“Onde Vivem os Monstros”, Spike Jonze, 2009

Onde Vivem os Monstros

“Onde Vivem os Monstros”, novo filme do diretor Spike Jonze, de “Quero Ser John Malkovich” é uma das mais bonitas fábulas realizadas pelo cinema recente, sobre o imaginário infantil. Adapitado do livro de Maurice Sendak, foi o próprio Maurice que indicou o nome de Jonze para direção do filme, que é produzido por, entre outros nomes, o próprio Maurice e Tom Hanks.

O filme conta a historia de Max (Max Records) um garoto comum, desses que anda fantasiado o dia todo,  corre de um lado pro outro. etc. Fantasiado de lobo, faz malcriações com sua mãe (Catherine Keener) por ciúme devido à presença de um amigo dela (Mark Ruffalo). Ele é mandado então para seu quarto sem janta. Revoltado, Max resolve fugir da casa e usa a imaginação para criar uma misteriosa ilha, para onde vai de barco. Lá ele encontra vários monstros, que vivem em bando. Max diz que possui superpoderes, o que faz com que seja nomeado rei do grupo. Responsável por evitar que a tristeza tome conta do lugar, ele passa a criar uma série de jogos para mantê-los em constante diversão.

Temos então dois momentos no filme. A realidade e a fantasia. Em sua realidade, Max é um garoto sozinho. Sua irmã mais velha não lhe dá atenção. Sua mãe, é mais próxima, mas sendo uma mãe solteira, sozinha, é responsável pela administração da casa, tem problemas no trabalho, sua vida amorosa e a educação de dois filhos. Logo, para Max, sobra pouco tempo.

Max, como toda criança, é travessa. Tem brincadeiras sem objetivos. Grita, corre, e tem uma imaginação fértil. Desde o começo do filme, vemos ele criando seus espaços imaginários, como o iglu, que ele cria na frente de casa e o torna como seu lugar especial, depois no próprio quarto, onde cria uma nave, feita de lençois e então, para fugir da realiadade que tanto se impõe, ele foge para uma ilha, depois de uma longa viagem de barco, onde encontra amigos, monstros que lhe farão companhia sempre. Os monstros de sua imaginação, são como enormes bichos de pelúcia.

Na ilha, Max se faz rei, descobre amigos, e tudo aparentemente é como sempre sonhou. As brincadeiras são totalmente infantis. Correr sem rumo, voar, brincar de se sujar, de empurrar um ao outro, brincadeiras sem “finalidade”, brincar de se jogar e se amultuar. Prometer uns aos outros dormir assim, juntos, sempre.

É muito fácil identificar Max com qualquer outra criança. Ele é teimoso, ele é travesso, e acima de tudo é apenas uma criança, que com certeza já vimos essa figura em um filho, um sobrinho ou um vizinho.

A fotografia e os movimentos de câmera são um show a parte. O diretor de fotografia Lance Acord nos aproxima de uma imagem mais documental enquanto Max está em sua realidade, e realmente, de uma fotografia fantasiosa e deslumbrante quando vamos a ilha de sua fantasia.

“Onde Vivem os Monstros” poderia ser uma pergunta, a ser respondida pelo próprio filme. Simplesmente, os monstros vivem, dentro de cada um de nos. E Max descobre isso também. Seus monstros não são perfeitos. Eles tem falhas, tem problemas, são carentes, são tristes, sentem-se sozinhos, como é o próprio Max.

A despedida, um ponto forte no filme, entre Max e Carol, o monstro que ficou mais proximo de Max durante sua estada na ilha, é emocionante. Tão emocionante como a primeira meia hora do filme. O uivo do monstro é como o grito desesperado de uma criança ao sentir saudade. Ao querer os pais por perto, ou alguem que ama. Aquele momento de despedida, é saber, que nunca mais os dois, Max e Carol, se verão, e não resta nada a fazer, se não “uivar” de dor.

Outro ponte forte do filme é a maravilhosa trilha sonora de Carter Burwell e Karen Orzolek. Desde a trilha original até as músicas selecionadas para compor a trilha do filme são lindas. A trilha do filme foi indicada ao Globo de Ouro em 2010.

Spike Jonze aqui, realiza outro filme fabuloso. Com uma direção segura. O filme, emocionante como é, passa longe de ser piegas. Não nos manipula, ou talvez nos manipule sutilmente, e assim, apenas no leva onde quer. Jonze não acatou tanto assim ao próprio estúdio, a Warner queria algo mais facil de digerir, mais familiar. Mas ele não abriu mão do que queria e foi fundo no imaginário infantil, realizando um filme adulto, onde crianças se divertirão com toda certeza. Então, ao contrario do que a Warner críticou ao filme, o filme torna-se mais ainda um filme para um momento familiar completo.

Jair Santana

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