“Quem Quer ser um Milionário?”, Danny Boyle, 2008

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Quem Quer Ser um Milionário

Em sintese, o que posso falar do filme “Quem Quer Ser um Milionário?” é que quanto cinema, ele é simplesmente arrebatador.

Não atoa, desde sua estréia em festivais em agosto de 2008, ele tem levado prêmios e mais prêmios pelo mundo todo.

Vencedor do Oscar de 2009 de melhor filme e melhor diretor para Danny Boyle, esse é o único dos filmes que concorreram, com final feliz. Curioso perceber que o Oscar, está cada vez mais polêmico e autoral. O ano de 2009 em especial, o Oscar está com uma seleção incrível de filmes.

“Quem Quer Ser um Milionário?”, já nasce clássico. O diretor Danny Boyle tem construído uma filmografia marcante e coerente. O diretor já tem filmes que viraram clássicos de um geração, faltava somente a consagração do maior prêmio do cinema mundial. Agora ele o tem.

O diretor de “Trainspotting” e “A Praia“, traz agora referências do cinema de Bollywood e “Cidade de Deus” pra fazer um filme polêmico, agil, engraçado, e apesar de tudo pelo que passa o personagem principal, Jamal Malik, um filme feliz.

Uma historia de amor, na verdade, amor é o tema principal de pelo menos três filmes que concorrem ao Oscar em 2009, o tema está em “Quem quer ser um Milionário”, “O Leitor” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

A fotografia de Anthony Dod Mantle, montagem de Chris Dickens, o roteiro de Simon Beaufoy, baseado em livro de Vikas Swarup foram vencedores do Oscar em suas categorias. Tudo realmente está incrível.

A trilha sonora de A.R. Rahman é empolgante, emocionante e inovadora. O filme foi vencedor do Oscar de melhor trilha sonora e abocanhou também o de melhor canção orginal com a música Jai Ho . O compositor A.R. Rahman, é compositor de pelo menos uma centena de filmes de Bollywood. Compôs a trilha vencedora do Oscar do filme “Quem quer ser um Milionário?” em apenas vinte dias. E concorreu o Oscar  de canção original com duas músicas.

Danny Boyle traz um vigor novo pro Oscar. Mais que isso, trás um vigor novo ao cinema. Assim como fez “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles, “Quem quer ser um Milionário” logo se tornará referência.

A prova que o cinema, e o próprio Oscar tem se tornado cada vez mais globalizado. Atores espanhóis, Indianos, Ingleses, com diretores ingleses, brasileiros,chineses, concorrendo ao maior prêmio do cinema americano.

É não somente os EUA, mas o cinema mundial descobrindo novas culturas, novas formas de narrar uma historia para essa arte centenária.

Uma produção quase que independente, que custou módicos 15 milhões de dólares. O filme mais barato, junto com “Milk” a concorrer ao prêmio de melhor filme no Oscar de 2008. Somente 10% do valor de seu concorrente, “Benjamin Botton”. Esse valor, levantou questionamentos sobre a forma de se fazer cinema em Hollywood pelos principais críticos americanos.

Fazer se pensar em novas maneiras de se fazer cinema é realmente trofeu a qualquer diretor. E qualquer filme.

“Quem quer ser um Milionário?” é um filme simplesmente IMPERDIVEL

Jair Santana

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“Inverno”, Adriana Calcanhoto

Música: Inverno
Composição: Adriana Calcanhoto
Álbum: A Fábrica do Poema
Ano: 1997

 

“Canções de Amor”, Alex Beaupain

Filme: Canções de Amor
Diretor:Christophe Honoré
Ano:
2007
Música:Le Bastille
Composição: Alex Beaupain
Trilha Sonora do Filme: Alex Beaupain

“Milk – A Voz da Igualdade”, Gus Van Sant, 2008

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Milk - A Vo da Igualdade

“Milk – A Voz da Igualdade”, filme do polêmico, vanguardista e crítico Gus Van m Sant, um dos mais engajados diretores americanos, chega finalmente ao cinema, trazendo o peso de vários prêmios e indicações nos principais festivais de cinema do mundo. Bafta, Globo de Ouro, Independent Spirit Awards, e o mais popular de todos. o Oscar.

Mas não é isso que faz dele o filme essencial que é. Acima de tudo, mais que um filme gay, “Milk” discute algo maior, a liberdade individual. A liberdade de simplesmente ser quem se é. Que não é mas deveria ser inerente a qualquer ser humano.

O personagem Harvey Milk, vivido com segurança e entrega absoluta por Sean Penn, foi o primeiro americano assumidamente gay a ser eleito a um cargo público. Na cidade, hoje considerada a cidade mais gay dos EUA, São Francisco.

A construção do personagem por Sean Penn é incrível. A voz modificada, o olhar, as mãos. Em momento algum, Sean olha, fala e se comporta como Sean Penn. Esquecemos dele e vemos somente Harvey Milk.

Liberdade. É isso que filme discute. Mas também o ódio dos intolerantes, a incompreensão de políticos, religiosos e do povo em geral, em não aceitar o diferente. E muitas vezes, em não se aceitar. Talvez esse o grande motivo o fim do personagem. Assassinado brutalmente por seu colega de trabalho Dan White, interpretado pelo ótimo Josh Brolin.

Interessante observar a presença constante de Anita Bryant, lutando contra a liberdade de expressão e contra os direitos gays, porém sempre em imagens documentais. Anita Bryant é um dos personagens do filme, mas não interpretada por nem uma atriz. É sempre realmente, a própria Anita que aparece no filme com suas declarações de intolerância.

Anita Bryant virou sinônimo dessa intolerância, e sua luta contra os direitos homossexuais, acabou os unindo e fortalecendo movimentos GLS em todo os EUA.

Uma historia de luta pelos direitos individuais, contra o ódio dos intolerante,s e apesar de tudo, também de conquistas e vitórias.

O filme “Milk”, é baseado em fatos reais. O diretor faz uma curiosa mistura de dramaturgia ficcional com imagens documentais. A mistura desses dois elementos é o que esta contecendo de mais vanguardista no cinema hoje. Wu Yong, diretor chinês de “Inutil” faz algo parecido. Documentários, onde chega a construir a cenas com personagens reais.

Gus Van Sant faz o contrario, reconstrói a cena com atores, mistura imagens reais e faz a fotografia voltar lentamente a ficção. A fotografia de Harris Savides, é um presente para o espectador. A mistura de imagens de arquivo deu liberdade a construção de uma fotografia granulada, que nos faz parecer estar assistindo algo mais documental que ficcional.

O roteiro, realizado a partir de pesquisa, entrevistas e material doado (vídeo, fitas cassetes, diários) e uma fita onde o próprio Harley Milk conta sua historia, é apenas o primeiro roteiro de Dustin Lance Black, e foi premiado com Oscar de Roteiro Original e também foi indicado ao Bafta na mesma categoria.

“Milk” é um filme essencial. Não pelo cinema que é, mas pela historia que conta, pela mensagem que passa. Liberdade individual, aceitação do novo, do diferente, o entender que diferente não é anormal, e sim, simplesmente diferente. Harvey Milk foi um ser humano corajoso e exemplar. A ser seguido e acima de tudo compreendido.

Jair Santana