“Quase Dois Irmãos”, Lúcia Murat, 2005

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"Quase Dois Irmãos"

Mais uma mulher no comando de um bom filme brasileiro. junto com Eliane Café, Laís Bodanzky   e Sandra Werneck, Lucia Murat esta entre as grandes diretoras do cinema nacional.

“Quase Dois Irmãos” retrata uma cumplicidade,    que vai além da apresentada entre os dois personagens, mas sim entre a classe média brasileira “politizada” e a classe baixa e “marginalizada”. Algo como estarmos mais próximos do que podemos imaginar um do outro.

O filme é uma revisão na historia social do Brasil, da aproximação dessas duas classes na década de 50, feita através do samba, na década de 70, através da ideologia política, e o agora quando se nega a aproximação. Porém, hoje é tarde demais para dar as costas para o problema social já instalado.

Miguel é um Senador da República que visita seu amigo de infância Jorge, que se tornou um poderoso traficante de drogas do Rio de Janeiro, para lhe propôr um projeto social nas favelas. Apesar de suas origens diferentes eles se tornaram amigos nos anos 50, pois o pai de Miguel tinha paixão pela cultura negra e o pai de Jorge era compositor de sambas. Nos anos 70 eles se encontram novamente, na prisão de Ilha Grande. Ali as diferenças raciais eram mais evidentes: enquanto a maior parte dos prisioneiros brancos estava lá por motivos políticos, a maioria dos prisioneiros negros era de criminosos comuns.

O filme é uma mistura de história de ficção com a história recente do país. Tem boas interpretações do elenco principal, Caco Ciocler (Miguel – anos 70) e Flávio Bauraqui (Jorginho – anos 70), ambos indicados ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, tem uma ótima trilha sonora, assinada pelo Luis Melodia, que também, pela primeira vez aparece como ator.

 

 

O filme também apresenta uma fotografia primorosa diferenciando épocas através da testura e de cores, enfim, é uma aula de historia, não da contada em livros, mas da historia social do Brasil, das últimas décadas, facilitando o entendimento do caos que vivemos hoje.

É um filme que pode propor a quem o assiste vários tipos de reações, dependendo da historia de vida de cada um. Seja ela, revolta, indignação, ou pelo menos fazer pensar que a historia de violência e problemas sociais que vivemos hoje não nasceu do dia pra noite.

Parabéns a Lúcia Murat que fez um filme bom filme. Audacioso, corajoso, atual. Cenas fortes de denúncias como, por exemplo, colocar a polícia como os grandes fornecedores de armas dos morros cariocas. Sim, “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles já tinha feito isso em 2002, mas a narrativa histórico documental de Lúcia Murat nos deixa tudo mais claro sobre essa aproximação.

A edição do filme também é incrívelmente bem realizada. Essa mistura temporal, em três fases da vida dos personagens poderia deixar o filme confuso e assim o prejudicar, mas a segurança da direção e a edição de Mair Tavares dão uma velocidade e um rítmo ao filme, que e.

O roteiro por sinal é de Lúcia Murat e Paulo Lins, que é o mesmo autor do romance que foi de onde nasceu “Cidade de Deus” e posteriormente foi roteirista de “Cidade dos Homens” e “Orfeu”.

Jair Santana

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