“O Segredo dos Seus Olhos”, Federico Jusid e Emilio Kauderer

Filme: O Segredo dos Seus Olhos
Direção: Juan José Campanella
Ano: 2009
Trilha Sonora: Federico Jusid e Emilio Kauderer
Música: Estación Retiro
Compositor: Federico Jusid e Emilio Kauderer

“O Segredo de Brokeback Mountain”, Ang Lee, 2005

O Segredo de Brokeback Mountain

Mais que um filme de temática gay, como alguns tentam julgar, “O Segredo de Brokeback Mountain” é um filme forte, sensível, de emoções contidas ao mesmo tempo que profundas. Um filme sobre o amor, mais que proibido, contido.

Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennie Del Mar (Heath Ledger) são dois jovens que se conhecem no verão de 1963, após serem contratados para cuidar de ovelhas em Brokeback Mountain. Inesperadamente, esses dois cowboys, símbolo maior da masculinidade americana, são pegos por um sentimento incontrolável e avassalador. A paixão. Paixão essa que não pode sair dos limites de Brokeback.

O filme ronda então em torno desse lugar. Os sentimentos expostos ficam pelos arredores da montanha que se torna o paraiso, ou melhor, o limbo desses dois protagonistas. Lá, somente lá, eles tem um ao outro e podem ficar como querem.

Situação, época, lugar e historia de vida dos personagens justificam cada passo dado por eles. Ennie Del Mar é o mais contido e o que reluta mais por seu sentimento, e que em apenas um minuto, esplode, chora, grita a culpa pelo que sente por Jack. Ja Jack Twist é mais decidido, sonha em apenas viver uma historia real com seu amante. Pensa apenas em ser feliz ao lado deste, que é a paixão de sua vida inteira. Como não é possível, durante mais de 20 anos, os dois vivem apenas algumas semanas por ano pelos arredores da montanha Brokeback.

O roteiro do filme, poderia de dizer, que é apenas uma historia de amor proibido. Porém passa disso. Não proibido, mas acima de tudo, um amor auto-repressivo. Mais que não poder viver esse amor, os protagonistas lutam contra. Os dois se casam, tem filhos e filhas, mas o lugar reservado aos dois continua lá. Os personagens coadjuvante, mas não menos importantes de suas mulheres, Alma ( Michelle Willians) e Lureen (Anne Hathaway) lutam, não assumidamente, contra essa verdade que é a paixão entre os dois amigos.

A belíssima fotografia de Rodrigo Prieto é fria, morna como a relação dos dois.Nunca explode em cores fortes, como a paixão deles que parece nunca se concretizar. Perfeita então ao que o filme propõe. Sem muitas sombras, sem muitos contrastes, apenas morno. Como seus casamentos, como suas vidas.

A direção de Ang Lee é segura. Sem muitas firulas, sem cenas grandiosas ou planos fantásticos que chamem mais atenção do que realmente precisa ser mostrado. E por isso, tor-se mais forte e mais perfeita ainda. Pois nessa historia, não cabe muita grandiosidade de cenas, e sim apenas, capitar suas angustas, frustrações, alegrias e a busca pela felicidade, com todas suas limitações.

Interpretações memóráveis principalmente de Heath Ledger, Jake Gyllenhaal e de Michelle Williams. Michelle Williams por sinal, como Alma, tem um dos personagem dos mais marcantes do filme. O eleco foi indicado a vários premios, como Oscar, Bafta, Globo de Ouro entre outros.

Outro ponto fortissímo no filme é a trilha sonora belíssima de Gustavo Santaolalla. Esta, também vencedoras de vários prêmios, a música aqui, tem uma força narritiva impressionante. Entra em diversos momentos como um terceiro personagem da historia, marcando os momentos mais emocioantes.

É um filme bem realizado, com bom roteiro, elenco, música e fotografia. Ang Lee, assim como o recente “Desejo e Perigo” sabe trabalhar bem com paixões fortes e dificeis de se concretizarem.

“AVATAR”, James Cameron, 2009

 

AVATAR

 

Depois de 12 anos de espera, o diretor James Cameron volta ao cinema com “Avatar”, um filme mais caro que o seu último mega blockbuster “Titanic”, o filme que até então tinha sido o filme que mais arrecadou bilheteria na historia do cinema.

Mas então Cameron nos apresenta “Avatar”, filme que em versão 3D IMAX, foi sucesso de público e super elogiada pela crítica especializada no mundo todo. Chegando sua bilheteria, surpreendentemente, a ultrapassar “Titanic”, a ultrapassar os 2 bilhões de dólares de arrecadação somente no cinema.

No filme, que Cameron se dedicou a realizar esses 12 anos sem lançamento, entre tecnologías de câmera, de efeitos visuais e sonoros, pesquisa de criação de plantas e seres que jamais imaginamos, pois “Avatar” se passa em um furturo não identificado em uma lua chamada Pandora. O diretor realmente nos faz ficar “boquiaberto”s com o planeta que criou.

Fala-se em diversas críticas, que o personagem Jack (Leonardo DiCaprio) em “Titanic” quando gritou “Eu sou o rei do mundo” era apenas uma prenúncia do que é Cameron hoje no cinema. Criou um mundo pra ele, e dividiu isso com todos nos.

Avatar” revoluciona o cinema em termos de técnica. Dentro de um roteiro básico e clássico. O heroi é literalmente CONVOCADO a sair de seu mundo normal e particular, mesmo sem querer, para entrar num mundo especial. E aqui, esse mundo, a lua de Pandora, mais que especial.


A historia se passa nessa Lua, que é rica em um mínério mega precioso, mas não muito bem explicado sua utilidade. O ser humano quer esse minério, mas o planeta é habitado por seres muito ligados a natureza, os Na´vis, que dificultam a extração.

Jake Sully (Sam Worthington) é um fuzileiro naval paraplégico que é convocado a realizar um trabalho, graças a morte de seu irmão, e lá se vê em situações nunca por ele imaginada. Avatar, é o nome que se dá a um trabalho de pesquisa ciêntifica, no qual o ser humano pode entrar no corpo de um Na´Vi.

O roteiro, assim como “Titanic” tem todos os elementos para ser um sucesso. Agrada meninos, com muita ação e efeitos especiais espetaculares, e meninas, com muito romance e sensibilidade. Não surpreende, mas cunpre com que deseja. E é oportuno ao nosso momento atual, sua principal mensagem é pró-ecológica. Além de retratar a ignorância dos povos colonizadores, não somente como aconteceu em outrora com as Américas, mas o que os EUA fazem hoje em paises que tem minérios, petróleo que acabam valendo mais que o planeta e as pessoas.

Na verdade, o maior problema do filme, mesmo sem grandes falhas, é o próprio roteiro. Que em algumas horas se sabota, denunciando o final do filme. Algumas situações deveriam ser colocadas de maneiras diferentes, ou mesmo retiradas para não comprometer o que poderia vir a ser uma surpresa final.

Se decepicionarão aqueles que querem ver o 3D interagir com o público. E sim, o filme poderia ter mais essa interação. Cameron não foi em busca desse tipo de brincadeira com o público. O uso de sua tecnologia 3D foi para dar mais realidade ao seu planeta, dar camadas de profundidade, e não para criar brincadeiras com o público.

Boas interpretações do elenco principal, mas nada surpreendente. Um direção de arte impecável, boa trilha sonora de James Horner que cabe perfeitamente ao clima do filme.Um a música comclima etnico e emocionante.

Roteiro clássico e uma tecnologia e efeitos jamais vistos, fazem de “Avatar” sim, um filme encantador, que com certeza abrirá caminho para outros filmes.

Jair Santana

“Falsa Baiana”, Roberta Sá

Música: Falsa Baiana
Ano: 1944
Composição: Geraldo Pereira
Interprete: Roberta Sá

“A Vida dos Outros”, Stéphane Moucha e Gabriel Yared

Filme: A Vida dos Outros
Direção: Florian Henckel von Donnersmarck
Ano: 2006
Trilha Sonora: Stéphane Moucha e Gabriel Yared
Música: Das Leben Der Anderen
Compositor: Stéphane Moucha e Gabriel Yared

“O Segredo Dos Seus Olhos”, Juan José Campanella, 2009

O Segredo dos Seus Olhos

O Segredo dos Seus Olhos” é o sétimo longa-metragem do diretor argentino, e o segundo a concorrer ao mais popular prêmio do cinema mundial, o Oscar. Ganhou também o Goya de melhor filme Hispano-Americano e de Atriz Revelação para Soledad Villamil.

O roteiro, baseado no romance de Eduardo Sacheri é adaptado pelo próprio Campenella juntamente com Eduardo Sacheri. A dupla adptou o ramance para um roteiro agil, com dialógos inteligente e de uma semsibilidade impar.

Mais que “seus olhos”, mais que um único olhar, o filme fala de diferentes formas de olhar uma mesma situação. Fala do quantos os olhos, os nossos olhos, os nossos olhares, são reveladores e o quanto falam de cada um. Foram esses olhares que ajudam a Expósito identificar o amor de um outro homem por uma mulher. em outro lhe mostrou a obsessão e em si, lhe revelou a paixão.

O roteiro conta a historia de Benjamín Expósito (Ricardo Darin), que trabalhou a vida toda numa Corte Penal Argentina. Agora que está aposentado, decidiu escrever um romance para ocupar as horas livres. Resolve então transcrever uma trágédia ocorrida no ano de 1974, quando ele foi incumbido de investigar o estupro seguido de assassinato de uma jovem e bela mulher. Historia essa que mexeu com sua vida particular, principalmente com sua relação com sua chefe Irene (Soledad Villamil ) e seu melhor amigo Sandoval (Pablo Sandoval). Passados 30 anos, Benjamín agora vê a oportunidade de resolver o crime jamais solucionado e também sua vida, através de seu livro.

Com momentos de forte tensão, suspense, o filme também é divertido e delicado. Essa mistura de policial, trama política, vingança e no meio de tudo isso uma sensível historia de amor é arriscada, mas muito acertada em seu roteiro. Campanella cria personagens reais, personagens que parecem pessoas comuns, como seus amigos, como colegas de trabalho, e essa é uma grande arma de seus filmes.

A trama de suspense, que é o embasamento do filme, é muito bem criada, com idas e vindas que mexem com o espectador, que se misturam em momentos de revolta e de êxtase. A injúria contra a justiça legal é um dos pontos fortes do filme.

 


O filme tem uma curiosa mistura de trama polícial, suspense, romance e muitas tiradas engraçadas. Algo arriscado, que vemos em filmes principalmente do mestre Alfred Hitchcock, como em “O Terceiro Tiro” e muitos outros filmes do mestre do suspense.

Em segundo plano, mas não com menos importância está a relação afetida de Expósito com seu melhor amigo, Sandoval, e a paixão que nutre durante toda sua vida por sua chefe Irene.

Nesse ponto, o personagem não consegue lidar com seus sentimentos, e se priva de arriscar, pensa e repensa sua vida, pensa e repensa sobre como agir, e pouco faz até conseguir resolver isso tudo ao escrever seu livro.

Pontos fortes do filme, além da direção, roteiro e montagem de Campanella, são princpalmente o carisma e a realidade de interpretações dos atores. a ótima maquiagem de envelhecimento dos personagens e  a maravilhosa trilha sonora de Federico Jusid e Emilio Kauderer.

Temos Campanella como diretor, produtor, roteirista e montador do filme. Logo esse é um filme assumidamente autoral. Talvez essa seja a grande sacada do atual momento do cinema Argentino. Acreditar nesse cinema longe da propósta do cinema Hollywoodiano. Fazer um cinema possível e autoral.

Não atoa, o mercado internacional ta cada vez mais de olho no cinema latino, produzido pela Argentina, Uruguai e Mexico, mas pouco se voltam para o Brasil. Como afirmou recentemente Fabien Gaffez, um dos críticos mais importantes da França durante sua visita a Mostra de Cinema em Tiradentes.

Jair Santana