“Valsa com Bashir”, Ari Folman, 2008

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Valsa com Bashir

Estão reinventando o documentário. Assim como “Persépolis” de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi em 2007, o documentário também autobiográfico “Valsa com Bashir” se utiliza da encenação e da animação para reconstrução da historia.

A imagem não deixa de ser importante, e o real, não deixa de ser contato, mas a forma do documentário, antes pensada de forma somente “jornalística” , ganha mais amplitude.

Em entrevista para Revista Cinética, a cineasta Jia Zhang-ke nos presenteou com uma frase espetacular sobre esse tipo de realização: “Alguns dos sentidos de realidade não podem ser expressados pela mera observação do real. Em muitos momentos, a intervenção ‘surrealista’ é muito mais verdadeira para essa expressão do mundo”.

Sendo assim, “Valsa com Bashir” então, nos apresenta uma expressão surrealista para mergulhar no mais real que a guerra pode nos oferecer.

Partindo da premissa da reconstrução de sua própria memória, Ari Folman, o próprio cineasta, parte em busca de suas lembranças durante a Primeira Guerra do Líbano, pois até então, Folman, reconhecia a guerra apenas como um filme, se ausentando de sua real participação dela.

Mas então, com o reconhecimento do real, surge também um grande “mea culpa!” do diretor, usando assim, o cinema como exercício para catarse,  ou melhor, usando assim, o cinema como um grande exercício terapêutico.

 

 

Mesmo como um filme Israelense, mas não somente, a produção engloba também os EUA, França, Finlândia, Bélgica, Austrália e Suiça, o filme aponta a omissão, mais que isso, a conivência do Exército de Israel, com o massacre ocorrido em Sabra e Shatila, em 1982, onde em 15 e 16 de setembro daquele ano, a milícia libanesa cristã-falangista, revoltada com a morte de seu idolatrado líder Bashir Gemayel, executou centenas – possivelmente milhares (isso não importa) – de refugiados palestinos. Não muito diferente do que os Alemães fizeram com Judeus na Alemanha, mas esse outro lado nunca é contado pelos judeus.

Não é só o roteiro, a nova forma de realização de um documentário ou o lado psicológico do filme que nos arrebata. Tecnicamente o filme é impressionante. Seus traços são de uma realidade que impressiona, sua técnica da mistura de 2D e 3D, o movimento de câmera, as cores mais tranqüilas de sua vida atual e o alaranjado angustiante das lembranças de guerra. Tudo muito bem pensado e realizado.

Apesar da encenação, pois o diretor optou por vozes de atores e uma outra concepção do real, as imagens finais, depois de toda descrição sonora e visual da guerra, ainda nos choca. O desespero de famílias, a descrição do lugar pelo personagem e logo posteriormente as imagens documentais do lugar, nos deixa um silencio sepulcral nas salas de cinema.

Aquilo tudo por fim, se coloca como algo real. Todas as imagens descritas estão ali. A garotinha com cachinhos, morta entre os escombros e ratos, as mulheres desesperadas, a indiferença do exército.

Jair Santana

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2 Respostas

  1. […] “Valsa com Bashir”, Ari Folman, 2008 (Sobretudo filmes – 16/04/2009) […]

  2. ai, ai! o filme val muiiiiiiiiiiiiiiito!

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