“À Deriva”, Heitor Dhalia, 2009

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À Deriva

Sem desmerecer seus filmes anteriores, os ótimos “Nina” e “Cheiro do Ralo”,  Heitor Dhalia com seu “À Deriva” chega a sua fase de cinematografia adulta. Com um drama familiar forte e uma estética moderna, acompanhando propostas cinematográficas como de “O Casamento de Rachel” , de Jonathan Demme por exemplo.

No filme,  de roteiro do próprio Dhalia, conta a historia de Felipa, uma garota de 14 anos, durante as férias na praia, passando por seus dilemas amorosos e acima de tudo, enfrentando um drama familiar forte. O conflito amoroso entre seus pais.

“À Deriva” tem esse nome talvez, por nem um de seus personagens terem rédia da própria vida. Suas vidas estão diretamente ligadas um no outro para definir o caminho da própria que irão tomar. Os membros de uma familia acabam quase sempre se comportando assim. Nem uma decisão é tomada exclusivamente por sua própria vontade. Você é impossíbilitado de fazer algo porque tem pais, porque tem filhos, porque é casado, enfim, milhões de fatores que o deixam à deriva.

Interessante observar a descrição do livro que Mathias (Vicent Cassel) diz estar escrevendo durante o filme, onde descreve um triangulo amoroso, e a posição desses personagens é como estar em um lugar desconhecido. “Os três estarão onde jamais estiveram, é um mundo novo para eles”. Essa  talvez seja a sínteze de todo o filme. A familia chegará à um lugar onde jamais estivere até o fim daquele verão.

Todos os personagens principais, irão terminar o filme diferentes de como os conhecemos no incio. Eles tomarão decisões no momento final, que independem um do outro, então a partir dessas decisões,  irão a um lugar desconhecido, onde jamais estiveram.

Heitor Dhália mais uma vez, realiza um filme inteligente, e agora, sai da comédia de costumes, do sarcasmo, do surrealismo, do humor negro e chega ao mais próximo possível do realismo dramático, intimista e adulto.

“À Deriva” apresenta ainda uma trilha fabulosa de Antonio Pinto, interpretações memoráveis, principalmente do casal central Vicent Cassel e Débora Bloch, ela em especial dá um show com uma interpretação forte e sutil. Há ainda a fotografia granulada de Ricardo Della Rosa, nos remete mais ainda a temporalidade do filme no início dos anos 80.

Heitor Dhália, mesmo com fortes críticas aos seus dois primeiros filmes, já havia conquistado seu público, agora parece conquistar a crítica, e constrói uma forte cinematografia. “À Deriva” é um filme emocionante, atual e acima de tudo, universal.

Jair Santana

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2 Respostas

  1. O mundo esta a deriva.

    como o diluvio de fogo,
    os corações estão
    dos homens estão
    sangrando eternamente.

  2. “À Deriva”

    uma super
    obra de arte
    desenhada
    com muita vida

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