“As Melhores Coisas do Mundo”, Lais Bondanzky, 2010

As Melhores Coisas do Mundo

“As Melhores Coisas do Mundo”, filme da extraordinária diretora Lais Bondanzky, prova que um filme sobre adolescentes, ou quase pré-adolecestes, pode sim, ser inteligente, emocionante e acima de tudo sensível.

O filme com roteiro do também espetácular Luiz Bolognesi, baseado em série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto é autêntico, original, ousado e pé no chão, somado a sensíbilidade de uma diretora intimista, corajosa e segura, resulta num dos filmes mais espetaculares filmes sobre adolescentes já realizados. E não somente na historia do cimema brasileiro.

O que há de tão espetacular assim? A simplicidade e a coerência como são tratados as situações colocadas no filme.

O roteiro é tão inteligente que não precisa utilizar palavras inteligentes para nos convencer disso. Os diálogos, em sua maioria de adolescentes, são bobos, cheio de gírias e superficialidades.  Aparentemente pelo menos. Aquelas do tipo “Você sgosta dele? Vacilo, Nada haver”, sem muitas explicações ou profundidade no que é dito. Se tornando assim, mais real e verossímil ao universo retratado.

A inteligência não está estampada nos diálogos, e sim nas situações, na coerência e no comportamento dos personagens retratados.. O que torna esse diálogos mais inteligentes ainda por serem mais próximos do real.

Mano, interpretado por Francisco Miguez com uma verdade impar, é um adolescente de 15 anos, cheio tão normal que é impossível não se identificar com ele. Ele gosta da menina mais bonita do colégio, tem amigos cheios de falhas, professores legais, outros chatos, pais que não se dão bem, amigos, é tudo tão usual que poderia ser um filme bem fraco.

Mas aí é que está a genialidade do roteiro e da direção. Transformar a simplicidade em algo superior e tocante. O diálogo mais inteligente do filme, vem de dois adultos, acadêmicos totalmente coerente ao universo apresentado pelo filme.

Finalmente o cinema brasileiro retrada adolescentes classe média sem precisar falar da relação deles com a marginalidade, ainda que sendo crítico e realista. Finalmente o cinema brasileiro simplesmente, retrata a classe média. Não, os adolescentes alí retratados não são santos, pelo contrário, falamos aqui de uma juventude muitas vezes, preconceituosa, dissímulada e cruel. Mesmo o heroi do filme, o Mano, logo no início ataca, talvez só pra se sentir em grupo, alguem que enxerga como diferente, e em outro momento, é esse alguem, que enxerga ele como alguem tão igual, que é a única pessoa que se aproxima para mostrar solidariedade.

Igualmente acontece com seu irmão Pedro (Fiuk), que hostiliza o namorado de seu pai, e é o mesmo que mais se aproxima dele, mesmo que virtualmente, e acaba por ser o responsável por salvar sua vida. Essa aproximação de antagonistas é realizado com total coerência, sem forçação, fluindo naturalmente como tudo no filme.

A decupagem do filme é incrível. Por mais minimalista que seja, e por mais colados que fiquemos ao personagem Mano, os planos abertos de Lais Bondanzky nos dá folego e nos situa do universo desse personagem. A segurança de sua direção é marcante.

Algums momentos do filme são marcantes e vale ressaltar. Como a relação de adimiração da aluna Carol (Gabriela Rocha) pelo professor Artur, interpretado por Caio Blat, ou da relação meio que como terapia de Mano como professor de violão, Marcelo, no pequeno, mas ótimo papel de Paulo Vilhena e também o momento da catarze da mãe com Mano na cozinha, na cena do ovo, que já chega se tornando um clássico. Denise Fraga dá um show, de explosão interna de seus sentimentos.

Um filme visceral, apaixonante, entregue como o momento de vida retratado aqui. Nos tira boas rizadas e algumas lágrimas também, e conciliar isso em um filme só, é bem dificil.

Tecnicamente também o filme é impecável, desde o figurino atual e nada exagerado de Caia Guimarães, a fotografia de Mauro Pinheiro Jr, que vem se tornando o novo queridinho da fotografia no cinema nacional, pelos seus ótimos trabalhos realizados, a edição de Daniel Rezende, indicado ao Oscar por  “Cidade de Deus“,  é agil e jovem como filme, e claro o elenco, em sua maioria jovens não atores, mas também não podemos deixar de citar a experiência no elenco de Denise Fraga e Zé Carlos Machado ´como mãe e pai do personagem Mano.

Por sinal, maravilhosa a escolha da direta pelo elenco, e em espcial de Denise Fraga que em em sua maioria é lembrada para interpretar papéis cômicos. Aqui, ela prova mais uma vez que não é uma comendiante, e sim, acima de tudo, uma ótima atriz.

“As Melhores Coisas do Mundo” arrisco a dizer, sem exitar, que ja se coloca como um dos melhores filmes do ano. Lais Bondanzky, não só por esse filme, mas juntamente com ele os filmes “Bicho de Sete Cabeças” e “Chega de Saudade”, prova que é uma das mais promissoras e autorais diretoras brasileiras.

Jair Santana

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2 Respostas

  1. […] entrevista conversa de seu ultimo filme,  “As Melhores Coisas do Mundo”. A entrevista foi uma conversa com uma diretora sempre muito humilde, bem humorada e muito segura […]

  2. […] 2010 a diretora lança seu ultimo trabalho, o filme  “As Melhores Coisas do Mundo”. O roteiro de Luiz Bolognesi sai da terceira idade de “Chega de Saudade” e vai para a […]

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