“O Dia Depois de Amanhã”, Harald Kloser

Filme: O Dia Depois de Amanhã
Direção: Roland Emmerch
Ano: 2004
Música: Day After Tomorrow Theme
Composição: Harald Kloser
Trilha Sonora do Filme: Harald Kloser

Henry Mancini, EUA, 1924 – 1994

Henry Mancini

Henry Mancini, nasceu em 16 de abril de 1924 na cidade Cleveland,  filho de pai italiano e mãe americana. Seu pai, um exímio flautista fez com que o jovem Henry logo se interessasse por música, e ele logo começou a tocar flauta e piano. Quando adolescente foi estudar na famosa Juilliard School of Music, em Nova York (em 1942), e mais tarde fez especialização em Música para o Cinema com mestres do porte do compositor italiano Mario Castelnuovo-Tedesco.

Com essa sua proximidade com a música desde de sua infância, Mancini criou um gosto apurado e sofisticado, se tornando um dos mais respeitados, sofisticados e pops compositores de trilhas sonoras da historia do cinema.

Durante a segunda guerra, foi convocado pelo exercito americano, mas dentro do exercito logo conseguiu trocar a infantaria pela banda, que na época era a banda do Capitão Gleen Miller. A banda ja era respeitada, e posteriormente veio obter reconhecimento internacional.

Com o desaparecimento de Gleen Miller durante uma viagem de Londres para Paris, foi Mancini quem assumiu a banda, tornando a banda do exercito, que já tinha se tornado tradicional nas mãos de seu criador, Gleen Miller, a The Gleen Miller Orchestra em 1946.

Ao voltar para os EUA após a gerra, Mancini tocou em alguns bares de jazz em Los Angeles. Com seu currículo, logo conseguiu ser contratado pela Universal City Studios, começou a compor trilhas sonoras, Irônicamente, acabou componto a trilha para o filme, “The Gleen Miller Story”, traduzido aqui como “Música e Lágrimas” em 1954. Ainda na Universal fez trilhas de filmes de terror como “O Monstro da Lagoa Negra” em 56, e o suspense “A Marca da Maldade” de Orson Welles em 1958.

Porém, foi com Moon River, música tema de “Bonequinha de Luxo” de 1961 que realmente Mancini se consagrou como um dos músicos mais bem sucedidos da historia do cinema. A música foi saudada como um clássico instantâneo, se tornando um marco para época, se tornando um novo modelo de acompanhamento sonoro para um filme, onde a tradição sinfonica daria lugar a música moderna, como o jazz.

Mancini agradou à critica e ao público, criando um novo estilo, o sofit-jazz, um jazz com orquestra e coro, que a partir daí se tornaria sua marca registrada, revisitada em vários outros filmes com suas trilhas, como em “Charada”, filme de 1963, do diretor Alfred Hitchocock, onde o tema principal, na versão em coro, se tornou outro grande clássico de sua carreira.

Depois de “Charada”, ainda em 1963 temos então o que seria a mais popular música de sua carreira, e uma das mais populares trilha de cinema de todos os tempos. Seu sucesso definitivo, a trilha do filme “A Pantera Cor de Rosa”, desde o tema principal, com um jazz em várias camadas sonoras, bem humorado ao mesmo tempo sensual, até os temas mais româticos. O soft-jazz estava definitivamente fincado na historia do cinema mundial.

Mancini foi o primeiro, e depois dele, o jazz passou a ser utilizado em trilhas sonoras. Antes, a trilha sonora dos filmes no cinema americano era quase que somente sinfônica. Mesmo que mais flexivel aos padrões mais formais de compositores heruditos.

Temos por exemplo entre os mais conhecidos Max Steiner de “…E O Vento Levou” (1939) e ainda Bernard Herman com “Psicose” (1960), “Um Corpo que Cai” (1959) e “Cidadão Kane” (1941). Trilhas maravilhosas com toda certeza, mais ainda nos tradicionais formatos sinfônicos daquela época.

A partir de Mancini, da entrada do Jazz no cinema, muitos outros compositores passaram a compor tirlhas com mais liberdade sonora. Podemos citar como exemplos Lalo Schifrin de “Missão Impossível”, Bill Conti com os filmes da série “Rocky”, Giorgio Moroder de “Expresso da Meia Noite”, Alan Silvestri de “De Volta Para o Futuro” e “Forest Gump”, entre outros, todos esses foram descendentes diretos de Henry Mancini.

Curiosamente, Mancini também compôs algumas músicas para um dos maiores sucessos da animação infantil de todos da historia. O desenho Snoopy, exibido até hoje por emissoras de TV do mundo todo, tem algumas composições de Mancini. Como a música “Linus and Lucy” entre outras.

Fora sua viagem para o exterior durante a 2° Guerra, Mancini nunca morou fora dos EUA. Conheceu sua esposa logo após voltar da guerra. Ele era pianista da banda “Tex Beneke” e ela, Ginny O’Connor, foi para uma audição. Os dois se casaram e tiveram três filhos: Christopher e as gêmeas Felice e Monica.

Desde sua infância, Henry Mancini se dedicou a música e a arte. Ao estudo, a divulgação e também ao ensino da melhor música popular. Faleceu em 1994 aos setenta anos em decorrência de um câncer, em Bervely Hills, distrito de Los Angeles, na California.

Logo dois anos depois, em 1996, foi fundado na California, o Henry Manicni Institute, para a manutenção do ensino da Música, com o qual o grande compositor e maestro se dedicou durante sua vida. Porém, tristemente, o Henry Mancini Institute fechou suas portas em 2000, por falta de apoio e verba para continuação dos trabalhos.

Jair Santana

“Jurassic Park”, John Williams

Filme: Jurassic Park
Direção: Steven Spielberg
Ano: 1997
Musica: Jurassic Park Theme
Composição: John Williams
Trilha Sonora do Filme: John Williams

“Ele Não Está Tão Afim de Você”, Ken Kwapis, 2009

Ele Não Esta Tão Afim de Você

“Ele Não Está Tão Afim de Você”, filme do diretor de comédias Ken Kwapis ( Ele disse, Ela Disse), não é tão bobo quanto pode parecer a uma primeira vista, principalmente quando pensamos em uma comédia romantica de Hollywood, ainda com um elenco jovem e bonito, onde esse parece ser o principal atrativo do filme.

O roteiro de Abby Kohn e Marc Silverstein, baseado em livro de Greg Behrendt e Liz Tuccillo, que também já serviu de inspiração para um m episódio da série de TV  “Sex and the City”, fala de ilusões e desilusões amorosas, no cotidiano de vários relacionamentos, e ainda de diferentes formas de amor e como cada um dos personagens trata isso na sua vida.

Por ser uma comédia, não se aprofunda muito nos casos, pois assim não dramatiza demais, mas mostra, algumas vezes sutilmente e outras até com certo exagero, como funciona por exemplo, a paquera, o casamento, e mesmo a relação entre amantes.

Com nomes fortes como Jennifer Aniston, Jennifer Connelly, Ben Affleck, Drew Barrymore e Scarlett Johansson, o filme já torna o filme uma grande atração. Apesar do grande número de personagens, o filme, até por esse elenco de caras tão conhecidas, não chega a ser confuso, com os personagens entrelaçados.

Geralmente as comédias româticas são voltadas para o público feminino, e aqui não é diferente. Porém aqui, teremos um diferencial. A vóz masculina nas relações. Alex, (Justin Long) é quem ajuda a mocinha do filme, e abre os olhos de como as coisas funcionam no mundo masculino. Isso faz com que o público masculino se aproxime do filme, algo não tão comum de acontecer em filmes do estilo.

Vale a pena então assistir sem compromisso de achar que vai ver alí uma bela obra prima, mas sim um filme divertido e que não subestima sua inteligência.

Indico para quem achava que não existia mais vida inteligente enrta as comédias românticas. Não deixa de ser comédia e nem romântica. Mas agora, não é somente um amor impossibilitado porque um é rico o outro pobre, ou um famoso o outro não. Aqui se pensou mais de uma semana no roteiro.

Jair Satana

“Ratatouille”, Michael Giacchino

Filme: Ratatouille
Direção: Brad Bird
Ano: 2007
Musica: Ratatouille Theme
Composição: Michael Giacchino
Trilha Sonora do Filme: Michael Giacchino

“Presságio”, Alex Proyas, 2009

Presságio

Alex Proyas, diretor de filmes de ficção como “Eu Robô” e “Cidade das Sombras” volta ao cinema com uma superprodução do cinema catástrofe.

“Presságio” tem uma ótima premissa. O filme começa no final da década de 50, com alunos preparando uma capsula do tempo feitas para serem abertas 50 anos depois. Um deles, feito por uma garota, traz uma série de números aleatórios, que ela alega terem sido ditos por alguém que não vê. A cápsula é aberta e esses números  chegam às mãos de Caleb Koestler (Chandler Canterbury). O pai dele, o professor de astrofísica John Koestler (Nicolas Cage), percebe que trata-se de uma mensagem codificada que prediz as datas e os números de mortos de cada uma das grandes tragédias ocorridas nos últimos 50 anos. John passa a investigar melhor o desenho e descobre que ele prevê mais três catástrofes ainda não ocorridas, a última delas de proporções globais.

Boa premissa mas finalização ruim. O filme apresenta bons efeitos, bons trabalhos de interpretação, um bom roteiro inicial mas acaba se perdendo no final da historia.

A mistura de elementos, misticismo e ficção, parece empolgar o diretor. Contudo, em determinado momento o filme se perde, pula de um drama familiar pra uma ação frenética e de repente para um filme fantasia. O roteiro tem boa premissa, mas parece meio solto em suas explicações, preocupando-se mais com situações que podem vislumbrar o espectador.

Certo que um filme não tem que ser totalmente mastigado e explicativo ao espectador, ainda mais sendo um filme de suspense, ficção, mas o filme tem sim, que apresentar consistência em suas abordagens e colocações, ou seja, tem que ser verossímil mesmo que dentro da realidade criada pelo próprio filme.

Ainda com esse problema do roteiro, que se apresenta principalmente no final, onde os roteiristas parece que ficaram com preguiça de terminar a historia, o filme prende e surpreende.

Como falei, o final tem grandes problemas, mas também uma grande qualidade. É surpreende. Não é um final esperado, e dificil de dizer se é um final feliz ou não.

A música de Marco Beltrami apresenta certo clima, mas o melhor é a ultilização da Sinfonia nº. 7 de Beethoven em um clima apocalíptico.

Outro ponto positivo do filme são as cenas de ação. As cenas do acidente aéreo e do acidente do metro são muito bem feitas, provando que Proyas e sua equipe técnica sabem como fazer boas cenas de ação. Percebe-se o cuidado de produção e o realismo das cenas é impressionante.O pânico, o horror dos acidentes são passados com uma realidade que assusta e angustia.

Técnicamente, é muito bem realizado, afinal é uma produção de 50 milhões de dólares, mas o roteiro realmente peca. Principalmente no seu desfeixo, que parece apelar em resolver tuda a trsma nos ultimos minutos. E o que poderia ser uma grande surpresa, na verdade se torna uma grande frustração.

Mas ainda assim, o filme diverte, prende atenção, nos deixa ansioso. Pena que realmente o fina, acaba nos decepcionando. Pena mesmo.

Jair Santana

“Simplesmente Complicado”, Nancy Meyers, 2009

 

Simplesmente Complicado

“Simplesmente Complicado”, novo filme da diretora Nancy Meyers, é um filme simples quando damos uma primeira vista. Mais uma comédia romântica “fofa”, muito comum em Hollywood. Mas quando damos uma olhada no elenco, e principalmente, na idade desse elenco, percebemos a grande diferença.

Em vez de jovens atores com rostos e corpos maravilhosos, vemos os cinquentões/sessentões como Meryl, Alec Baldwin e Steve Martin. Aí então vamos ter, com certeza, outro tipo de comédia romântica.

Porém, a formula é a mesma, encontros e desencontros amorosos, o que teremos de diferente serão os motivos desses encontros edesencontros, os problemas e as situações em que tudo acontece.

Vamos então ao roteiro, que é também de Nancy Meyers. Temos no filme a historia de Jane, que foi casada 20 anos com Jake, a qual está separada a 10 anos. Os dois tem três filhos frutos do casamento, o mais novo está se formando, e nessa formatura, que é fora da cidade, ela acabada tendo oque chamamos de “flashback” com o marido. Ou seja, uma recaida e os dois acabam na cama.

Nancy Meyers conversa com um público bem específico. Assim como em seu filme “Alguem Tem que Ceder”, o foco são relações amorosas de pessoas maduras da faixa de 50, e novamente também, a mulher é disputada por dois homens. Poderiamos então achar que seus roteiros tem uma visão feminista, se não colocassemos a escolha de um dos homens como a felicidade dessa mulher.

Seu público em geral é esse, composta por pessoas de meia idade, de 40 pra cima, que se enxergam em situações parecidas. Mas não podemos limitar tanto assim claro. Sempre se terá uma mãe ou tia em situação parecida, ou mesmo alguem de 30 anos hoje, pode ter vivido anos casado e estar divorciado, enfim, Nancy Meyers gosta de conversar com pessoas vivídas, experientes e que mesmo assim, se veêm em atrapalhadas amorosas.

E também mostrar, para o público mais novo, que seus pais, vão pra cama, sentem desejo, angustias e se apaxionam, como qualquer outra pessoa.

O filme concorreu ao Globo de Ouro de melhor roteiro. Sim, o roteiro é bom, mas achei a indicação um pouco demais. Como falei, é uma comédia romantica como as outras, com personagens de idades diferentes. Logo, com problemas diferentes. Só isso.

Boas interpretações, mas nada que surpreenda. Meryl Streep foi indicada ao Globo de Ouro e Alec Baldwin ao Bafta. O que também acho um exagero para ambos. Mesmo para Meryl que está sempre boa em seus papeis. Steve Martin as vezes parece destoar do filme, com seus exageros de sempre. Claro que isso é direção. Mas a verdade é que nem um personagem é forte o suficiente para uma indicação a prêmio.

Fotografia de John Toll, que já filmou com Coppola e Terrence Malick, está corretinha mas sem grandes tomadas ou vislumbres, assim como a música de Heitor Pereira e Hans Zimmer, ora emocionante ora divertida, é correta mas nada incrível. Heitor Pereira por sinal é um músico brasileiro e Hans Zimmer é um dos compsitores mais presentes no atual cinema americano.

“Simplesmente Complicado” é um filme honesto. Cumpre com aquilo que promete. Divertir de forma inteligente, não tratando o público de forma rasteira, mas sem se levar muito a sério. Levanta boas questões e nos faz dar boas risadas.

Jair Santana

“Onde Vivem os Monstros”, Carter Burwell e Karen Orzolek

Filme:  Onde Vivem os Monstros
Direção: Spike Jonze
Ano: 2009
Trilha Sonora: Carter Burwell e Karen Orzolek
Música: Wake Up
Compositor: The Arcade Fire + Lyrics

“Avatar”, James Horner

Filme: Avatar
Direção: James Cameron
Ano: 2009
Trilha Sonora: James Horner
Música: Avatar Trailer Music
Compositor: James Honer

“Pecado da Carne”, Haim Tabakman, 2009

Pecado da Carne

“Pecado da Carne” é um filme forte, emocionante, apesar de  em alguns momentos parecer bem frio,  e é também coerente com tudo que conta. Aaron Fleishman, interpretado aqui pelo ator Zohar Strauss, é um chefe de familia, pai de quatro filhos que acaba de herdar do pai, um tradicional açougue kasher em um bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém. Aaron tem uma vida regrada, equilibrada e monótona. Parece indiferente a tudo e tem dificuldade em lidar com certas  emoções.

Logo tudo começa a mudar, com a chegada de um rapaz de fora da cidade ao bairro, que pede emprego em seu açougue. O jovem Ezri, o ator Ran Danker, chega alí atrás de um antigo relacionamento e acaba sendo abandonado. Sem muitas perguntas e até com certa rejeição inicial, Aaron demora a aceitar que o jovem trabalhe com ele no açougue.

Aqui então começa realmente o filme. Aaron e Ezri lentamente começam a se aproximar, até essa aproximação se tornar um caso amoroso, que com o passar do tempo, eles não conseguem esconder dos demais.

“Pecado da Carne” é um filme cheio de simbolísmos, com imagens fortes e por vezes pouco obvias, como a cena em que os dois, já como amantes e com seu caso comentado em todo o bairro, conversam na frente do açougue, com certa tensão sexual e ao passar um carro na rua, vemos em seu reflexo, os olhos atentos de  toda comunidade observando aquela conversa. Mostrando alí, que eles já não se importam em esconder o que sentem um pelo outro.

 

 

Ameaças dos membros da comunidade na vida dos dois e o comportamente contido da esposa de Aaron são comoventes. Pessoas que nada tem realmente haver com a vida daqueles dois se mostram mais incomodados que as pessoas próximas. O comportamente que cada um tem em frente a essa situação é muito bem conduzido pelo diretor.

Mas o filme não mantem um bom ritmo do inicio ao fim. A parte inicial é um pouco lenta, com a apresentação de seu personagem até um pouco confusa, e toma força mesmo a partir do segundo ato, com o mergulho de Aaron na fonte, que por sinal é outro momento hiper simbólico do filme.

A luta do próprio personagem contra sua natureza é angustiante. Criado em uma comunidade ortodoxa e sendo estudioso da sua religião, ele luta constantemente contra sua vontade carnal. Aí está o nome do título do filme, que mesmo não sendo o título original, dessa vez, os tradutores por aqui parecem ter acertado.

Para surpresa, e até mesmo para ser novamente, menos obvio, o diretor Haim Tabakman nos leva a um final mais próximo daquela realidade. Nada feliz e nada tão trágico, pelo menos até um primeiro entendimento. O final não nos é mastigado, e pode ser avaliado de várias formas.

A fotografia de Axel Schneppat é fria e aparentemente pouco “caprichada”. Mas podemos colocar isso como uma opção do diretor, que mostra o quanto morna é a vida dentro daquela comunidade. E essa fotografia pouco caprichada é compensada por uma direção segura e uma decupagem coerente.

“Pecado da Carne” é um filme com uma temática “gay”, que podemos dizer, que pouco se produz ainda hoje. Um bom filme com essa temática, e  que podemos dizer, que  ultrassa somente essa classificação. Fala de auto-aceitação, de preconceitos, de descobertas e da vida em comunidades tão repressoras.

É um filme pra ser visto por todos, por mais que muitos, se sentirão incomodados por se verem no que há de pior que o filme mostra. A não aceitação da diferença.

Jair Santana

“Educação”, Lone Scherfig, 2009

Educação

“Educação”, é um filme da diretora dinamarquesa Lone Scherfig, com roteiro de Nick Hornby, de “Alta Fidelidade”, e baseado nas memórias de Lynn Barber. Aparentemente uma historia simples, mas que tem mais nas entrelinhas do que realmente aparenta.

Jenny Carey (Carey Mulligan) tem 16 anos e vive com a família no subúrbio londrino em 1961. Inteligente e bela, sofre com o tédio de sua adolescencia. Seus pais alimentam o sonho de que ela vá estudar em Oxford, e ela corresponde a vontade dos pais, apesar de ser atraída por algo maior que isso. Quando conhece David (Peter Sarsgaard), homem charmoso e cosmopolita de trinta e poucos anos, vê um mundo novo se abrir diante de si. Ele a leva a concertos de música clássica, a leilões de arte, e a faz descobrir o glamour da noite, deixando-a em um dilema entre a educação formal e o aprendizado da vida.

E é aí a grande questão do filme. Que tipo de “educação” seria a melhor, a mais válida? Existe realmente uma melhor e uma pior? Dentro desse questionamento, que é o principal e que aparentemente está em segundo plano, temos o romance, a historia de amor.

Jenny juntamente com sua familia, até então, tem como foco principal estudar para conseguir uma bolsa na Universidade de Oxford. Jenny tem ânsia pela liberdade, por conhecimento, por cultura,  e esse é o caminho para que ela saia daquela vida comum, e para seus pais, educação é a herança que eles podem deixar para Jenny, visto que são pessoas simples.

Ao conhecer David, Jenny se encanta com o mundo que ele o apresenta. Jenny passa conhecer lugares, a viajar, conhecer pessoas novas, interessantes, ter acesso a coisas que não tinha antes, além de David, ser um homem sagás, esperto, de boa lábia e atraente. David, além de Jenny, consegue conquistar os pais dela também. O pai é severo e caxias com seu planejamento de Jenny ir para Oxford. Alfred Molina está em um ótimo desempenho como o pai da personagem

Mas nem tudo são flores, e nem poderia, ou o filme ficaria sem conflito. Jenny e David viajam juntos, e ela percebe algo estranho em seu comportamento. Percebe algumas atitudes suspeitas em David e os dois discutem. Mas voltam a se entender. Tudo volta a caminhar bem, até a reviravolta final do filme.

Entre a reviravolta amorosa, há atitudes em Jenny que até entã ela nunca havia feito. Ela sente-se mais madura, impõe suas vontades, argumenta com sua professora, com seus pais e com sua diretora. Uma ótima participação de Emma Thompson. Mas ao final, há também a redenção de Jenny. Mas agora ela já não é apenas uma garotinha, arca com as consequências e amadurece com tudo que acontece.

O roteiro não é dos mais inovadores. Na verdade, existe uma infinidade de clichês românticos, mas que são importantes para a construção do filme. A conclusão não é um veredito, mas uma forma encontrada por Jenny para resolver a sua vida.

Interessante observar a cena em que Jenny visita sua professora e ao vêr sua casa, se emociona em estar de frente da historia de vida da professora. Diferente do que se aprende com os livros, uma frase define Jenny: “Ação define o carater, se não fizermos algo, nunca seremos ninguem”. Dentro desse pensamento ela busca sua felicidade.

A direção de arte e o figurino são muito bem cuidados. As interpretações são o ponto forte do filme. Jenny, Carey Mulligan, faz muito bem a garotinha que se apaixona, sofre e amadurece ao decorrer do filme. Foi indicada à vários prêmios, inclusive o Oscar.

O filme não é óbvio e nem tão rasteiro como pode parecer a uma primeira vista. Por isso é bom prestar atenção no que de fato se discute durante seus 95 minutos. Não é o melhor filme do ano, mas é um filme, sobre amores e conhecimentos, sobre amadurecimento, que deve ser visto com atenção.

Jair Santana

“Onde Vivem os Monstros”, Spike Jonze, 2009

Onde Vivem os Monstros

“Onde Vivem os Monstros”, novo filme do diretor Spike Jonze, de “Quero Ser John Malkovich” é uma das mais bonitas fábulas realizadas pelo cinema recente, sobre o imaginário infantil. Adapitado do livro de Maurice Sendak, foi o próprio Maurice que indicou o nome de Jonze para direção do filme, que é produzido por, entre outros nomes, o próprio Maurice e Tom Hanks.

O filme conta a historia de Max (Max Records) um garoto comum, desses que anda fantasiado o dia todo,  corre de um lado pro outro. etc. Fantasiado de lobo, faz malcriações com sua mãe (Catherine Keener) por ciúme devido à presença de um amigo dela (Mark Ruffalo). Ele é mandado então para seu quarto sem janta. Revoltado, Max resolve fugir da casa e usa a imaginação para criar uma misteriosa ilha, para onde vai de barco. Lá ele encontra vários monstros, que vivem em bando. Max diz que possui superpoderes, o que faz com que seja nomeado rei do grupo. Responsável por evitar que a tristeza tome conta do lugar, ele passa a criar uma série de jogos para mantê-los em constante diversão.

Temos então dois momentos no filme. A realidade e a fantasia. Em sua realidade, Max é um garoto sozinho. Sua irmã mais velha não lhe dá atenção. Sua mãe, é mais próxima, mas sendo uma mãe solteira, sozinha, é responsável pela administração da casa, tem problemas no trabalho, sua vida amorosa e a educação de dois filhos. Logo, para Max, sobra pouco tempo.

Max, como toda criança, é travessa. Tem brincadeiras sem objetivos. Grita, corre, e tem uma imaginação fértil. Desde o começo do filme, vemos ele criando seus espaços imaginários, como o iglu, que ele cria na frente de casa e o torna como seu lugar especial, depois no próprio quarto, onde cria uma nave, feita de lençois e então, para fugir da realiadade que tanto se impõe, ele foge para uma ilha, depois de uma longa viagem de barco, onde encontra amigos, monstros que lhe farão companhia sempre. Os monstros de sua imaginação, são como enormes bichos de pelúcia.

Na ilha, Max se faz rei, descobre amigos, e tudo aparentemente é como sempre sonhou. As brincadeiras são totalmente infantis. Correr sem rumo, voar, brincar de se sujar, de empurrar um ao outro, brincadeiras sem “finalidade”, brincar de se jogar e se amultuar. Prometer uns aos outros dormir assim, juntos, sempre.

É muito fácil identificar Max com qualquer outra criança. Ele é teimoso, ele é travesso, e acima de tudo é apenas uma criança, que com certeza já vimos essa figura em um filho, um sobrinho ou um vizinho.

A fotografia e os movimentos de câmera são um show a parte. O diretor de fotografia Lance Acord nos aproxima de uma imagem mais documental enquanto Max está em sua realidade, e realmente, de uma fotografia fantasiosa e deslumbrante quando vamos a ilha de sua fantasia.

“Onde Vivem os Monstros” poderia ser uma pergunta, a ser respondida pelo próprio filme. Simplesmente, os monstros vivem, dentro de cada um de nos. E Max descobre isso também. Seus monstros não são perfeitos. Eles tem falhas, tem problemas, são carentes, são tristes, sentem-se sozinhos, como é o próprio Max.

A despedida, um ponto forte no filme, entre Max e Carol, o monstro que ficou mais proximo de Max durante sua estada na ilha, é emocionante. Tão emocionante como a primeira meia hora do filme. O uivo do monstro é como o grito desesperado de uma criança ao sentir saudade. Ao querer os pais por perto, ou alguem que ama. Aquele momento de despedida, é saber, que nunca mais os dois, Max e Carol, se verão, e não resta nada a fazer, se não “uivar” de dor.

Outro ponte forte do filme é a maravilhosa trilha sonora de Carter Burwell e Karen Orzolek. Desde a trilha original até as músicas selecionadas para compor a trilha do filme são lindas. A trilha do filme foi indicada ao Globo de Ouro em 2010.

Spike Jonze aqui, realiza outro filme fabuloso. Com uma direção segura. O filme, emocionante como é, passa longe de ser piegas. Não nos manipula, ou talvez nos manipule sutilmente, e assim, apenas no leva onde quer. Jonze não acatou tanto assim ao próprio estúdio, a Warner queria algo mais facil de digerir, mais familiar. Mas ele não abriu mão do que queria e foi fundo no imaginário infantil, realizando um filme adulto, onde crianças se divertirão com toda certeza. Então, ao contrario do que a Warner críticou ao filme, o filme torna-se mais ainda um filme para um momento familiar completo.

Jair Santana

“Caos Calmo”, Paolo Buonvino

Filme: Caos Calmo
Direção: Antonello Grimaldi
Ano: 2008
Trilha Sonora: Paolo Buonvino
Música: Caos Calmo Theme
Compositor: Paolo Buonvino