“Lendas da Paixão”, James Horne

Fime: Lendas da Paixão
Diretor: Edward Zwick
Ano: 1994
Música: Legends Of The Fall Theme
Compositor: James Horne
Trilha Sonora: James Horne

Laís Bodanzky, 1969 –

Laís Bodanzky

Laís Bodanzy

Diretora paulistana, nascida em setembro de 1969,  Laís Bodanzky, é hoje uma das grandes promessas do cinema brasileiro. Formada em cinema pela FAAP, seu primeiro curts em 1994, “Cartão Vermelho”, já chegou chamando atenção pela ousadia. O curta ganhou vários prêmios no Brasil e participou de vários festivais internacionais. Esse seu primeiro curta, a diretora já formou parcerias que duram até até hoje, como Fabiano Gullane, que posteriormente, com seu irmão Caio Gullane, tomariam a frente do que hoje é uma das mais fortes produtoras do país.

Em 1999 realizou ao lado de Luiz Bolognesi dirigiu seu primeiro longa, que veceu o Prêmio Especial de Juri em Gramado. Essa parceria posteriormente se transformou em casamento, e os dois juntos, realizaram mais três longas, com Luiz Bolognesi roteirizando e Laís Bodanzky na direção.

Junto com Luiz Bolognesi é proprietária da Buriti Filmes, que mais que uma produtora de cinema, se classifica como uma produtora cultural. Realizando projetos intinerantes, cursos, produzindo teatro.

Em 2001 essa parceria Luiz e Laís resultou no polêmico “Bicho de Sete Cabeças”, roteiro de Bolognesi adaptado do livro “Canto dos Malditos” de Astraugésilo Carrano. A temática do filme rendeu muitas dificuldades para capitação de recursos do mesmo. Drogas, hospício, preconceito, afastaram muitos patrocinadores, oque fez com que a produção quase desistisse do projeto. Concluido o filme, “Bicho de Sete Cabeças” rendeu muitos prêmios, principalmente nas categoria Filme, Direção e Ator. O ator Rodrigo Santoro, foi indicado a Laís Bodanzky pelo grande ator de teatro, Paulo Autran, que na época trabalhava junto com Rodrigo no seriado “Hilda Furação” da TV Globo. No total, o filme foi vencedor de 48 prêmios, no Brasil e no exterior. Os não patrocinadores devem ter se arrependido profundamente.

Em 2005 dirigiu sua primeira peça de teatro, “Essa Nossa Juventude”, texto de de Kenneth Lonergan., produção de Maria Luiza Mendonça e Christiane Riese, no elenco Paulinho Vilhena (que também virou seu perceiro de trabalho), Gustavo Machado e Silvia Lourenço.

Ainda de 2005, Laís Bodanzky e o marido, Luiz Bolognesi, mantêm o Cine Tela Brasil, projeto Itinerante de exibição gratuita de filmes em cidades dos estados brasileiros de São Pualo, Rio de Janeiro e Paraná.O  projeto é mantido com o apoio cultural do Sistema CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), empresa que comanda várias concessionárias de rodovias brasileiras, entre elas a NovaDutra (que controla z Via Dutra, principal ligação rodoviária entre São Paulo e Rio de Janeiro).

Em um caminhão, o Cine Tela Brasil leva pelo país uma grande tenda de 13m x 15m, onde são instaladas 225 cadeiras, equipamento profissional de projeção 35mm, tela de 7m x 3m, som estéreo surround e ár condionado. Toda a estrutura é montada e desmontada em cada cidade para a exibição. As sessões tem sempre como atração, a exibição de um filme brasileiro de longa-metragem. O projeto promove até quatro sessões diárias de cinema. Até final de julho de 2007, o projeto havia visitado 111 cidades, promovendo 1.355 sessões, e abrangendo um público de mais de 260 mil pessoas (taxa média de ocupação da sala foi de 86%).

Em 2008 veio seu terceiro longa, roteiro de Bolognesi, “Chega de Saudade”. A historia agora se passaria em um baile. Um clube de dança em São Paulo, com o elenco em sua maioria, atores mais velhos, acima dos 60 anos, o filme conta a historia durante uma noite nesse clube de dança, Do abrir suas portas até o término do baile. Mais uma vez, a diretora foi prêmiada em alguns dos maiores festivais no país, e tambpem o filme teve ótima aceitação for a do pais.

Em 2010 a diretora lança seu ultimo trabalho, o filme  “As Melhores Coisas do Mundo”. O roteiro de Luiz Bolognesi sai da terceira idade de “Chega de Saudade” e vai para a adolescência. É também uma adaptação, doa série de livros “Mano” de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto. Aparentemente seria um filme mais facil, mais leve. Talvez seja, porém não menos crítico, não menos sério. Os temas abordados, homossexualidade, drogas, preconceito, continuam alí, porém com uma nova leitura, uma nova roupagem. A realização do projeto demorou três anos até seu lançamento, Este foi o primeiro filme a utilizar uma música dos Beatles, e foi a primeira vez que que Laís utilizou a internet em sua divulgação.

Leia aqui a entrevista com a diretora Laís Bodanzky

“Dúvida”, Howard Shore

Filme: Dúvida
Direção: John Patrick Shanley
Ano: 2008
Música:Doubt Ost – Main Title
Composição: Howard Shore
Trilha Sonora do Filme: Howard Shore

“Entreatos”, João Moreira Salles. 2004

Entreatos

Inquestionávelmente,  “Entreatos” é mais um ótimo documentário de João Moreira Salles, que ja provou saber conduzir esse estilo de filme, com filmes como “Nelson Freire” e “Santiago”. O que fica aparente também, é que parece um filme quase que encomendado pelo próprio Lula.

O filme mostra os ultimos dois meses, ou melhor, os ultimos 40 dias do Lula antes de ser presidente do Brasil, ou seja, a disputa já estava bem definida quando o João chegou pra filmar. Como havia possíbilidade dele ganhar no primeiro turno, as filmagens foram adiantadas

Apesar das autorizações prévias, a equipe ainda tinha que negociar diariamente nova autorização para as filmagens. Dificil acreditar que isso não aconteceria. Logo, temos apenas imagens que não comprometem a imagem do Lula, dificil acreitar que a liberdade seria tanta, que não precisariam ter uma acessoria de imprensa que “filtrariam” as imagens depois. Mesmo que o João diga o contrário, como ele já disse.

O filme vende a imagem de um Lula, boa gente, simples, brincalhão (a melhor de todas é ele fingindo falar no telefone com o Bush), amigo, sensivel, enfim, quem não gostaria de um lider com todas essas qualidades? O filme chega, justamente em um momento do governo Lula, que se esta passando por uma crise de aceitação principalmente entre os intelectuais que os apoiaram, e o filme atinge justamente a que público?

“Entreatos” tem como proposta a mais pura das propostas de um documentário: A observação. Em nem um momento há um entrevistador que pergunte algo ao Lula, em nem um momento há interferência em qualquer atividade que o Lula esteja fazendo por parte da equipe, mas também não é um “Big Brother”, onde se pode até esquecer de está sendo filmado por não vêr a câmera. A consciência disso é muito clara, a equipe é grande ( sete pessoas entre tecnicos e direção), o Lula sabia o tempo todo e também era lembrado o tempo todo, pela presença dessa equipe. Logo, o que vemos alí, é uma interpretação de como o Lula gosta de ser visto.

Muito delicada a situação do diretor, em filmar um governante, durante sua reta final para a vitoria, e lançar o filme enquanto esse governante se encontra no poder. Dificil acreditar na autênticidade do filme, quando observamos o momento de sua realização.

O personagem popular que vemos, é encantador. O real carisma de Lula é incontestável. A fortaleza que o cerca também é incontestável. A cena em que José Dirceu questiona a existencia da equipe e os expulsa da sala é muito emblemática e coloca a força que esse outro personagem tem na vida política de Lula. Não é o candidato que expulsa, mas sim seu “braço direito”.

Concluindo, o filme é bom sim, tem um fotografia maravilhosa, em especial a ultima cena é fantástica, o olhar do documentárista se afasta, depois de acompanhar por 40 dias aquele personagem, e o entrega nas mãos da mídia e do povo. Mas a intimidade criada entre os dois não se repetirar com toda aquela multidão de câmeras e flashs. O único olho que registrou tudo, foi o “nosso”, através do diretor.

Jair Santana

“Tulpan”, Sergey Dvortsevoy, 2008

Tulpan

“Tulpan”, filme de estreia ficcional do diretor de documentários Sergey Dvortsevoy, é um filme poético, sobre escolhas e sobre a aceitação, ou mesmo conformismo, de um determinado estilo de vida.

Asas, interpretado com grande realismo pelo não ator Askhat Kuchinchirekov, é um ex-marinheiro, que ao retornar do serviço militar para casa, tem o choque do retorno ao sentir o isolamento, que até antes de sua partida, era a única realidade que conhecia.

Asas entrou em contato com a civilização, teve acessos a coisas que alí não mais terá. Viu grandes casas, prédios, carros. A escolha entre o se conformar e assumir sua historia antiga, de ser pastor de ovelhas, ou uma historia nova, de desbravar novos lugares, novos mundos, é o grande questionamento do filme.

Para se firmar naquele lugar, deserto do Cazaquistão, Asas precisa casar, e para casar precisa ter um emprego, o que naquela região seria de pastor de ovelhas para um fazendeiro local. Mas Asas ainda não é um pastor, e é rejeitado pela familia da pretendente, com a desculpa de sua aparência física ( a pretendente diz que Asas possue orelhas grandes demais).

Então, parte da historia, é a readapitação de Asas ao local. Suas dificuldades em se tornar um pastor, de se moldar aquele estilo de vida, suas brigas com o duro cunhado, o carinho por seus sobrinhos.

Aquela é sua historia, Alí estão suas raizes. Sua irmã, sua familia, mas aquele mundo agora, Asas se questiona, se ainda é o seu. O rito de passagem para se tornar um adulto, não foi em alto mar, não foi sozinho enquanto servia a marinha, e sim acontecerá agora, em seu regresso.

O diretor Sergey Dvortsevoy nos coloca o quanto vazio, grandioso e isolado é aquele deserto. Como é dificil e dura a vida naquele lugar. Em grandes planos abertos, temos apenas a natureza como personagem com maior interferência na vida daquelas pessoas. Os poucos animais, o som forte do vento, a terra seca.

Depois de situados, familiarizados com esse deserto, a câmera chega sem percebermos quando ao certo, cada vez mais perto dos personagens. Da irmã de Asas, que é o equilibrio emocional da familia, da seu cunhado que é o responsável financeiro, e seus dois sobrinhos. De planos grandes e abertos, chegamos a câmera na mão,colada no ombro dos personagens. A intimidade agora é explorada ao máximo pelo diretor.

Muito emblemática a cena em que Asas mostra para Tulpan, que por sinal nunca vemos direito, o seu “paraiso”. Mostra desenhado em seu traje de marinheiro. O que seria o paraiso pra ele, ou pelo menos o que achava ser, e é justamente a vida que ele leva no deserto.

Ser um pastor de ovelhas, ter uma casa, uma esposa, um camelo. Asas não precisa de muito, ou pelo menos limitava seu ideal de vida, ao que achava que seria possível. Mas agora, ele se questiona sobre o que realmente quer para sua vida.

Outras duas sequências fortes no filme, são a que Asas, sozinho, fez o parto de uma ovelha, que se encontra fraca no meio do campo aberto. Sequência realmente forte, muito bem filmada, onde sintetiza alí, a virada do menino em homem. A outra, seria a partida do personagem para se aventurar no mundo. Quando Asas olha pra tras e enxerga extamente, o que seria seu paraiso, idealizado e desenhado em sua roupa de marinheiro.

O filme tem feito boa carreira internacional, vencedor do prêmio “Um Certo Olhar” em Cannes, arrebatou também prêmios no Festival de Tokio, Vezena e outros.

O filme não é um acontecimento cinematográfico, nem tem planos inovadores ou atuações que ficarão pra historia. Mas é um filme verdadeiro, não limitado a ser um filme étinico, e nem ao lugar ou época em que acontece. Sendo assim, essa já é uma grande arma do filme. Atemporal e a universalidade que apresenta.

“Tulpan” é um filme que emociona. Pela verdade que retrata, pela naturalidade de suas interpretações e pela verdade da direção.

Jair Santana

“Deixa Ela Entrar”, Johan Söderqvist

Filme: Deixa Ela Entrar
Direção: Tomas Alfredson
Ano: 2008
Música: Main Theme – Let The Right One In OST
Composição: Johan Söderqvist
Trilha Sonora do Filme: Johan Söderqvist

“As Melhores Coisas do Mundo”, Lais Bondanzky, 2010

As Melhores Coisas do Mundo

“As Melhores Coisas do Mundo”, filme da extraordinária diretora Lais Bondanzky, prova que um filme sobre adolescentes, ou quase pré-adolecestes, pode sim, ser inteligente, emocionante e acima de tudo sensível.

O filme com roteiro do também espetácular Luiz Bolognesi, baseado em série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto é autêntico, original, ousado e pé no chão, somado a sensíbilidade de uma diretora intimista, corajosa e segura, resulta num dos filmes mais espetaculares filmes sobre adolescentes já realizados. E não somente na historia do cimema brasileiro.

O que há de tão espetacular assim? A simplicidade e a coerência como são tratados as situações colocadas no filme.

O roteiro é tão inteligente que não precisa utilizar palavras inteligentes para nos convencer disso. Os diálogos, em sua maioria de adolescentes, são bobos, cheio de gírias e superficialidades.  Aparentemente pelo menos. Aquelas do tipo “Você sgosta dele? Vacilo, Nada haver”, sem muitas explicações ou profundidade no que é dito. Se tornando assim, mais real e verossímil ao universo retratado.

A inteligência não está estampada nos diálogos, e sim nas situações, na coerência e no comportamento dos personagens retratados.. O que torna esse diálogos mais inteligentes ainda por serem mais próximos do real.

Mano, interpretado por Francisco Miguez com uma verdade impar, é um adolescente de 15 anos, cheio tão normal que é impossível não se identificar com ele. Ele gosta da menina mais bonita do colégio, tem amigos cheios de falhas, professores legais, outros chatos, pais que não se dão bem, amigos, é tudo tão usual que poderia ser um filme bem fraco.

Mas aí é que está a genialidade do roteiro e da direção. Transformar a simplicidade em algo superior e tocante. O diálogo mais inteligente do filme, vem de dois adultos, acadêmicos totalmente coerente ao universo apresentado pelo filme.

Finalmente o cinema brasileiro retrada adolescentes classe média sem precisar falar da relação deles com a marginalidade, ainda que sendo crítico e realista. Finalmente o cinema brasileiro simplesmente, retrata a classe média. Não, os adolescentes alí retratados não são santos, pelo contrário, falamos aqui de uma juventude muitas vezes, preconceituosa, dissímulada e cruel. Mesmo o heroi do filme, o Mano, logo no início ataca, talvez só pra se sentir em grupo, alguem que enxerga como diferente, e em outro momento, é esse alguem, que enxerga ele como alguem tão igual, que é a única pessoa que se aproxima para mostrar solidariedade.

Igualmente acontece com seu irmão Pedro (Fiuk), que hostiliza o namorado de seu pai, e é o mesmo que mais se aproxima dele, mesmo que virtualmente, e acaba por ser o responsável por salvar sua vida. Essa aproximação de antagonistas é realizado com total coerência, sem forçação, fluindo naturalmente como tudo no filme.

A decupagem do filme é incrível. Por mais minimalista que seja, e por mais colados que fiquemos ao personagem Mano, os planos abertos de Lais Bondanzky nos dá folego e nos situa do universo desse personagem. A segurança de sua direção é marcante.

Algums momentos do filme são marcantes e vale ressaltar. Como a relação de adimiração da aluna Carol (Gabriela Rocha) pelo professor Artur, interpretado por Caio Blat, ou da relação meio que como terapia de Mano como professor de violão, Marcelo, no pequeno, mas ótimo papel de Paulo Vilhena e também o momento da catarze da mãe com Mano na cozinha, na cena do ovo, que já chega se tornando um clássico. Denise Fraga dá um show, de explosão interna de seus sentimentos.

Um filme visceral, apaixonante, entregue como o momento de vida retratado aqui. Nos tira boas rizadas e algumas lágrimas também, e conciliar isso em um filme só, é bem dificil.

Tecnicamente também o filme é impecável, desde o figurino atual e nada exagerado de Caia Guimarães, a fotografia de Mauro Pinheiro Jr, que vem se tornando o novo queridinho da fotografia no cinema nacional, pelos seus ótimos trabalhos realizados, a edição de Daniel Rezende, indicado ao Oscar por  “Cidade de Deus“,  é agil e jovem como filme, e claro o elenco, em sua maioria jovens não atores, mas também não podemos deixar de citar a experiência no elenco de Denise Fraga e Zé Carlos Machado ´como mãe e pai do personagem Mano.

Por sinal, maravilhosa a escolha da direta pelo elenco, e em espcial de Denise Fraga que em em sua maioria é lembrada para interpretar papéis cômicos. Aqui, ela prova mais uma vez que não é uma comendiante, e sim, acima de tudo, uma ótima atriz.

“As Melhores Coisas do Mundo” arrisco a dizer, sem exitar, que ja se coloca como um dos melhores filmes do ano. Lais Bondanzky, não só por esse filme, mas juntamente com ele os filmes “Bicho de Sete Cabeças” e “Chega de Saudade”, prova que é uma das mais promissoras e autorais diretoras brasileiras.

Jair Santana

“Soul Kitchen”, Fatih Akin, 2009

Soul Kitchen

“Soul Kitchen” , último filme de Fatih Akin, alemão de decendência turca, diretor dos filmes “Contra Parede” e “Do Outro Lado”, passa pela maioria das pessoas, em geral o espectador comum, apenas como uma gostosa comédia sobre conzinha.

Mas observando sua filmografia, percebemos como estranho seria se o filme fosse exatamente ou somente isso. Akin é um diretor altamente engajado politicamente, crítico em suas realizações e também contextador. Mas nem por tudo isso, “Soul Kitchen” deixa, também de ser, uma deliciosa comédia.

Com uma sinopse superficial, poderiamos descrever o filme da seguinte maneira: A luta, para que Zinos (Adam Bousdoukos, que é também roteirista do filme) continue com seu restaurante, com os diversos obstáculos que aparecem, entre eles a distancia de sua namorada, dificuldades financeiras, o irmão pedindo sua ajuda, essas coisas de sempre. E superficialmente é até aí mesmo. Porém, é nas entrelinhas que encontramos o verdadeiro Fatih Akin.

Mais que uma cozinha, mais que um restaurante, o filme fala de áreas, não só em Hamburgo, mas que no mundo todo, estão sofrendo com a especulação imobiliária. Áreas onde, a alma, o “soul”, acaba dando lugar a enormes emprendimentos frios, porque tornam-se de uma hora outra pra outra, valorizadas.

Não há limites para essa especulação. Nem que para isso, tenha que se “fuder” com o governo. Como na cena em que Thomas, seu amigo de colégio, o especulador, interpretado por por Wotan Wilke Mõhring tranza com a fiscal do governo no meio do restaurante e ainda tira fotos em seu celular. No final, ele mesmo afirma estar feliz por “fuder com o governo”.

Mais longe ainda, o filme fala de como o alemão trata seu imigrante. Com certo preconceito e desprezo, mais que isso, com uma certa limitação de até onde pode esse imigrante chegar, como colocou muito bem Eduardo Diaz em sua crítica na Revista Cinética.

O restaurante “Soul Kitchen” tem um público, mesmo que limitado, mas um público que frequenta quase que diariamente o restaurante. Tentando solucionar seus problemas, Zinos tenta realizar uma mudança no cardápio para atrair novos frequentadores.

“Quando o menu é reformulado, o lugar esvazia, pois os frequentadores não querem criatividade, apenas que os imigrantes cozinhem sua comida e limpem seu chão. Logo, um novo público aparece: pessoas mais jovens, que entendem a nova comida (agora  “glamourizada”) e que buscam outras experiências além da comida: música, arte etc.” diz Eduardo Diaz Camarneiro da Revista Cinética (www.revistacinetica.com.br).

E é exatamente isso que Aki quer retratar. A negação ao novo, ao imigrante, do tradicional e velha sociedade alemã, a aceitação vem dos jovens, dos artististas, dos intelectuais..Mas ess público, esta aberto, mas não tem dinheiro, então Zinos, tem que recorrer a mesma sociedade alemã tradicional para lhe ajudar financeiramente.

Sendo uma comédia que é, estamos então aberto a reviravoltas mais absurdas possíveis, situações tragicômicas, como o próprio problema na coluna de Zinos, e diferente de seus outros filmes, temos em “Soul Kitchen”, tudo resolvido e um final feliz, no melhor estilo “happy end” de qualquer comédia, quase romântica.

A partir desse filme Fatih Akin expandiu seu cinema. Continuou fiel ao seu público e com toda certeza adiquiriu muitos outros, que buscarão sua filmografia anterior.

A música é também muito bem utilizada pelo diretor. A fotografia de Rainer Klausmann utiliza o maior número possível de luz natural e de interferência (aquela que está no próprio set como cenário).  O roteiro é do próprio Fatih Aki e de Adam Bousdoukos, que interpreta o Zinos Kazantsakis , é muito bem realizado, abordando temas fortes e mesmo assim, se mantendo como uma comédia desde seu primeiro instante.

No mais, “Soul Kitchen” é um filme divertido, apaixonante e inteligente, que deve ser visto com bastante atenção.

Jair Santana

“Sede de Sangue”, Park Chan-wook, 2009

Sede de Sangue

Curiosa a filmografia do diretor coreano Park Chan-wook, autor da Trilogia da Vingança com os filmes  Mr. Vingança (2002), Oldboy (2003) e Lady Vingança (2005), trantado sempre em seus filmes sobre a exaustão da violência e dos limites humanos.

Chegando agora em 2010 no Brasil, vale salientar que o filme “Sede de Sangue”, recebeu Prêmio Especial de Juri no Festival de Cannes em 2009.

Na trilogia da vingança, lógico, temos a vingança, esse que é por muitos considerado o pior dos sentimentos humanos, como objeto de ação para todo o filme. Os personagens vivem em função somente desse sentimento. Não havendo limites de crueldade e temporalidade para tal.

Já em “Sede de Sangue”, a falta de limites também está em questão, porém, avessa ao que vimos na sua trilogia. Aqui, o padre Sang-hyeon (Song Kang-ho, de O Hospedeiro), com ânsia de fazer o bem, arrisca sua vida, se inscrevendo como cobaia para testes na pesquisa de uma doença incurável. Até então, a maioria das pessoas que se inscreveram para os teste foram suicidas em potencial, pois entravam na pesquisa desacreditadas na curta. Porém, Sang-hyeon consegue sobreviver inexplicavelmente dos testes realizados com ele.

Então partimos para uma segunda parte do filme. A descoberta de uma nova “doença”, assemelhando-se ao que poderiamos chamar de vampirismo. Sang-hyeon adiquire poderes, e necessidade de sangue para manter a doença sobre controle, e ainda aversão ao sol.

Temos então, um filme ligado a outro sentimento tão forte e pesado quando a vingança. A culpa. Tão conhecida pelos cristãos. Para se reforçar isso, o personagem é justamente um padre católico.

No primeiro momento a culpa por ser tão abençoado. Sang-hyeon é filho adotado de um padre, e aculpa por ser escolhido lhe atormenta. A doença também, só ataca brancos como um castigo a tudo que a raça fez contra os negros. E estes, os negros, são os pesquisadores imunes ao virus.

No segundo momento, a culpa por ser o único a se livrar de uma doença rara. O fato de ter se transformado em um vampiro, aparece muito mais como um castigo para aquele padre.


Essa relação de beneficio & castigo é muito forte no filme. Não atoa, a Igreja está muito presente no neste trabalho de Chan-wook, pois a culpa, é algo muito mais ocidenal, representado alí pela Igreja Católica, do que na cultura oriental.

No filme há quebra de um dos mais discutidos dogmas da Igreja. O selibato. E a todo momento, o castigo recai sobre Sang-hyeon. Pois com a quebra do selibato, é a mulher que arruinará sua vida. É a mulher que, assim como Eva, tirará sua paz onde, mesmo com os problemas que tem, tendo se transformado em um vampiro, é ela que lhe trará desgraças e o fará pecar. E junto com o pecado, a culpa que o atormenta e consequêntimente o castigo. Então temos um terceiro elemento de culpa muito presente. O sexo como grande elemento de perdição do personagem.

Acusado por muitos de ser um filme misógeno, Park Chan-wook apenas cria uma fábula em cima fortes dogmas da cultura ocidental.

Com um orçamento de 5 milhões de doláres, este é o primeiro filme Sul-Coreano a ser produzido por Hollywood, a Universal Pictures, aqui no Brasil lançado pela Paris Filmes em plena sexta feira santa, por irônica do destino ou não.

Fotografia bem realizada de Chung Chung-hoon, o roteiro do próprio Park Chan-wook que assina juntamente com Seo-Gyeong, apresenta toques de humor negro, violência e um final tão forte e sádico quanto a crucificação. Diria, que um final tão impressionante quanto visualmente falando.

Curiosa a filmografia do diretor coreano Park Chan-wook, autor da Trilogia da Vingança com os filmes  Mr. Vingança (2002), Oldboy (2003) e Lady Vingança (2005), trantado sempre em seus filmes sobre a exaustão da violência e dos limites humanos.

Na trilogia da vingança, lógico, temos a vingança, esse que é por muitos considerado o pior dos sentimentos humanos, como objeto de ação para todo o filme. Os personagens vivem em função somente desse sentimento. Não havendo limites de crueldade e temporalidade para tal.

Em “Sede de Sangue“, o desejo, e a culpa por esse mesmo desejo, são os sentimentos que impulsionam a ação dos personagens.

Com um orçamento de 5 milhões de doláres, este é o primeiro filme Sul-Coreano a ser produzido por Hollywood, a Universal Pictures, aqui no Brasil lançado pela Paris Filmes em plena sexta feira santa, por irônica do destino ou não.

Fotografia bem realizada de Chung Chung-hoon, o roteiro do próprio Park Chan-wook que assina juntamente com Seo-Gyeong, apresenta toques de humor negro, violência. Além de um final, visualmente tão forte e sádico quanto a crucificação.

Assim como a vingança, no universo de Park Chan-wook, a culpa é outro forte motivador aos gandes movimentos do homem.

Jair Santana

“Instinto Selvagem”, Stephen Endelman

Filme: Instinto Selvagem
Direção: Charles Winkler
Ano: 1992
Música: Basic Instinct – Main Title
Composição:Stephen Endelman
Trilha Sonora do Filme: Stephen Endelman

“Robocop”, Basil Poledouris

Filme: Robocop
Direção: Paul Verhoeven
Ano: 1987
Música: Robocop Theme
Composição: Basil Poledouris
Trilha Sonora do Filme: Basil Poledouris

” A Sunday Smile”, Beirut

Música: A Sunday Smile
Ano: 2007
Composição: Zach Condon
Album: The Flying Club Cup