“O Escritor Fantasma”, Roman Polanski, 2010

O Escritor Fantasma

O Escritor Fantasma

“O Escritor Fantasma”, filme do diretor Roman Polanski, é mais que um tipo de filme com referências auto-biográficas, é sim, uma crítica feroz a política americana e seus aliados. No caso aqui no filme, o Reino Unido.

Na historia, o “escritor fantasma”, é contratado para reescrever a auto-biografia do primeiro ministro inglês Adam Lang, interpretado por Pierce Brosnan em sua melhor atuação no cinema até hoje. O detalhe é que o último “escritor fantasma” foi assassinado durante o trabalho, deixando um clima de “conspiração” no ár.

Polanski, como mestre que é, consegue, mesmo finalizando o filme da prisão dominiciliar de Gstaad, realizar um triller político paranóico e envolvente. E mesmo que saibamos muito pouco de tudo que está realmente acontecendo, sim, o filme consegue nos prender.

O roteiro escrito pelo próprio diretor, Polanski, e em conjunto com Robert Harris, autor também do livro que inspirou o filme. A historia nos joga em meio ao isolamento paranóico que vivem pessoas públicas. Aqui o primeiro ministro Adam Lang, que é uma figura constantemente comparada ao verdadeiro ex-primeiro ministro britânico Tony Blair.

O roteiro não apresenta falhas, é uma sucessão de descobertas, que levam a um lugar, e outro, e a outro, e no final, tudo que parecia tão complicado, fica óbvio.

Adam é uma figura falsamente simpática, pois nunca lembra o nome do seu “escritor fantasmta, é carismático, que ao final de seu mandato se envolve em um grande escândalo político e é obrigado a se exilar nos EUA, na praia de Matha’s Vineyard. Uma praia de clima “inglês”, habitada por ricos e poderosos e poucos turistas.

A crítica á celebridades isoladas é clara no modo de vida em que Lang nos é apresentado no filme. Em seu escritório da casa de praia por exemplo, com um grande vidro, mostra representativamente, como é essa relação. O personagem se protegendo de todos os acontecimentos externos, de não ter participação ativa, e sim somente, visual das coisas acontecendo.

 

 

Outra grande, e essa a mais forte e principal crítica, é quanto a política americada. No filme, o personagem Adam Lang é um criminoso de guerra. Crime esse sem gravidades políticas nos EUA, por isso Adan se refugia no país. Na vida real, Polansky, não pode pisar nos EUA, pois fez sexo consentido, com uma modelo de 13 anos em 1977. O que parece incoerência é um comportamente real do governo americano.Grandes crimes políticos, como tortura, genocídio etc, são muito menos penalisados que crimes “morais”.

O filme tem um rítimo bem europeu na maneira de se contar a história. Nada é muito mastigado, oque alguns críticos chamaram de “lento”, classifico como introspectivo e denso. Os personagens são misteriosos, as relações entre os personagens também. Nada é muito claro do que cada um quer, tudo parece ter uma segunda intensão.

A esposa de Adan Lang, com uma ótima interpretação de Olívia Willians, é um personagem pesado e encantador. Você fica curioso e hipinitozado com ela. Ótima interpretação também de Ewan McGregor como o escritor título do filme. Polanski sabe tirar o melhor de seus atores.

Tecnicamente falando, o filme é impecável., da palheta de cor, da fotografia de Pawel Edelman, parceiro de Polanski em “O Pianista” e “Oliver Twist”, e a trilha sonora de Alexandre Desplat, compositor de trilha de filmes como “Rainha” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Ou seja, Polanski se cerca de ótimos proficionais e realiza um filme impecável e vários aspectos.

“O Escrito Fantasma” é mais um ótimo filme desse grande diretor. Que precisa ser assistido, e entendido mais que só e simplesmente um filme de suspense. Polanscki é um diretor, um artista, engajado e questionador. Devemos ver suas obras, dentro desse contexto.

Jair Santana

2 Respostas

  1. Muito bom este filme, como teu texto evidencia, só achei a atuação de Ewan, por vezes, apática e inexpressiva…de fato, Olivia tem uma densa atuação (será que pode ser indicada ao Oscar de atriz coadjuvante? sinceramente, merece indicação!) e a boa trilha de Desplat torna o filme mais climatico no suspense e drama.

    abraço

  2. […] Fantasma”, Alexandre Desplat Publicado em agosto 10, 2010 por sobretudofilmes Filme: O Escritor Fantasma Diretor: Roman Polanski Ano: 2010 Música: The Ghost Write Theme Compositor: Alexandre Desplat […]

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