“A Festa da Menina Morta”, Matheus Nachtergaele, 2008

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A Festa da Menina Morta

Acumulando prêmios de direção, atuação, roteiro e fotografia, “A Festa da Menina Morta”, filme de estreia de Matheus Nachtergaele como diretor, chega aos cinema. “A Festa da Menina Morta” é um filme ousado e inovador em sua forma de nos contar uma historia sem medos, e com a cara do Brasil

A premissa do roteiro, de autoria de Matheus juntamente com Hilton Lacerda, foi tirado de uma festa real, que ocorre no interior do Amazonas. Dentro dessa premissa, se criou essa ficção, no qual ele mesmo na apresentação do filme definiu, que “não era um filme para se entender, pois nada era muito óbvio. Era um filme para sentir”

Em um primeiro momento, o filme se apresenta um tanto confuso, e até perdido se o roteiro não nos pega de primeira. Porém, também nos apresenta inúmeras qualidades.

Mateus trabalhou com incontáveis diretores de cinema, teatro e tv. Inteligente como é, tirou de sua experiência como ator, diferentes trabalhos de direção de atores. E seu filme apresenta um trabalho de direção de atores impressionante. Essa talvez, a maior qualidade do filme.

Estão presentes em seu filme nomes como Daniel de Oliveira, Jackson Antunes, Dira Paes, Juliano Cazarré, e mais todos os não atores que trabalharam no filme apresentam um trabalho de interpretação impecável. Só por essa questão o filme já valeria o ingresso, porém as qualidades não param por aí.

O diretor optou em realizar seu filme, na cidade de Barcelos, no Amazonas. aproveitando pessoas da própria cidade para trabalhar em seu filme. Para isso, levou a Manaus por exemplo, professores de teatro e atores do Rio e São Paulo para ministrarem workshops de interpretação para esse atores estreantes.

O filme é curiosamente todo trabalhado em planos sequências. A fim de se passar mais realismo, nos deixar mais próximos dos personagens. Mas essa opção, acabou em certos momentos prejudicando a fotografia. Algumas vezes, mesmo em cenas diurnas, o contraste das sombras, escurecem demais as cenas. O já conceituado diretor de fotografia Lula Carvalho, acaba não acertando a mão dessa vez, mesmo assim, a fotografia do filme ganhou prêmios no Festival de Los Angeles e de Gramado.

Percebe-se no filme de Matheus a aproximação do cinema visceral e dilacerante de Cláudio Assis. Na fotografia, nos planos, na própria historia que é narrada. Matheus e Claudio Assis se aproximam pela semsibilidade,  crítica e pela vontade de narrar historias ricas que poderiam, de alguma maneira, acontecer ao nosso lado e passar despercebida.

Matheus, ousado como sempre foi, coloca, talvez pela primeira vez no cinema brasileiro, um incesto gay, entre pai e filho, personagens de Daniel de Oliveira e Jackson Antunes, são os protagonizam esse incesto. Os dois atores, apresentam um trabalho impressionante.

Curioso perceber que essa relação entre os dois,só é claramente comentada pelo personagem da mãe, interpretada por Kassia Kiss, que faz Santinho (Daniel de Oliveira) perceber, que tipo de relação existe entre ele e seu pai (Jackson Antunes).

Matheus Nachtergaele em seu primeiro filme apresenta acima de tudo, um cinema independente e autoral, onde mais interessado de realizar um cinema que divirta e conquiste um grande número de soma em bilheteria, seu cinema quer fazer sentir e pensar.

Jair Santana

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