“O Leitor”, Stephen Daldry, 2008

leitor-poster012Mais um filme, canditado ao Oscar 2009, de melhor filme e diretor.

“O Leitor” em sintese, nos fala de culpa. O personagem principal é Michael Berg, vividos por David Kross quando jovem e por Ralph Fiennes quando mais velho, e colamos nesse personagem quase o tempo todo. Vemos e sentimos somente o que ele apresenta.

Quando jovem, em Berlim dos anos 30, aos 15 anos, Michael conheceu uma mulher que inicialmente o ajudou em momento de dificuldade. Ao voltar para agradecer, o garoto tem um envolvimento, mais sexual que amoroso com essa mulher.

Hanna Schmitz, vivída pela grande atriz Kate Winslet, é uma mulher bonita, dominadora, fria e enigmática.

O envolvimento dos dois se torna forte, Michael se apaixona por Hanna fortemente, se afastando da a familia e amigos. Em determinado momento, Michael, a seu pedido de começa a ler para ela, de clássicos a leituras mais populares.

Hanna então, se demonstra uma mulher sensível às historias que escuta. Se envolve com os romances literários, chora, ri, percebemos então, a mulher delicada que até então não conhecíamos.

Esse envolvimento entre os dois vai ficando forte, então, Michael se declara verdadeiramente apaixonado, declara não encontrar sentido em sua vida sem Hanna. Ela então decide sumir. Sem deixar vestígios, desaparece da vida de Michael. Talvez por medo de maior envolvimento com alguém tão mais novo.

Michael vai para faculdade, onde estuda direito, e em determinado momento ele reencontra ocasionalmente Hanna. Ele esta assistindo a um julgamento, como parte de sua aula, e ela, está sendo julgada, como uma soldado do Exército Nazista, responsável por centenas de morte.

Temos então uma questão interessante. Tanto Michael como nos espectadores, vimos uma Hanna, sensual, bonita, as vezes fria, durona, e as vezes sensível e divertida. Ficamos íntimos daquela mulher. íntimos até sexualmente.

Não temos o campo visual de uma assassina. Temos somente as informações, que não nos despertam raiva nem ódio, apenas mágoa.

 

 

Então, nos humanizamos com a personagem. Não a vimos em campos de concentração, e nem matando ou maltratando ninguém. Mas são por esses motivos que esta sendo julgada.

Assim como Michael, aquilo nos choca, e nos coloca em uma situação delicada. Como se humanizar com uma pessoa como aquela? Essa é uma das questões fundamentais do filme.

A culpa então aparece. Michael tem uma informação fundamental para o julgamento, que poderia não livrar, mas amenizar muito, a pena de Hanna. Mas talvez, a própria mágoa, (ou será senso de justiça?) não deixe Michael soltar essa informação facilmente. Qual o certo?

Pior ainda, quando a própria condenada, quer guardar esse segredo. Acima de tudo, por vergonha da condição que a salvaria.

Hanna foi o primeiro amor, e talvez o único, da vida Michael. Você, na situação dele, com toda mágoa, se humanizaria com aquela ex-soldado nazista?

Mas, um soldado nazista pode ser, e deve, ser comparado a qualquer outro soldado. Os soldados de Guatánamo são diferentes por que? Obedecem ordens. Executam vidas quando precisam. E muitos se divertem com isso. Como em toda e qualquer guerra.

“O Leitor” nos coloca em situações no mínimo curiosas e inquietantes. Compartilhar de pena, de um personagem facilmente odiado. Mas é merecidamente odiado? Qualquer outro soldado em qualquer outra guerra não tomaria as mesmas atitudes?

Podem realmente existir crimes de guerra? Isso é discutido em uma aula de direito de Michael por exemplo. E jogado para o espectador pensar.

“O Leitor” tem roteiro David Hare, baseado em livro de Bernhard Schlink, de direção de Stephen Daldry. Ou seja, temos novamente a dobradinha responsável pelo filme “As Horas”.

A trilha, que concorre ao Oscar, é um show de trilha sonora. Responsabilidade de Nico Muhly. Esta é apenas sua primeira trilha. Mas Nico Muhly ja trabalhou com nomes como o de Antony Hegarty, vocalista do grupo Antony and the Johnsons.

A maquiagem, a fotografia de Roger Deakins e Chris Menges e a Christian M. Goldbeck e Erwin Prib estão corretas e afinadas. Mas não são o forte do filme. Que tem um roteiro de rouba todo foco para si.

Um filme para não perder. Para pensar, se inquietar, chorar, amar, odiar, se deliciar

Jair Santana

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3 Respostas

  1. […] três filmes que concorrem ao Oscar esse ano, o tema está em “Quem quer ser um Milionário”, “O Leitor”  e  “O Curioso Caso de Benjamin […]

  2. […] de filmes como “Onde os Fracos não tem Vez, “A Vila”, levou o Bafta esse ano por “O Leitor” e ja ganhou o Oscar por “Um Sonho de Liberdade” e […]

  3. […] pela crítica americana. Recebeu indicação ao Oscar de melhor atriz, perdeu para Kate Winslet em “O Leitor”. Um show também dá Debra Winger, na pele de Abby, mãe de Kim e […]

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