“Atividade Paranormal”, Oren Peli, 2009

“Atividade Parnormal” é o primeiro filme do diretor Oren Peli, que teve a ideia do filme a partir de uma experiência pessoal. Não, não teve contato com nem um tipo de dêmonio ou fantasmas, mas sim, enquanto dormia, uma caixa de detergente caiu da prateleira e ele se assustou. E assim, nasceu a ideia para o filme.

Filme que custou apenas 11 mil dólares e arrecadou 22 milhões somente nos EUA, se tornando assim, o filme mais lucrativo de toda historia do cinema. Ultrapassando o até então campeão “A Bruxa de Blair”, que usa a mesma premissa. Historia de terror vendidas como verdade, captada da câmera da vítima. Ultrapassou também “Jogos Mortais 6” que estreou no mesmo final de semana e arrecadou apenas 14, 8 milhões.

Filmado na própria casa do diretor no período de uma semana, o filme logo chamou atenção nos festivais independentes dos EUA e conseguiu a distribuição de uma majors, a Paramount. Que deixou com que o público decidisse se o filme ia ou não ser lançado em circuito. Primeiro fez pré estreia em algumas cidade escolhidas no site oficial do filme, depois deixou o publico votar se o filme deveria ou não ser lançado, e isso só aconteceria se fosse alcançado um milhão de votos a favor de seu lançamento. O que logo foi alcançado.

Isso tudo para saber a real demanda que o filme teria. Mas isso, não é algo que poderá ser utilizado pelas distribuidoras para lançamentos de filmes caros por exemplo. Expor essa demanda pode ser muito perigoso.

Aqui no Brasil, o filme tem distibuição da Play Arte, que com poucas cópias, sua campanha visa estreias no cinema, inicialmente nas cidades que mais pedirem o filme. Isso pode ser feito no site www.atividadeparanormal.com.br. Algo parecido com o utilizado nos EUA.

O filme conta a historia de Katie (Katie Featherston) que se diz perseguida desde criança por uma entidade paranormal, e seu namorado Micah (Micah Sloat), que tem certa dúvida, mas ao acreditar nas palavras da namorada, compra uma câmera para filmar possíveis acontecimentos paranormais.

Começam a filmar e capitar estranhos acontecimentos que logo vão tomando maiores proporções. Entre sustos e falsos alarmes, chamam um especialista em atividades paranormais que lhes indica um especialista em demônios para cuidar do caso.

O formato de documentário é interessante, mesmo que sua premissa tenha sido utilizada antes em “Bruxa de Blair” como já citei, aqui esse estilo parece ter se profissionalizado, mesmo que ainda tenha suas falhas. Como o roteiro, altamente correto, redondo e cheio de clichês.

Mas cinema é viagem, é entrega e é você acreditar no que está vendo. E “Atividade Paranormal” ajuda muito a você acreditar no que está vendo. Dando nomes reais aos personagens, hora e data do acontecido, e mesmo o fato de não nos apresentar créditos e dar o paradeiro de cada personagem depois do filme. Com toda certeza alguem vai sair do cinema dizendo que tudo o que viu, foi verdade.

Filmes como “Atividade Paranormal” encanta o público e chama atenção de estudantes, diretores e grandes produtoras de cinema, que percebem que o cinema não está em declinio como muitos citam, mas sim a falta de grandes idéias. A tela grande ainda encanta, o que se precisa é de boas historias, que nos convençam, que nos encantem e nos façam sentir sentimentos primários, como o medo no caso desse filme.

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“Sete Homens e um Destino”, Elmer Bernstein

Filme: Sete Homens e um Destino
Diretor: John Sturges
Ano: 1960
Música: The Magnificent Seven Theme
Compositor: Elmet Bernstein
Trilha Sonora: Elmer Bernstein

 

“Bastardos Inglórios”, Quentin Tarantino, 2009

bastardos-inglorios-cartaz“Bastardos Inglórios” é mais um delicioso, e forte, filme de vingança do diretor que mais fala sobre o assunto desse lado ocidental do planeta. Quentin Tarantino. O diretor, que afirma ter crescido com filmes de kung-fu e de western, onde a maioria os personagens se vingam de algo, chega agora com “Bastardos Inglórios” a sua maturidade cinematográfica.

Não desmerecendo clássicos seus maravilhosos como “Cães de Aluguel”, “Pulp Fiction” e “Kill Bil”, mas agora, mesmo com todos os argumentos de sempre como violência, vingança, muito sangue e piadas em meio a tudo isso, Tarantino aparece com um tema mais ousado, mais adulto, corajoso e sim, se supera.

Mudar a história da Segunda Guerra não é pra qualquer um, e o roteirista e diretor Tarantino consegue isso de maneira magistral, e ganha público e crítica, com uma guerra mundial, resolvida não por algum país, algum exercito, mas acima de tudo, por uma vingança pessoal.

Paralelo a isso, temos ainda o exercito de Aldo Raine, interpretado por Brad Pitt, o personagem Tarantino escreveu para ele mesmo, mas da metade pro final, percebeu que o melhor seria entregar a um ator mais experiente e então só lhe vinha a cabeça o Brad Pitt. Escolha muito bem feita o ator deu a Aldo o jeito caricato, o tom de sarcásmo e de ingênuidade bruta que o personagem merecia.

Seria o grande personagem do filme se um outro ator não aparecesse no filme. Christoph Waltz, o Coronal Hans Landa, conhecido com Caçador de Judeus. Christoph faz de Landa o melhor, mais odiado e ao mesmo tempo mais carismático personagem do filme. Interpretação que lhe rendeu a Palma de Ouro de melhor ator em Cannes.

A historia do filme é dividida em capítulos, como “Kill Bill”, mas a condução dos capítulos são bem diferentes. Em cada um deles há um grande momento de tensão impressionante. É assim do primeiro ao ultimo. Algumas situações comuns que levam, em tempos de guerra passam a ser o limite entre o estar vivo ou morto.

Aldo Raine é lider de um grupo de soldados, cada um com um motivo pessoal, que caça nazistas e os matam com requintes de crueldade. Cenas fortes mostrada pela câmera de Tarantino, que muitos no cinema não suportam olhar. O grupo, conhecido entre os nazistas como Bastardo Inglórios, é temido e até proibido de se comentar pelo alto escalão nazista.

Apesar de 2:33h de filme, o público não cansa, não se desliga e nas várias vezes que fui ao cinema assistir, mesmo depois de três semanas de estreia, o filme é aplaudido. Não sei se pelo próprio filme ou se pelo que nos é despertado pela grande tela.

A vingança sempre desperta o que há de pior e mais forte no ser humano. Ela movimenta e mesmo quando é racional, é também animal.

A decupagem do filme é sensacional. A escolha de posicionamento de câmera, os cortes, os planos sequências, tudo isso dá um detalhe mais sofisticado ao filme. Um trabalho de direção de um diretor maduro e acima de tudo seguro em suas escolhas.

A fotografia é outro ponto forte do filme. Robert Richardson que trabalhou com tarantino em Kill Bill 1 e 2, e também com nomes como Scorsese em “O Aviador” e Oliver Stone em “Nixon” e “JFK”, faz aqui um trabalho de mestre. Sua luz correta não rouba a cena e deixa os atores serem os maiores em todos momento.

O elenco é maravilhoso, fora Brad Pitt e Christoph Waltz, conta ainda com nomes como Daniel Brulh, Diane Krieger, Mike Myers e apresentando a fantástica Melaine Laurent como a Soshana Dreyfuss.

Alfo Raine é o alter-ego de Tarantino, que assumidamente, no final do filme olha para câmera com um olhar cínico e diz “Essa é minha obra de arte”. E é verdade, “Bastardos Inglórios” é um filme completo. Com um roteiro sem furos, com ótimas interpretações, boa música, fotografia certa e uma direção de mestre. E mais ainda, uma certa leveza despretensiosa típica dos filmes de Tarantino. Por isso mesmo o filme se torna tão grande. Pela responsabilidade que o diretor tem acima de tudo com seu público, e não com a crítica.