“Foi Apenas um Sonho”, Sam Mendes, 2008

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Foi Apenas um Sonho

Mais que um filme aparentemente inocente e sobre dramas pessoais, “Foi Apenas um Sonho” é um filme altamente crítico obre a sociedade americana.

Frank e April formam um “lindo” casal. Jovens e bonitos, Frank tem uma carreira promissora e April é uma mãe e dona de casa exemplar. Mas isso é tudo o que eles não queriam ser: Exemplo. Essa palavra leva um fardo maior que qualquer outra.Porém, é assim que todos os veem.

Decidem então jogar tudo pra cima e começar uma vida nova, na rômantica e culturalmente rica, Paris. Mas para conseguir isso devem deixar tudo que conseguiram e socialmente lhes é valorizado.

Manter essa vida de “adulto” exigida socialmente por todos, é um peso, mas ao mesmo tempo uma vitoria. Essa aparente felicidade, tipo “american way of life” é hipócrita e sem sentido, mas vista como o certo pela maioria das pessoas na América.

As interpretações de Leonardo DiCaprio como Frank, ví como seu primeiro trabalho realmente maduro, e de Kate Winslet como April, que diferente de seu parceiro, já alcançou uma maturidade como atriz que pode ser considerada se não a melhor, uma das melhores de sua geração, estão maravilhosas.

Uma boa surpresa, fica a cargo das participações de Kathy Bates, vivendo  uma personagem menor, mas que representa essa hipocrisia americana. Tudo é perfeito até que ela enxerga um problema, e tudo é motivo para se apontar defeitos a partir de então. E ainda Michael Shannon interpretando o “louco” John Givings, talvez o personagem mais sensato do filme. Suas cenas são espetaculares. O personagem, riquíssimo e a boa interpretação de Shannon, lhe rendeu indicação ao Oscar de coadjuvante.

A direção de Sam Mendes é segura, sem firúlas, com boa decupagem, e muito cuidadosa. A câmera é sempre certinha, o clima é sempre aparentemente ingênuo, e tudo é altamente pensado. A música de Thomas Newman é particulamente forte, dando clima e força às cenas igualmente fortes do filme.

Técnicamente, a fotografia de Roger Deakins, nos remete a uma textura anos 50, década a qual o filme se passa. Isso dá um plus no filme. Deakins é um diretor experiente e dos mais solicitados, fez a fotografia de filmes como “Onde os Fracos não tem Vez, “A Vila”, levou o Bafta em 2009 por “O Leitor” e ja ganhou o Oscar por “Um Sonho de Liberdade” e “Fargo”.

A direção de arte de Teresa Carriker-Thayer, John Kasarda e Nicholas Lundy , que também concorre ao Oscar, juntamente com o figurino de Albert Wolsky que foi indicado ao Bafta, são perfeitamente sutis. Nada grita “olha como sou de época”, mas sua perfeição está justamente na sutileza. O detalhe das roupas, a televisão, o cabelo, o sofá, tudo esta casado com o filme. E isso é o mais importante. Não o fato de ser de época, mas o estar dentro do que o filme pede.

“Foi Apenas um Sonho” é um filme de amores possíveis, que dão ora certo, ora errado. Um filme de gente de verdade. Frustadas, mas aparentemente felizes, como a grande maioria de pessoas felizes, que lutam, mais do que pela casa perfeita e por um emprego que lhe pague bem, pela sua felicidade, que está bem além de tudo disso.

Jair Santana

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