“Apenas o Fim”, Matheus Souza, 2008

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Apenas o Fim

Matheus Souza, apesar de sua pouca idade, nos mostra um filme cheio de referências, clássicas e populares, que vão de Bergman, Wood Allen a Pokemon e Britney Spears.

O premiado e conceituado diretor Domingos de Oliveira (“Todas as Mulheres do Mundo”, “Feminices”, “Juventude”), após assistir seu filme no Festival do Rio declarou: “Esse garoto poderia ser meu filho”. Talvez por, assim como Domingos, Matheus realiza um cinema de roteiro e altamente autoral.

A historia se passa no campus da PUC – Rio, no período diegético de um hora (recheada de flashbacks), onde um casal conversa sobre o futuro e o fim inesperado de seu relacionamento, motivado pela viagem de um dos personagens.

Antônio (Gregório Duvivíer) e a sua namorada (Érika Mader) passam o filme discutindo a relação, relembrando historias, encontrando amigos. Coisas do cotidiano, coisas simples, e por isso mesmo, tão geniais. Poucas assuntos são mais geniais que debater o simples com tanta riqueza e sensibilidade.

O filme veio como uma grande surpresa, arrebatando o público, atraindo jovens ao cinema, com a proximidade de referências e vocabulário, há também o interesse do público mais velho, como o próprio Domingos de Oliveira no auge de seus 73 anos,  pela inteligência do roteiro, pela forma conceitual do filme (meio nouvelle vague), com luz natural, andando no meio de cenários reais, além do ótimo trabalho de atores e edição por exemplo.

 

Outro elemento que chama atenção positiva ao filme é a música de Pedro Carneiro, que é leve e ao mesmo tempo obtém uma emoção que cai bem ao momento. Sem ser melodramática, sem aparecer mais que o filme, mas casando perfeitamente com o momento de angustia, mudança e transição dos personagens.

O filme claro, tem limitação de produção, realizado com equipamentos, parte emprestado da própria PUC – Rio e parte com apoio da MAICO LUZ (empresa que sempre apóia filmes independentes no Rio de Janeiro), “Apenas o Fim” apresenta problemas no áudio, e se percebe uma certa limitação criativa por falta de verba, mas nada que consiga comprometer nem de longe o filme.

Em um período em que as distribuidoras buscam super produções e apenas grandes lançamentos, o Grupo Estação dá uma dentro em nos trazer “Apenas o Fim”, mesmo com uma limitada campanha de lançamento.

Jair Santana

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“A Partida”, Yojiro Takita, 2008

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A Partida

“A Partida”, filme do veterano diretor japonês Yojiro Takita, pouco conhecido ainda fora do Japão, foi sem dúvida, merecedor do prêmio de melhor filme estrangeiro no Oscar 2009. Direção forte, boas interpretações, roteiro bem amarrado e o tema universal (a morte) fazem desse filme um belíssima experiência cinematográfica.

O personagem principal, Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) perde seu emprego em uma orquestra, e com isso, se afasta do sonho de ser um grande músico. Afastado de seu sonho e com dificuldades financeiras, junto com sua esposa, Daigo volta para cidade onde nasceu e onde herdou a casa de sua mãe, e então começa a procura de um novo emprego.

Nessa procura, um anúncio fala sobre “partidas”, Daigo então o confunde com alguma empresa de turismo e sai em busca da vaga. Mas o anúncio é sobre outro tipo de partida. O trabalho, é maquiar e arrumar, defuntos, para o enterro. Apesar de resistir inicialmente, o trabalho é recompensador financeiramente, Daigo então aceita, mesmo com certa resistência.

A partir daí, o personagem aprende a realizar, respeitar e entender melhor esse ritual de passagem, guiado pelo seu chefe Kuei Sasaki (Tsutomu Yamazaki), que o apresenta a esse novo mundo. A partir da observação que Kuei tem com esse trabalho, da relação que tem com os mortos e com a familia deles, Daigo então passa a respeitar, e até a apreciar aquele trabalho.

O filme é dirigido com uma sensibilidade impar, com boas interpretações, boa fotografia e um forte tema. O filme tem trilha sonora de Joe Hisaishi, mesmo de “Castelo Animado” e “Viagem de Chihiro”. A trilha é um show a parte. Dessas que com certeza, vai entrar para historia entre as grandes trilhas sonoras do cinema.

“A Partida” é um filme de apelo universal, morte e família, que ajudou o diretor Yojiro Takita a ser reconhecido pelo mundo como um grande diretor. Mas que acima de tudo, nos faz abrir os olhos para um cinema crescente, que é o cinema oriental, que começa a ganhar espaço de distribuição por essas bandas.

Jair Santana

“As Virgens Suicidas”, Sofia Coppola

Filme: As Virgens Suicidas
Ano: 2000
Diretor: Sofia Coppola
Música: Afternoon Sister
Compositor: AIR
Trilha Sonora: Sofia Copoola

“Exterminador do Futuro 4 – A Salvação”, McG, 2009

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Exterminado do Futuro 4 - A Salvação

Não é o melhor filme da série “O Exterminador”, mas com certeza será lembrado como o mais emocionante dos quatro. “O Exterminador do Futuro IV – A Salvação” é o quarto de um série que já virou um clássico da ficção cientifica, virando quadrinhos e até série de tv (essas bem menos apreciativas que os filmes).
 
Dirigido pelo diretor que assina como McG, diretor de “As Panteras”, o  novo “Exterminador” tem como principal diferencial as incríveis cenas de aventura. Já existentes nos primeiros, aqui a dose de adrenalina é elevada ao máximo (uma dica, se puder assista o filme com o som THX assinado por George Lucas).
 
O roteiro é um tanto confuso, como nos filmes anteriores, a ida e vinda no tempo está presente na historia, mas isso acaba nos confundindo com tantos personagens presentes em vários tempos de uma mesma historia. O roteiros que originalmente seria de Paul Haggis (“Crash – No Limite”  e “Menina de Ouro”), foi reescrito e ficou a cargo dsa dupla John D. Brancato e Michael Ferris, do péssimo “Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas“.

Orçado em 200 milhões de dólares, o filme teve uma campanha inovadora para seu lançamento com direito a cartaz exclusivo para internet. O filme fez boa bilheteria, mas no Brasil, não chegou ao primeiro lugar, perdendo para o brasileiro ” A Mulher Invisível” de Cláudio Torres.

 

 

Para os fãs mais ardorosos das primeiras duas versões, o “Exterminador 4 – A Salvação”  vem com boas referências dos primeiros filmes, como a famosa frase “I’ll be back” (Eu voltarei), a música “You Could Be Mine” do Guns’n Roses, tema de “Exterminador 2” como o congelamento e descongelamento do robô exterminador. Na verdade, parte a ação final do filme acontece em cenário muito parecido com o cenário onde acontece as ações finais de “O Exterminador do Futuro 2”. Local cheio de máquinas, aço derretido e muitas escadas.

Mas as referências não param por aí, no filme podemos assistir perseguições aéreas entre penhascos que nos remetem as sequências de “Star Wars”, e não há como não lembrar de Mad Max 2 no visual apocalíptico adotado por McG, com direito a veículos correndo no deserto e a caça por gasolina. E por fim, ainda temos a referências a “Guerra dos Mundos” com o robô que captura humanos e até mesmo o som que ele emite, a ainda “Matrix Revolutions”, com uma arma que pode destruir as máquinas com envio de ondas que não atinge os humanos.

Mesmo com roteiro confuso, algumas interpretações duvidosas e um floreio de frases clichês do tipo “Todos merecem uma segunda chance”, o quarto filme da série “O Exterminador do Futuro” promete, e consegue divertir e nos proporcionar boas sequências de ação. Pode não ficar para historia do gênero como ficaram o primeiro e o segundo filme, mas por hora, é uma boa diversão.

Jair Santana

“Wrong”, Depeche Mode, 2009

Música: Wrong
Ano: 2009
Composição: Depeche Mode ao vivo
Album: Sounds of Universe

OBS: Apresentação ao vivo em Berlin. O clipe original foi “pedido” para ser desativado. O pior de tudo são as majors achando que alguem clipes rolando na internet, são prejudiciais.

“Batman Begins” – Hans Zimmer e James Newton Howard

Filme: Batman Begins
Ano: 2005
Diretor: Christopher Nolan
Música: Molossus
Compositor: Hans Zimmer e James Newton Howard
Trilha Sonora: Hans Zimmer e James Newton Howard

 

“A Festa da Menina Morta”, Matheus Nachtergaele, 2008

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A Festa da Menina Morta

Acumulando prêmios de direção, atuação, roteiro e fotografia, “A Festa da Menina Morta”, filme de estreia de Matheus Nachtergaele como diretor, chega aos cinema. “A Festa da Menina Morta” é um filme ousado e inovador em sua forma de nos contar uma historia sem medos, e com a cara do Brasil

A premissa do roteiro, de autoria de Matheus juntamente com Hilton Lacerda, foi tirado de uma festa real, que ocorre no interior do Amazonas. Dentro dessa premissa, se criou essa ficção, no qual ele mesmo na apresentação do filme definiu, que “não era um filme para se entender, pois nada era muito óbvio. Era um filme para sentir”

Em um primeiro momento, o filme se apresenta um tanto confuso, e até perdido se o roteiro não nos pega de primeira. Porém, também nos apresenta inúmeras qualidades.

Mateus trabalhou com incontáveis diretores de cinema, teatro e tv. Inteligente como é, tirou de sua experiência como ator, diferentes trabalhos de direção de atores. E seu filme apresenta um trabalho de direção de atores impressionante. Essa talvez, a maior qualidade do filme.

Estão presentes em seu filme nomes como Daniel de Oliveira, Jackson Antunes, Dira Paes, Juliano Cazarré, e mais todos os não atores que trabalharam no filme apresentam um trabalho de interpretação impecável. Só por essa questão o filme já valeria o ingresso, porém as qualidades não param por aí.

O diretor optou em realizar seu filme, na cidade de Barcelos, no Amazonas. aproveitando pessoas da própria cidade para trabalhar em seu filme. Para isso, levou a Manaus por exemplo, professores de teatro e atores do Rio e São Paulo para ministrarem workshops de interpretação para esse atores estreantes.

O filme é curiosamente todo trabalhado em planos sequências. A fim de se passar mais realismo, nos deixar mais próximos dos personagens. Mas essa opção, acabou em certos momentos prejudicando a fotografia. Algumas vezes, mesmo em cenas diurnas, o contraste das sombras, escurecem demais as cenas. O já conceituado diretor de fotografia Lula Carvalho, acaba não acertando a mão dessa vez, mesmo assim, a fotografia do filme ganhou prêmios no Festival de Los Angeles e de Gramado.

Percebe-se no filme de Matheus a aproximação do cinema visceral e dilacerante de Cláudio Assis. Na fotografia, nos planos, na própria historia que é narrada. Matheus e Claudio Assis se aproximam pela semsibilidade,  crítica e pela vontade de narrar historias ricas que poderiam, de alguma maneira, acontecer ao nosso lado e passar despercebida.

Matheus, ousado como sempre foi, coloca, talvez pela primeira vez no cinema brasileiro, um incesto gay, entre pai e filho, personagens de Daniel de Oliveira e Jackson Antunes, são os protagonizam esse incesto. Os dois atores, apresentam um trabalho impressionante.

Curioso perceber que essa relação entre os dois,só é claramente comentada pelo personagem da mãe, interpretada por Kassia Kiss, que faz Santinho (Daniel de Oliveira) perceber, que tipo de relação existe entre ele e seu pai (Jackson Antunes).

Matheus Nachtergaele em seu primeiro filme apresenta acima de tudo, um cinema independente e autoral, onde mais interessado de realizar um cinema que divirta e conquiste um grande número de soma em bilheteria, seu cinema quer fazer sentir e pensar.

Jair Santana