“Deixa Ela Entrar”, Tomas Alfredson, 2008

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"Deixa Ela Entrar"

Ultimo filme do diretor sueco Tomas Alfredson, é uma produção barata, inteligente, amoral sobre vampiro e amores adolescentes. Não, Alfredson não fez a segunda parte do idiotizante “Crépusculo”, e sim um dos melhores filmes do ano de 2008, o surpreendente “Deixa Ela Entrar”, que só agora em 2009, depois de uma brilhante carreira de público e crítica pelo mundo, chega ao Brasil.

Filme trata da descoberta do amor e da sexualidade de Oskar ( Kare Hedebrant), um jovem de 12 anos, por Eli (Lina Leandersson) sua nova vizinha. Eli por sua vez é uma vampira, com aparência de uma garotinha, porém bem mais velha que Oskar. Tema que foi superficialmente trabalhado em “A Entrevista com o Vampiro” de Niel Jordan, onde a então desconhecida Kirsten Dunst interpreta a jovem vampira Claudia, presa eternamente em um corpo de uma garota de 12 anos.

A amoralidade do filme está na cumplicidade dos dois principais personagens, Eli e Oskar, onde juntos planejam vinganças e realizam um assassinato. Oskar é um garoto de poucos, ou nem um amigo, vítima de bully em sua escola, sendo caçoado por um grupo de garotos que se irritam com seu comportamento aparentemente indiferente a tudo.

Filho único de país separados, sua mãe parece não ter muito controle sobre sua vida, e seu pai é totalmente indiferente à sua educação. Na cena que conversa com seu pai depois de a escola ter ligado e reclamado de seu comportamento, seu pai nada fala sobre a chamada de atenção da escola.

Sua estranheza e seu isolamento talvez sejam o maior motivo por sua aproximação com Eli, uma garota vampira, que por esse motivo, é obrigada a viver na mais total exclusão.

O amor então nasce entre os dois, é mais forte do que qualquer motivo que poderia os afastar. Mesmo quando Eli vira para Orkar e diz, “não sou uma menina”, ele responde que não se importa. A sexualidade então nesse momento torna-se não mais um fator fundamental para a união dos dois. Claro que Eli queria dizer que ela não era mais uma menina, e sim uma mulher, uma vampira.

Oskar, apesar de aparentemente tranquilo, tem atração por assuntos mórbidos, colecionando informações sobre assassinatos por exemplo. Além de que, em sua vida isolada ele imagina matar e torturar os colegas do colégio enquanto esfaqueia árvores. Já Eli, por necessidade de sobrevivência, aprendeu a ser fria ao assassinar pessoas em busca de sangue.

Eli também parece viver um grande ciclo de repetições em sua vida. A personagem mora com seu “pai”, Jocke ( Mikael Rahm), que viemos a descobrir posteriormente que é o “Oskar” de outra época. Personagem forte e fundamental para compreender a própria Eli. Jocke continua apaixonado e literalmente dá seu sangue para sobrevivência de sua amada.

A aproximação que o diretor nos coloca com esses dois personagens nos faz pensar tão amoralmente quanto os dois se comportam. Torcendo por seus momentos de vingança, de tortura, e mesmo com fortes cenas recheadas com sangue e gritos de dor, sentimos um prazer quase sádico pela destruição do próximo.

“Deixa Ela Entrar” é um filme de poucas palavras, boa trilha sonora, uma fotografia correta e um clima de introspecção impressionante. O chamei do “Filme de vampiro dos irmãos Dardenne”, pela aproximação de Alfredson com o estilo narrativo dos Dardenne.

O filme já foi comprado por um grande estúdio americano e será refilmado por lá. E Alfredson, depois desse grande sucesso, já está em produção de um novo filme com a estrela Nicole Kidman.

Jair Santana

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