“Meu Nome é Dindi”, Bruno Safadi, 2008

Meu Nome é Dindi

O longa metragem de estreia do diretor de curtas Bruno Safadi, me gerou expectativa e decepção. “Meu Nome é Dindi”, é curiosamente filmado em planos sequências, com baixíssimo orçamento, Bruno é acima de tudo um realizador, um guerreiro. O filme ganhou prêmio de melhor filme do Festival de Tiradentes.

“Meu nome é Dindi” narra a historia de Dindi, uma jovem dona de quitanda, que está à beira da falência. Ao lutar por sua sobrevivência ela é perseguida por um perigoso agiota e por um misterioso senhor.
A premissa do filme é ótima, mas o roteiro se perde totalmente do meio pro final do filme, e os 85 de filme ficam intermináveis.

A velha historia de querer tornar o nú e cru em poético, misturar realidade e fantasia, misturar passado e presente numa só cena. Nada disso é errado, quando bem realizado. Mas aqui é tudo muito confuso e desconexo.

Filme ousado demais pra um primeiro filme. Bruno é diretor e roteirista do filme. Totalmente autoral, e isso é bom, mas aqui essa autoralidade é mais um experimentalismo. O elenco está ótimo, bem dirigido, mas os diálogos do roteiro não ajudam.

Somamos isso a uns erros de cortes e uma fotografia escura e simplória, mesmo sendo o diretor de fotografia o  ótimo Lula Carvalho,  fotógrafo premiado e filho de um dos mais respeitados diretores de fotografia do país, Walter Carvalho.

A crítica procura justificar o filme pela historia de Bruno como assistente de direção de Nelson Pereira dos Santos e Julio Bressane, por isso o filme de Bruno é meio cinema novo. Não concordo. O “Cinema Novo” é contextualizasido historicamente em sua época, e naquela época tinha uma razão de existência. Mesmo que eu particularmente discorde de muita coisa do cinema novo.

“Meu nome é Dindi” começa bem, se perde e não chega a lugar nem um. Infelizmente. Pois mesmo com vários équivocos, Bruno Safadi parece ser um diretor que quer buscar sua identidade artística.

Jair Santana

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