roteirista, e produtor. Aqui, você também novamente produtor. Isso é opção, para se ter liberdade dessa realização ou mais uma necessidade de não encontrar um produtor que fosse parceiro no projeto, ou mesmo que topassem por ser um roteiro ousado?
André Klotzel: Bom, comecei no cinema como produtor. Meu primeiro trabalho foi como na “Boca do Lixo”, depois fiz assistência de direção do Nelson Pereira dos Santos em “A Estrada da Vida”. Na verdade estou muito confortável como produtor, mas claro que seria muito mais confortável eu ter um produtor. Porém, eu mesmo sendo o produtor, tenho mais liberdade artítica evidentemente, mas é claro que isso tem um preço a se pagar.
Sou o produtor, porém,  me associei a algumas pessoas durante as filmagens para ficar focado na direção. Trabalhei com os produtores Rui Pires e André Montenegro da Aurora Filmes, e assim, durante as filmagens eu não sabia de nada relativo a dinheiro. Só saberia se tivesse algum problema, oque não chegou a acontecer. Durante as filmagens, fui somente diretor, não assinei cheque nem um.Realmente me desliguei do meu lado produtor.
Depois, a função de produtor volta novamente, e tenho que cuidar da carreira do filme, do lançamento, mas isso anda lado a lado com a função de diretor também.

JairS: Como funcionou a escolha do elenco? O Selton por exemplo que é o ator mais popular do elenco só se utiliza a voz, ao mesmo tempo temos a Ana Lucia Torre, que pode não ter o mesmo apelo popular, mas é uma atriz de uma carreira maravilhosa, e ainda nomes como Aramis Trindade e Fabiula Nascimento, que também são menos conhecidos do grande público porém, até mesmo por isso, dão uma verdade maior ao filme. Como se chegou a esse elenco?
André Klotzel: Bom, antes de mais nada, eu como diretor, não me sentiria bem por usar como critério de escolha do elenco, o marketing do filme. Minha postura é ter os atores no filme, que realmente tem que ser. E eu sinceramente acho que acertei. To muito satistfeito com o elenco do filme. E a boa escolha do elenco é metade do trabalho para se ter um bom filme.Para se chegar a esse elenco, não precisei fazer testes. Não acho que se precisa sempre. Já fiz testes, mas quando fiz, era porque não tinha visto nada dos atores. No caso desse filmes em específico (Reflexões de um Liquidificador”) eu já conhecia os atores, então o teste seria uma situação meio superfificial até.

JairS: Outra coisa que me chamou atenção no filme foi o casamento do lado mais técnico do filme. Direção de arte, fotografia, música, tudo, som, tudo é muito bem realizado, muito bem casado com a proposta do filme de ficar sem grandiosismos aqui ou alí.
André Klotzel: A proposta do filme é justamente essa, de nada se sobressair demais a outra. Tudo é uma coisa limpa. O menos é mais. Trabalhar sempre em função do roteiro, da historia do filme.. Nada de se gritar muito, a leveza é muito mais valorizada. Nada de muitas sombras, de música muito alta e etc. O mais importante, repito, é a historia. Pensar no que é preciso e o que pode ser superfulo.

JairS: Vemos na sua carreira um espaço um pouco longo entre um curta e outro, mas também uma série curtas também. Muito veêm o curta apenas como um passo, um meio de se chegar a um longa metragem. Como é sua relação com o curta e longa metragem?
André Klotzel: O que me chama atenção é um bom roteiro. Eu gosto de realizar curtas e longas, vejo os dois apenas como gêneros diferentes, linguagens diferentes. O problema é que não dá pra se viver de curta metragem hoje. Na verdade viver de longa metragem também é bem dificil, os projetos levam tempo, mas apesar de também ser dificil, ainda é mais possível se viver de longa. É preciso de realizar projetos paralelos para se sobreviver de cinema. E voltando aos curtas, eu não me sentiria a vontade de concorrê a prêmios de editais com curtametragistas, com diretores iniciantes, pois já sou um diretor de longa, e acho que seria uma concorrência injusta, visto a historia que já tenho.

JairS: Pra finalizar, como está a carreira do “Reflexões de um Liquidificador”? Seu lançamento nas outras capitais do país já esta toda fechada, ou ainda vai ser estudado. Visto que vejo que alguns lançamentos demoram, e as vezes nem chegam a sair do circuito Rio-São Paulo, a não ser em festivais.
André Klotzel: Bom, não tem nada fechado. O lançamento paulista por exemplo é meio que experimentaç. Vários preços, algumas sessões com pocket shows, e eu gostaria muito de repetir esse tipo de lançamento no restante do país, mas vai depender de como é aceito aqui. A verdade, é que o filme depende de sua continuidade de público, então é a partir do que acontecer aqui, que vamos planejar o restante.

Entrevista com Laís Bodanzky

Laís Bodanzky

Laís Bodanzky

Laís Botansky é diretora e roteirista paulistana, que esteve a frente de projetos de ficção, como o premiado “O Bicho de Sete Cabeças” e o documentário “Cine Mambembe – O Cinema Descobre o Brasil”.  Escreveu junto com o marido o também roteirista Luiz Bolognesi o roteiro de “Chega de Saudade”, filme que também dirigiu.

Laís junto com seu marido são sócios da produtora Buriti Filmes, e levam a frente o projeto “Cine Tela Brasil”, um projeto social que leva o cinema por cidades brasileiras onde não existem salas de cinema

Nessa entrevista conversa de seu ultimo filme,  “As Melhores Coisas do Mundo”. A entrevista foi uma conversa com uma diretora sempre muito humilde, bem humorada e muito segura de seu trabalho.  Laís concedeu essa entrevista muito feliz com o resultado e a repercussão e o sucesso de público e crítica que tem tido o seu filme. Reafirmando sempre que esse sucesso cabe não só a ela, mas a toda equipe envolvida no filme.

JairS: Algo que me chamou muita atenção foi o roteiro inteligente e profundo. As situações são fortes, o filme aborda temas como drogas, homossexualidade e, mesmo assim, os diálogos não filosofam ou dão lição de moral. Pelo contrário, eles são reais. Deve ter sido muito dificil construir um roteiro com tanta profundidade e ainda se conter nos diálogos. Como foi essa preparação? Como se deu essa construção?

Laís Bodanzky: Interessante você colocar isso. O roteiro veio com todas as informações necessárias para os atores, para eles mesmos colocarem essas informações da maneira deles. Então eles trazem com seus diálogos as informações do roteirista. Assim as coisas fluiam melhor, mais naturalmente. A Gabriela, que interpreta a Carol, e o Francisco Miguez, o Mano, por exemplo, contribuíram muito. Eles têm uma forma, uma maneira própria de se expressar e muitas vezes os subestimamos. Vamos pelas aparências. O próprio Pedro, personagem do Fiuk, é um outro exemplo disso.

JairS: Como foi ter os nomes mais famosos do elenco em papéis menores. Não menos importantes, pelo contrário, Paulo Vilhena e Caio Blat tem fundamental importância, mas suas participações são menores. Queria que você comentasse um pouco da importância desses personagens e como eles foram pensados.

Laís Bodanzky: Bom, claro que os adolescentes tem os adultos como referências. E aqueles são os adultos mais próximos deles. A escola, por exemplo. Grande parte do filme se passa lá, porque é onde o adolescente vive grande parte do seu tempo. E tanto Marcelo, personagem do Paulinho Vilhena, como o Artur, personagem do Caio Blat, foram colocados para dar referência a eles. O filme, desde o inicio, foi pensado para o elenco principal ser os adolescentes, pois seria sobre o universo deles. Já o elenco adulto veio a partir disso. Pensamos muito em trazer parceiros, amigos, e conversamos para que tivesse muita generosidade por parte deles. E eles foram muito generosos sempre.

JairS: Algumas críticas tem sido feita ao filme com relação a escolha do elenco. Ao ator A ou B. Como você tem recebido isso? Você sentiu preconceito por parte da crítica por causa da escolha do elenco?

Laís Bodanzky: Eu não ligo para críticas preconceituosas. Houve preconceito com o Rodrigo Santoro na época do “Bicho de 7 Cabeças” também. O Fiuk, por exemplo, está na Malhação pelo filme e não o contrário. As Melhores Coisas do Mundo foi filmado um ano antes, a produção de Malhação procurou ele por saber que estava no filme. O longa foi um processo de três anos até o lançamento. Fizemos testes. O trabalho de ator num filme é muito importante, de toda equipe, e eu tenho mega orgulho do meu elenco, tenho muito carinho por todos eles. Da Denise, Fiuk, Paulinho, tenho muito carinho por todos.

JairS: Não vemos divulgação do filme na TV, por exemplo, e sinto que tem sido muito mano-a-mano, que você tem utilizado muito a internet também. Isso veio em função da linguagem do filme. Nele os jovens utilizam muito o mundo virtual. Isso é algo específico desse filme ou é algo que você pretende levar adiante, para outros trabalhos?

Laís Bodanzky: A utilização da internet hoje é algo inevitável. Veio pra ficar. Os mais velhos usam também, mas os jovens se utilizam disso de uma maneira extraordinária. Ninguém mais vai até o computador, ele deixou de ser um lugar, as pessoas vão até o Orkut, Twitter e Facebook, o lugar passou a ser esses sites de relacionamento. Criei o Twitter depois de realizado o filme, por meio de um rapaz que fez parte da pesquisa e hoje estou meio viciada nisso. A internet possibilitou recuperar algo que só era possível no teatro, que é o contato direto com o público. Então as pessoas saem da sessão e ficam twittando e eu fico pensando quando vou dormir à meia noite, esperar mais um pouco porque tem uma sessão saindo aquela hora e as pessoas estão chegando em casa…é uma loucura.

JairS: O filme, apesar de se passar em São Paulo, tem uma temática e uma abordagem universal. Fico curioso para saber como está sendo a recepção dele lá fora. Pois acho que temos nos equivocado em algumas escolhas de filme quando se seleciona um brasileiro pra representar o país no Oscar, por exemplo. O mercado lá fora tem recebido bem o filme? Ele já foi exibido ou está se pensando nessa carreira internacional para “As Melhores Coisas do Mundo”?

Laís Bodanzky: O filme não foi até agora exibido lá fora. Ele foi pensado para o público brasileiro. Sempre penso no meu filme para o Brasil, para o brasileiro. O público aqui se permite mais chorar quando tem que chorar, rir quando tem que rir, diferente do público europeu, por exemplo, que é mais racional e menos emocional. O filme foi feito pra brasileiro ver. Claro, já estamos pensando e conversando sobre exibições lá fora. A Gullane tem esses contatos e está cuidando disso e esperamos, assim como “Bicho de 7 Cabeças” e o “Chega de Saudade” tiveram, que o “Melhores Coisas do Mundo” tenha uma boa recepção. Nem um deles foi um blockbuster, mas foram bem aceitos pelo público e pela crítica.

JairS: Algo que me chamou muita atenção foi a equipe do filme. Você conseguiu o “filé” do cinema brasileiro. Nomes como Daniel Rezende, Mauro Pinheiro Jr, enfim, tantos outros nomes que são top no cinema. Como foi conseguir essa equipe? Como foi reunir esse povo para seu filme?

Laís Bodanzky: Reunir essa equipe foi realmente demais. Eles são realmente o filé, em todos os sentidos. Foi ótimo trabalhar com eles. Daniel Rezende, Cassio Amarante, Mauro Pinheiro Jr, Luiz Bolognesi, tem também Alessandro Laroca, Armando Torres Jr, Louis Robim, que as pessoas, o público em geral não conhece, não sabem quem são, mas EU sei, e sei o quanto são bons. São os técnicos que quase não aparecem e são muito importantes pro filme. A Gullane foi muito responsável por isso, porque conseguiu um orçamento legal pro filme. Falo lá na Gullane, que eles me acostumaram mal. Como eu vou realizar um próximo trabalho sem eles?

“Reflexões de um Liquidificador”, André Klotzel, 2010

Reflexões de um Liquidificador

André Klotzel, diretor paulistano, tem uma carreira com filmes de sucesso de público e crítica, e vencedor de vários prêmios, além de filmes exibidos em Cannes, Festival de Berlin, entre outros festivais pelo mundo. Apesar de uma bela carreira, ainda é um diretor de nome não tão conhecido pelo grande público. (Veja entrevista com o diretor aqui)

É diretor de filmes de sucesso como “A Marvada Carne”, filme de 1986, e “Memórias Póstumas”, de 2002. Agora, apenas oito anos depois, o diretor estreia seu novo trabalho, mais uma vez, um ótimo filme, “Reflexões de um Liquidificador“.

O filme é uma comédia de humor negro, onde uma pacata senhora, a dona Euvira, vivída com grande verdade por Ana Lúcia Torre, é uma mulher humilde, casada, e após o conserto do liquidificador, ele começa a conversar com ela. Somando-se isso, seu marido some, após uma semana ela vai na polícia, e então entra no filme o investigador de polícia Fuinha, outra ótima interpretação para o filme, do ator Aramis Trindade. Começa então a procura pela solução sobre oque aconteceu com Onofre, o marido de dona Euvira, que passa a ser a principal supeita do invertigador Fuinha.

O ótimo roteiro é de Antonio José de Souza, a direção e produção de André Klotzel. Concentrando essas duas funções, André consegue deixar o filme com um tom mais altoral. “Reflexões de um Liquidificador” é despretensioso, com ótima decupagem de cenas e com muitos acertos. O maior deles talvez esteja na seleção do elenco. Do principais personagens com Ana Lúcia Torre, em sua primeira protagonista no cinema e Selton Melo na voz do liquidificador até os personagens secundários.

Os dois dão o tom certo ao filme, além do mérito dos dois, vemos que o diretor é um ótimo diretor de elenco. Os atores coadjuvantes como Aramis Trindade, Fabiula Nascimento e Marcos Cesana (falecido em maios desse ano antes do lançamento do filme) também estão ótimos em seus personagens. O acerto de escolher bons atores, e com rostos menos televisivos, nos oferece maior verdade. Nos convence mais.

Impossível não comparar “Reflexões de um Liquidificador” com outro grande filme brasileiro, “Durval Discos” de Anna Muylaert, pela grande virada do roteiro, Ambos, saem de uma historia em um lugar comum, um universo tranquilo e pacato, para uma realidade mais absurda e inusitada. Mas suas comparações param por aí. O “Reflexões…” não é uma cópia do “Durval Discos”.

Mas os acertos não param por aí, a direção de arte e figurino por exemplo são muito bem cuidados, a fotografia idem, e oque também chama atenção a ótima música de Mário Manga. Trilha sonora por sinal é um setor que ainda temos acertado pouco, mas temos melhorado devagar e cada vez mais. Parabéns para ótima trilha do filme, meio melancólica, ao mesmo mesmo tempo muito bem humorada.

“Reflexões de um Liquidificador” é ótimo, Tem rápidos e inteligentes 80 minutos, que divertem, surpreendem e nos deixam torcendo para André Klotzel não demore mais 8 anos para nos presentear com seu próximo filme.

Jair Santana

“O Escritor Fantasma”, Alexandre Desplat

Filme: O Escritor Fantasma
Diretor: Roman Polanski
Ano: 2010
Música: The Ghost Write Theme
Compositor: Alexandre Desplat
Trilha Sonora: Alexandre Desplat

“A Origem”, Christopher Nolan, 2010

A Origem

A Origem

Quando se achava que as boas historias de ficção ciêntica estavam fadadas a filmagens de livros e contos de Philip K. Dick e Izaac Asimov, temos então um ótimo roteiro de ficção original de Christopher Nolan, com seu filme “A Origem”, que era o mais aguardado filme do ano.

Entre os bons filmes de ficção, sim, temos “Matrix”, que arrebatou público e crítica, que surpreendeu, encantou, mas que também se perdeu em suas continuações.Então chega Nolan, com uma história, que podemos até dizer que usa referências de Matrix, quando se fala em uma realidade paralela e a forma como é coloda, mas não, não vá esperando a mesma colocação, realização, afirmação, não vá esperando um outro “Matrix“.

“A Origem” consegue ser superior em vários pontos. Por mais ficção, por mais “viagem” que sejá o roteiro de Nolan, ele nos permite essa viagem por pura e simplesmente se utilizar de um espaço onde tudo pode. Os nossos sonhos. Neles, podemos voar, matar, morrer, e até criar cidades inteiras, e mesmo estar ao lado de pessoas que já se foram. Nos sonhos, como já afirmei, tudo pode. E é aí que Nolan acerta em cheio.

A historia, é complicada, pelo menos inicialmente. Não há como negar. Mas o roteiro de Nolan é também um clássico. Sabe aquela historia do “grande assalto”, que parece que já vimos em algum lugar? Pois é, é um pouco assim também. Mas então o roteiro nos prêmia com uma novata, a Adiadne, vivida por Ellen Page, que não conhece a estrutura e aprende, junto com o espectador, tudo que que acontece na “viagem” do roteirista.

O diretor, Christopher Nolan, rege o filme com maestria. Realmente, sua filmografia (Amnésia, Batman – Beggins, Batman-O Cavaleiro das Trevas ) tem provado que já pode ser colocado como um dos maiores diretores de sua geração. Ainda mais quando falamos, de um diretor essencialmente Hollywoodiano, podemos afirmar que sim, pode existir vida inteligente nos “blockbusters”.

Assim foi falado quando vimos Batman, tanto o Beggins quando o Cavaleiro das Trevas, e o mesmo repetimos agora. Nolan consegue agradar o público médio, e sim, o que espera um cinema acima da média.

Todos grandes efeitos visuais de seu filme de nada seviriam sem o roteiro bem amarrado, sem as interpretações grandiosas de seus atores. Outro ponto forte em seus filmes, é a direção de atores. Leonardo Di Caprio está aqui em um de seus melhores papeis, Marion Cotillard aparece menos do que gostariamos, mas sempre rouba a cena pra ela em suas aparições, temos ainda Ellen Page e Joseph Gordon Levitt com interpretações inesquecíveis. E mais um presente, Michael Caine, que mesmo com um pequeno personagem, mais uma vez, nos presenteia com sua presença forte e em um personagem pequeno, mas de grande importancia no filme.

Realmente, o elenco é um dos pontos mais fortes do filme. E é aí a grande sacada de Nolan, ao se preocupar essencialmente no roteiro, mesmo em um filme para o grande público. E ainda, com um elenco bem trabalhado, bem afinado, é meio caminho andado para filme de sucesso.

Porém as qualidades do filme não param por aí. Roteiro, como já foi citado, e os efeitos visuais que impressionam. São, apesar como em um sonho, são trabalhados para realmente acreditarmos neles. Parece que realmente vemos uma grande cidade se acabando com o vento, ou um trem passando no meio da cidade, ou qualquer coisa que o diretor nos coloca. Ele convence.

Então chegamos a mais um ponto, que aqui, foi fundamental para o clima do filme. Ou porque não falar de climax, que dura um terço do filme. O rítmo do filme, já alucinante, durante o ”grande golpe” é elevado ao quadrado. E a música de Hans Zimmer casado com as imagens de Nolan deixam nosso coração apertado, acelerado, enfim, nos deixam extasiados. Mais uma grande trilha sonora desse que é um Alemão, que hoje radicado nos EUA, é um dos melhores e mais solicitados compositores de Hollywood.

E mais uma vez, temos aqui, em “A Origem”, um cinema, por mais blockbuster que seja, é um cinema de autor. Nolan é além de roteirista e diretor, produtor de seu filme. O que lhe dá total comando em sua obra. Citando então o grande crítico  Luiz Carlos Mertem eu comemoro com ele “E viva o cinemão de autor”

“A Origem” é um desses filmes, que assistimos e levamos pra casa. Pensamos, conversamos sobre ele, e ele passa semanas nos fazendo companhia. É um desses filmes que nos deixa extasiados no cinema, que dá vontade de rever, e logo, ainda no cinema. Pois o bom cinema é assim. E a experiência de um bom filme, em uma boa sala de cinema é insubistituível.

Jair Santana

“O Pequeno Nicolau”, Laurent Tirard, 2009

O Pequeno Nicolau

O Pequeno Nicolau

“O Pequeno Nicoau” é o segundo filme do diretor francês Laurent Tirard, 0 primeiro foi o “As Aventuras de Molière”, e arrebatou o público em seu país, com um público de mais de 5 milhões de pessoas, foi a maior bilheteria na França em 2009

O roteiro é inspirado,  e não adapitado,  em “Le Petit Nicolas” livro de 1959 de Jean-Jacques Sampé e René Goscinny (um dos autores de Asterix), e é assinado por Alain Chabat, Gregorie Vignegron e o próprio diretor, Laurent Tirard.

O filme foi apresentado no Brasil no Festival Varilux de Cinema Francês, e chegou sem muita divulgação, e foi conquistando o prúblico no famoso e infalível “boca-a-boca”, e se tornou um dos maiores sucessos nas férias de julho, sucesso que dura até hoje em varios cinemas do Rio e São Paulo.

Apesar do apelo infantil, pois é esse o universo retratado no filme, “O Pequeno Nicolau” não é um filme para crianças. Ratifico, não é um filme somente para crianças, seu roteiro leve porém inteligente, suas piadas ingênuas porém não bobas, pegarão com certeza não só as crianças, mas também jovens e adultos que se deliciarão com essa deliciosa comédia.

Eu especialmente, dava gargalhadas no cinema como a muito não acontecia. O filme prende atenção, com as aventuras de um garotinho na década de 50, anterior a todas tecnologias que hoje fazem a ingênuidade ir embora cedo demais.

Nicolau, no auge de seus 8 ou 10 anos, é cercado de amigos esteriopados, mas que servem para retratar os tipos que fazem parte desse universo, tais quais como o avoado, o riquinho, o comilão, o queridinho da professora, enfim, tudo, apesar de “caricato” é bem colocado e tem seu porque de estarem alí.

Mesmo visto pelos olhos de uma criança, também percebemos alguns reais, e comuns problemas bem adultos que cercam Nicolau. Como problemas financeiros e do relacionamento de seus país. Problemas esses porém, que passam despercebidos ao olhos do menino. Justamente, por sua ingênuidade.

Certo dia, Nicolau fica com medo, ao entender errado uma conversa entre seus pais, da chegada de um irmãozinho. Achando que será abandonado pelos país, e tramando sumir com irmãozinho de um de seus amigos, essa aventura, quase um pastelão em alguns momentos, é muito bem dirigida, com um rítimo ágil, boa edição, e uma música, de Klaus Badelt no ponto certo entre a nostalgia e a comédia.

Ainda entre a trama principal, pequenas tramas paralelas fazem parte da historia, sem nos dar infomação demais ou sem poluir o roteiro. Da venda dos garotos de uma formula mágica que dá super poderes (vemos algo parecido em Asterix) até a primeira “mini-paixão” de Nicolau. Tudo, na dose certa.

Direção de arte é maravilhosa. Seu exgeiro proposital flerta entre o desenho, o teatro e o cinema, sem falhas, mas com semsibilidade e estudo para realizar um trabalho leve e verdadeiro. A fotografia de Denis Rouden é outro acerto, fazendo com que esse exgero de cores esteja bem colocado no filme, casando muito bem com o filme.

Dificil encontrar quem não tenha se maravilhado no filme. Nicolau está para França tal qual “O Menino Maluquinho” para o Brasil. A diferença é a época, a nostalgia, e sinceramente, o cuidado superior que a produção francesa teve em sua produção. Porém, a essência da ingênuidade e da liberdade estáo lado a lado.

Jair Santana

“Ponyo”, Joe Hisaishi

Fime: Ponyo
Diretor: Hayao Miyazaki
Ano: 2008
Música: Ponyo on a Cliff by the Sea
Compositor: Joe Hisaishi
Trilha Sonora: Joe Hisaishi