“Lula, O Filho do Brasil”, Fábio Barreto, 2010

Lula, O Filho do Brasil

O filme mais caro exclusivamente brasileiro já realizado no país, contando parte da história de um dos personagens mais curiosos, ambíguos e carismáticos da historia recente do país. Luis Inácio Lula da Silva, o presidente Lula. Que ainda vivo e ainda no governo, tem sua historia, dramatizada para o cinema.

Fábio Barreto foi o diretor que tirou o Brasil do longo período longe do Oscar, com o seu “Quatrilho” em 1995, o Brasil voltou a ter um filme concorrendo a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro na mais popular premiação do cinema. Agora, o diretor pretende novamente chegar lá, e dessa vez, levar o prêmio. Sua pretenção é clara, na maneira com que conduz o filme. Técnicamente super bem realizado, apesar de achar a fotografia de Gustavo Hadba equivocada.

Lula, O Filho do Brasil” é um filme altamente tendensioso, apelativo, e até oportunista. Mas isso tudo, só os brasileiros podem identificar de primeira. Enquanto nos EUA a onda de filmes sobre o então presidente Bush era crítico, aqui, os filmes costumam ser mais tendenciosos, ainda mais se tratando de uma figura como Lula, que tem altissima aprovação popular. Assim foi com o documentário “Entreatos” de João Moreira Salles, e assim é agora com a ficção “Lula, O Filho do Brasil”, transformando o presidente no mais forte heroi do cinema brasileiro da historia.

O roteiro é de Daniel Tendler, Denise Paraná e Fernando Bonassi, baseado em livro de Denise Paraná. Conta a historia de Luis, que logo depois se torna Lula, o garoto nordestino, que teve sua infância no interior do nordeste vivenciando todos os problemas que a seca pode trazer para as familias que alí vivem. A desestrutura familiar, a fome, a esperança de encontrar uma vida melhor em outro lugar.

O roteiro se pega muito a relação de Lula interpretado por três atores, na infância por Felipe Falanga, adolescente por Guilherme Tortolio e adulto por Rui Ricardo Diaz. Interpretações corretas mas nada surpreendentes, com sua mãe Lindu, que é interpretada grandiozamente por Glória Pires. Glória segura a personagem numa tragetória de 35 anos da historia do filme. Seu corpo, sua voz, seu olhar levam a força e a fraqueza que esse personagem pede.


O filme tem muitas imagens de arquivo que se misturam com imagens criadas para o filme, e diferente do que aconteceu com “Milk” do Gus Van Sant, onde as imagens se misturavam, aqui Gustavo Hadba, o diretor de fotografia do filme, não assume isso e a diferença entre as imagens acaba nos distanciando do que poderia nos aproximar daquela verdade. O filme não convence, a historia, por culpa da fotografia, parece querer nos enganar. Uma hora imagens granuladas, outras corretas demais. A não singularidade das imagens acaba prejudicando e muito o que estamos vendo.

O maior acerto do filme, juntamente com Gloria Pires para o elenco, é sem dúvida nem uma a trilha sonora de Antonio Pinto e Jacques Morelembaum. Nota 10. É envolvente, emocionante, grandiosa. Responsáveis pela também espetacular trilha sonora de “Central do Brasil” de Walter Salles, os dois músicos são com toda certeza são os melhores “trilheiros” que temos por essas bandas. Desde os primeiros momentos no interior do nordeste, ao crescimento de Lula como lider sindical, a música dita os momentos mais emocionantes do filme e nos emociona, mesmo que não concordemos com o discurso assumido pelo diretor com relação ao personagem. A música é o que há de mais forte e convincente no filme.

A direção de Fábio Barreto é segura, correta, mas algo no roteiro que parece segurar a mão do diretor. Frases feitas em demasia, não deixam o filme parecenatural. Nos afasta do personagem. Prejudica o desenrolar do filme. Algo parecido aconteceu com “Cazuza” de Daniel Filho. O Brasil ainda não sabe humanizar seus herois no cinema.

Independente das opiniões políticas, quanto filme, “Lula, O Filho do Brasil” promete arrastar um bom público pro cinema, Pois é muito bem produzido, e apesar de algumas falhas (roteiro e fotografia) ele envolve. Até mesmo pelo tema que foca, a relação entre mãe e filho.

Jair Santana

“O Homem Bicentanário”, James Horner

Filme: O Homem Bicentanário
Diretor:Chris Columbus
Ano: 1999
Musica:Bicentennial Man Theme
Compositor: James Horner