“Watchmen”, Zack Snyder, 2008

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Watchmen

 

Depois de muita briga judicial e expectativa, chega às telas o tão esperado “Watchmen – O Filme”, baseado nas HQs de Alan Moore, que juntamente com Frank Miller, é considerado responsável pelo interesse do público adulto por quadrinhos. Até então, eram tidos como interesse somente do público infanto-juvenil.

Clássico dos quadrinhos da década de 80, grande sucesso entre leitores e críticos nos EUA, “Watchmen” é o único quadrinho que entrou para a lista da Revista Time dos 100 melhores romances da história, além de ter recebido honraria especial no tradicional Prêmio Hugo, voltado para literatura de ficção cientifica e fantasia.

“Watchmen” é dirigido por Zack Snyder, o mesmo de “Madrugada dos Mortos” e “300”, o último também baseado em quadrinhos, dessa vez de Frank Miller. O filme foi motivo de grandes brigas judiciais entre Fox e Warner, onde a primeira levou a melhor e abocanhou adistribuição do filme nos EUA.

Brigas e expectativas a parte, “Watchmen” finalmente chega às telas brasileiras, enchendo os olhos com seus ótimosefeitos visuais. A fotografia de Larry Fong  é dinâmica e muito bem trabalhada. Usando sempre referências ao clima noir que o filme propõe. Larry foi parceiro de Znydertambém em “300” e ali já provou entender bem de técnicas de fotografia e da adaptação da imagem dos quadrinhos para a tela.

Assim como “300”, “Watchmen” é tecnicamente perfeito. Fotografia e decupagem (tendo como base os próprios quadrinhos) são maravilhosamente bem executados. A direção de arte e figurino chamam atenção em cada detalhe e o clima noir é um ponto a mais para o filme.

Porém, “Watchmen” comete exageros e nos apresenta cenas totalmente dispensáveis. Algumas beiram ao cinema trash, como vísceras penduradas no teto, implosões de corpos espalhando sangue por todo lado, enfim, cenas que nada acrescentam para dinâmica do filme.

 


As referências da década de 80 são muito bem usadas. O relógio do fim do mundo, por exemplo, era algo real naquela década, e não uma metáfora unicamente criada para o filme, e se encaixa perfeitamente no roteiro.

Poderia se pensar em um primeiro momento, que as questões levantadas por “Watchmen” não fariam sentido hoje, em um mundo pós guerra fria. Porém, só o que realmente mudou foi a polarização da guerra. O filme hoje faz tanto sentido como quando a revista foi lançada. Com toda tensão que o terrorismo impôs no cotidiano das grandes cidades do mundo, debater sobre a paz mundial voltou à agenda do dia.

A questão levantada pelo filme sobre o sacrifício de milhões por um motivo, supostamente maior, é quase que facista, porém louvável de se  questionar. Mais que responder essa questão,o filme levanta o debate e acaba com o maniqueísmo de herói e vilão.

Apresenta um clima de paródia em certos momentos, levanta assuntos sérios em outros, e um ponto curioso, nos apresenta heróis que envelheceram, que é algo que jamais tentamos imaginar, mesmo “Os Incríveis” da Pixar, foi posterior a criação da revista.

Vale chamar atenção para a  bela trilha sonora do filme, recheada com nomes como Nina Simone, Philip Glass , Janis Joplin e Bob Dylan, por exemplo. Fique atento a isso.

Apesar do problemas de certos exageros, e de em alguns momentos beirar o cinema trash, o que também parece ser uma marca de Snyder, o filme diverte. Não mais que isso.

Jair Santana

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