“O Lutador”, Darren Aronofsky, 2008

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O Lutador

“O Lutador” traz a historia de Randy “Carneiro” Robson, personagem fictício que se confunde com a história do ator que o interpreta, Mickey Rourke.

Rourke assim como Randy, teve uma carreira bem sucedida, e agora encontra-se no ostracismo, tentando sobreviver das lembranças do passado. Algo muito próximo do ator, que graças ao seu personagem, promete ficar no passado.

A proximidade entre os dois é impressionante. Em certo momento Randy solta o seguinte texto: “Quem sabe com isso eu não volte ao topo?”. Essa fala cabe muito bem para o personagem e para o próprio ator.

A câmera colada no personagem, a fotografia suja e seu universo totalmente decadente chega realmente e incomodar. Talvez seja essa a intenção do diretor, mas torna o filme menos atraente para o espectador. A auto-flagelação das lutas, o sofrimento interno, a doença, tudo é capitado mas não temos empatia por aquele personagem.

Randy, por mais que a câmera cole em seu ombro, continua sendo um indivíduo enigmático para o espectador. Não sabemos o que pensa, como pensa, e não vemos sua mudança.

Assim como Randy no ringue é rei, quando afirma “A vida não dá a mínima para mim, mas no ringue eu sou importante”, o ator Mickey Rourke é o rei na tela com sua interpretação. Marisa Tomei, que interpreta uma dançarina de boate, afirma que “a noite, não se mistura com a vida real”, colocando que na noite, as pessoas são como um personagem, assim Randy, seria um no personagem do ringue.

Essa mistura de fantasia e realidade é o forte do filme. A leitura dos fracassados americanos, A historia do inalcançável sonho de vitoria. A estrela dos anos 80 e 90, é agora somente lembrança, e junto com outros homens com historias parecidas com a sua, se reúne nos fundos de um ginásio, para dar autógrafos em fotos antigas pra tirar um dinheirinho.

Ao perceber o quanto seu fim é decadente, Randy tenta reconstruir uma vida normal. Procura a realidade imposta a todos. Percebe então, que não mais consegue viver a realidade. Acredita ser realmente ser Randy “Carneiro” e não como o cara do seu documento de identidade. E assim, praticamente implora para seu novo patrão o chamar de Randy e não por seu nome verdadeiro.

Tentar resgatar essa realidade, de perdas, doenças, amores mal resolvidos é mais difícil do que se pode imaginar. Fora do ringue, fora do nosso palco, somos todos iguais, e isso é muito forte para quem no seu palco, é o centro das atenções.

Randy tenta, mas parece desistir do real. Não importa o que lhe irá acontecer fora do ring, mas ele voltará para o ringue, onde é o rei.

 

 

Dirigido por Darren Aronofsky, diretor de “Réquiem por um Sonho” e “Fonte da Vida”, o filme teve um orçamento de sete milhões de dólares. Um merreca para os padrões Hollywoodianos.

Sim, podemos falar que “O Lutador” é um filme Hollywoodiano, pois mesmo não sendo produzido por grandes estúdios, teve duas indicações ao maior prêmio da industria de cinema dos ,EUA, o Oscar. “O Lutador” concorreu com melhor ator, Mickey Rouke, e melhor atriz coadjuvante, Mariza Tomei.

Rourke por sinal, não recebeu pagamento nem um pelo filme. Mas seu melhor pagamento foram os prêmios e indicações por sua interpretação. Levou o BAFTA, Globo de Ouro e Independent Spirit Awards.
Será que Rourke votará ao topo com o filme?

Jair Santana

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