“Dúvida”, John Patrick Shanley, 2008

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Dúvida

O mais pesado e diferente filme dos Estúdios Disney, talvez pela co-produção da Miramax, que tem em seu currículo filmes mais sérios.

Filme do diretor John Patrick Shanley, que tem na carreira filmes bem diferentes como “Congo” e “Feitiço da Lua”. Esse é o segundo filme sério do diretor, sério no sentido dessa densidade antes comentado. O primeiro foi “Vivos” em 1993.

“Dúvida” nos traz como principal presente o elenco, formado por Meryl Streep (Irmã Aloysius Beauvier), Philip Seymour Hoffman (Padre Brendan Flynn), Amy Adams (Irmã James) e Viola Davis (Sra. Miller).

Todo elenco realmente dá um show, mas a participação de Viola Davis, apesar de ter uma participalção mínima chamou muita a atenção, e lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante. O papel de Viola, a Sra. Miller, foi desejado abertamente por Oprah Winfrey, que chegou a pedir o papel para no ar em eu programa de entrevistas. Mas John Patrick a esnobou e nem mesmo o teste quis fazer com Oprah.

O fato é que a escolha de Viola Davis foi certíssima. Na verdade os quatro indicados ao Oscar por suas interpretações, também ao Bafta e Globo de outro.

“Dúvida” é uma adaptação da peça teatral do próprio diretor, John Patrick Shanley que ganhou o prêmio Pulitzer de melhor drama em 2005.

 

 

O filme nos conta a historia de uma suspeita ocorrido dentro de uma escola religiosa. A guerra de nervos entre a durona e amarga Irmã Aloysius Beauvier, e o diretor amoroso e simpático Padre Brendan Flynn.

A suspeita do Padre ter oferecido bebida a uma criança e quem sabe mais o que. Sim, podemos torcer para o Padre amoroso, pois a irmã Aloysius cria situações, é obcecada por uma disciplina cega e intolerante. Mas, os pedófilos e loucos, pode ser criaturas cativantes e irmã Aloysius nos apresenta situações bem, digamos assim, duvidosas.

Some isso ainda ao coração ingênuo e doce da irmã James e ao texto pesado da mãe do garoto suspeito de ser a vítima, a Sr Miller. Tudo, eu disso TUDO, nos traz simplesmente a dúvida.

O roteiro é inteligentíssimo, nos faz sair com ódio do cinema, nos leva nos questionar e debatermos o filme. Ele não nos oferece resposta, apenas dúvidas.

Para muitos, causará certo estranhamento, pois é um filme frio, como clima em que se passa a historia. Fotografia cinzenta, pessoas com medo de mostrar sentimentos, de falar mais alto, tudo é escondido, nada é muito exposto.

Tudo pronto pra explodir, ou implodir. em uma grande catarse que ….não acontece de fato. Um choro contido, uma lágrima aqui, um meio sorriso ali ou simplesmente uma saída de cena. É assim que as coisas ficam.

O verdadeiro objetivo do filme é nos deixar incomodados com a dúvida. E isso o diretor, com seu belo roteiro e interpretações impecáveis, consegue muito bem.

Jair Santana

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