“Educação”, Lone Scherfig, 2009

Educação

“Educação”, é um filme da diretora dinamarquesa Lone Scherfig, com roteiro de Nick Hornby, de “Alta Fidelidade”, e baseado nas memórias de Lynn Barber. Aparentemente uma historia simples, mas que tem mais nas entrelinhas do que realmente aparenta.

Jenny Carey (Carey Mulligan) tem 16 anos e vive com a família no subúrbio londrino em 1961. Inteligente e bela, sofre com o tédio de sua adolescencia. Seus pais alimentam o sonho de que ela vá estudar em Oxford, e ela corresponde a vontade dos pais, apesar de ser atraída por algo maior que isso. Quando conhece David (Peter Sarsgaard), homem charmoso e cosmopolita de trinta e poucos anos, vê um mundo novo se abrir diante de si. Ele a leva a concertos de música clássica, a leilões de arte, e a faz descobrir o glamour da noite, deixando-a em um dilema entre a educação formal e o aprendizado da vida.

E é aí a grande questão do filme. Que tipo de “educação” seria a melhor, a mais válida? Existe realmente uma melhor e uma pior? Dentro desse questionamento, que é o principal e que aparentemente está em segundo plano, temos o romance, a historia de amor.

Jenny juntamente com sua familia, até então, tem como foco principal estudar para conseguir uma bolsa na Universidade de Oxford. Jenny tem ânsia pela liberdade, por conhecimento, por cultura,  e esse é o caminho para que ela saia daquela vida comum, e para seus pais, educação é a herança que eles podem deixar para Jenny, visto que são pessoas simples.

Ao conhecer David, Jenny se encanta com o mundo que ele o apresenta. Jenny passa conhecer lugares, a viajar, conhecer pessoas novas, interessantes, ter acesso a coisas que não tinha antes, além de David, ser um homem sagás, esperto, de boa lábia e atraente. David, além de Jenny, consegue conquistar os pais dela também. O pai é severo e caxias com seu planejamento de Jenny ir para Oxford. Alfred Molina está em um ótimo desempenho como o pai da personagem

Mas nem tudo são flores, e nem poderia, ou o filme ficaria sem conflito. Jenny e David viajam juntos, e ela percebe algo estranho em seu comportamento. Percebe algumas atitudes suspeitas em David e os dois discutem. Mas voltam a se entender. Tudo volta a caminhar bem, até a reviravolta final do filme.

Entre a reviravolta amorosa, há atitudes em Jenny que até entã ela nunca havia feito. Ela sente-se mais madura, impõe suas vontades, argumenta com sua professora, com seus pais e com sua diretora. Uma ótima participação de Emma Thompson. Mas ao final, há também a redenção de Jenny. Mas agora ela já não é apenas uma garotinha, arca com as consequências e amadurece com tudo que acontece.

O roteiro não é dos mais inovadores. Na verdade, existe uma infinidade de clichês românticos, mas que são importantes para a construção do filme. A conclusão não é um veredito, mas uma forma encontrada por Jenny para resolver a sua vida.

Interessante observar a cena em que Jenny visita sua professora e ao vêr sua casa, se emociona em estar de frente da historia de vida da professora. Diferente do que se aprende com os livros, uma frase define Jenny: “Ação define o carater, se não fizermos algo, nunca seremos ninguem”. Dentro desse pensamento ela busca sua felicidade.

A direção de arte e o figurino são muito bem cuidados. As interpretações são o ponto forte do filme. Jenny, Carey Mulligan, faz muito bem a garotinha que se apaixona, sofre e amadurece ao decorrer do filme. Foi indicada à vários prêmios, inclusive o Oscar.

O filme não é óbvio e nem tão rasteiro como pode parecer a uma primeira vista. Por isso é bom prestar atenção no que de fato se discute durante seus 95 minutos. Não é o melhor filme do ano, mas é um filme, sobre amores e conhecimentos, sobre amadurecimento, que deve ser visto com atenção.

Jair Santana

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