“Quem Quer ser um Milionário?”, Danny Boyle, 2008

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Quem Quer Ser um Milionário

Em sintese, o que posso falar do filme “Quem Quer Ser um Milionário?” é que quanto cinema, ele é simplesmente arrebatador.

Não atoa, desde sua estréia em festivais em agosto de 2008, ele tem levado prêmios e mais prêmios pelo mundo todo.

Vencedor do Oscar de 2009 de melhor filme e melhor diretor para Danny Boyle, esse é o único dos filmes que concorreram, com final feliz. Curioso perceber que o Oscar, está cada vez mais polêmico e autoral. O ano de 2009 em especial, o Oscar está com uma seleção incrível de filmes.

“Quem Quer Ser um Milionário?”, já nasce clássico. O diretor Danny Boyle tem construído uma filmografia marcante e coerente. O diretor já tem filmes que viraram clássicos de um geração, faltava somente a consagração do maior prêmio do cinema mundial. Agora ele o tem.

O diretor de “Trainspotting” e “A Praia“, traz agora referências do cinema de Bollywood e “Cidade de Deus” pra fazer um filme polêmico, agil, engraçado, e apesar de tudo pelo que passa o personagem principal, Jamal Malik, um filme feliz.

Uma historia de amor, na verdade, amor é o tema principal de pelo menos três filmes que concorrem ao Oscar em 2009, o tema está em “Quem quer ser um Milionário”, “O Leitor” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

A fotografia de Anthony Dod Mantle, montagem de Chris Dickens, o roteiro de Simon Beaufoy, baseado em livro de Vikas Swarup foram vencedores do Oscar em suas categorias. Tudo realmente está incrível.

A trilha sonora de A.R. Rahman é empolgante, emocionante e inovadora. O filme foi vencedor do Oscar de melhor trilha sonora e abocanhou também o de melhor canção orginal com a música Jai Ho . O compositor A.R. Rahman, é compositor de pelo menos uma centena de filmes de Bollywood. Compôs a trilha vencedora do Oscar do filme “Quem quer ser um Milionário?” em apenas vinte dias. E concorreu o Oscar  de canção original com duas músicas.

Danny Boyle traz um vigor novo pro Oscar. Mais que isso, trás um vigor novo ao cinema. Assim como fez “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles, “Quem quer ser um Milionário” logo se tornará referência.

A prova que o cinema, e o próprio Oscar tem se tornado cada vez mais globalizado. Atores espanhóis, Indianos, Ingleses, com diretores ingleses, brasileiros,chineses, concorrendo ao maior prêmio do cinema americano.

É não somente os EUA, mas o cinema mundial descobrindo novas culturas, novas formas de narrar uma historia para essa arte centenária.

Uma produção quase que independente, que custou módicos 15 milhões de dólares. O filme mais barato, junto com “Milk” a concorrer ao prêmio de melhor filme no Oscar de 2008. Somente 10% do valor de seu concorrente, “Benjamin Botton”. Esse valor, levantou questionamentos sobre a forma de se fazer cinema em Hollywood pelos principais críticos americanos.

Fazer se pensar em novas maneiras de se fazer cinema é realmente trofeu a qualquer diretor. E qualquer filme.

“Quem quer ser um Milionário?” é um filme simplesmente IMPERDIVEL

Jair Santana

“Inverno”, Adriana Calcanhoto

Música: Inverno
Composição: Adriana Calcanhoto
Álbum: A Fábrica do Poema
Ano: 1997

 

“Canções de Amor”, Alex Beaupain

Filme: Canções de Amor
Diretor:Christophe Honoré
Ano:
2007
Música:Le Bastille
Composição: Alex Beaupain
Trilha Sonora do Filme: Alex Beaupain

“Milk – A Voz da Igualdade”, Gus Van Sant, 2008

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Milk - A Vo da Igualdade

“Milk – A Voz da Igualdade”, filme do polêmico, vanguardista e crítico Gus Van m Sant, um dos mais engajados diretores americanos, chega finalmente ao cinema, trazendo o peso de vários prêmios e indicações nos principais festivais de cinema do mundo. Bafta, Globo de Ouro, Independent Spirit Awards, e o mais popular de todos. o Oscar.

Mas não é isso que faz dele o filme essencial que é. Acima de tudo, mais que um filme gay, “Milk” discute algo maior, a liberdade individual. A liberdade de simplesmente ser quem se é. Que não é mas deveria ser inerente a qualquer ser humano.

O personagem Harvey Milk, vivido com segurança e entrega absoluta por Sean Penn, foi o primeiro americano assumidamente gay a ser eleito a um cargo público. Na cidade, hoje considerada a cidade mais gay dos EUA, São Francisco.

A construção do personagem por Sean Penn é incrível. A voz modificada, o olhar, as mãos. Em momento algum, Sean olha, fala e se comporta como Sean Penn. Esquecemos dele e vemos somente Harvey Milk.

Liberdade. É isso que filme discute. Mas também o ódio dos intolerantes, a incompreensão de políticos, religiosos e do povo em geral, em não aceitar o diferente. E muitas vezes, em não se aceitar. Talvez esse o grande motivo o fim do personagem. Assassinado brutalmente por seu colega de trabalho Dan White, interpretado pelo ótimo Josh Brolin.

Interessante observar a presença constante de Anita Bryant, lutando contra a liberdade de expressão e contra os direitos gays, porém sempre em imagens documentais. Anita Bryant é um dos personagens do filme, mas não interpretada por nem uma atriz. É sempre realmente, a própria Anita que aparece no filme com suas declarações de intolerância.

Anita Bryant virou sinônimo dessa intolerância, e sua luta contra os direitos homossexuais, acabou os unindo e fortalecendo movimentos GLS em todo os EUA.

Uma historia de luta pelos direitos individuais, contra o ódio dos intolerante,s e apesar de tudo, também de conquistas e vitórias.

O filme “Milk”, é baseado em fatos reais. O diretor faz uma curiosa mistura de dramaturgia ficcional com imagens documentais. A mistura desses dois elementos é o que esta contecendo de mais vanguardista no cinema hoje. Wu Yong, diretor chinês de “Inutil” faz algo parecido. Documentários, onde chega a construir a cenas com personagens reais.

Gus Van Sant faz o contrario, reconstrói a cena com atores, mistura imagens reais e faz a fotografia voltar lentamente a ficção. A fotografia de Harris Savides, é um presente para o espectador. A mistura de imagens de arquivo deu liberdade a construção de uma fotografia granulada, que nos faz parecer estar assistindo algo mais documental que ficcional.

O roteiro, realizado a partir de pesquisa, entrevistas e material doado (vídeo, fitas cassetes, diários) e uma fita onde o próprio Harley Milk conta sua historia, é apenas o primeiro roteiro de Dustin Lance Black, e foi premiado com Oscar de Roteiro Original e também foi indicado ao Bafta na mesma categoria.

“Milk” é um filme essencial. Não pelo cinema que é, mas pela historia que conta, pela mensagem que passa. Liberdade individual, aceitação do novo, do diferente, o entender que diferente não é anormal, e sim, simplesmente diferente. Harvey Milk foi um ser humano corajoso e exemplar. A ser seguido e acima de tudo compreendido.

Jair Santana

“O Leitor”, Stephen Daldry, 2008

leitor-poster012Mais um filme, canditado ao Oscar 2009, de melhor filme e diretor.

“O Leitor” em sintese, nos fala de culpa. O personagem principal é Michael Berg, vividos por David Kross quando jovem e por Ralph Fiennes quando mais velho, e colamos nesse personagem quase o tempo todo. Vemos e sentimos somente o que ele apresenta.

Quando jovem, em Berlim dos anos 30, aos 15 anos, Michael conheceu uma mulher que inicialmente o ajudou em momento de dificuldade. Ao voltar para agradecer, o garoto tem um envolvimento, mais sexual que amoroso com essa mulher.

Hanna Schmitz, vivída pela grande atriz Kate Winslet, é uma mulher bonita, dominadora, fria e enigmática.

O envolvimento dos dois se torna forte, Michael se apaixona por Hanna fortemente, se afastando da a familia e amigos. Em determinado momento, Michael, a seu pedido de começa a ler para ela, de clássicos a leituras mais populares.

Hanna então, se demonstra uma mulher sensível às historias que escuta. Se envolve com os romances literários, chora, ri, percebemos então, a mulher delicada que até então não conhecíamos.

Esse envolvimento entre os dois vai ficando forte, então, Michael se declara verdadeiramente apaixonado, declara não encontrar sentido em sua vida sem Hanna. Ela então decide sumir. Sem deixar vestígios, desaparece da vida de Michael. Talvez por medo de maior envolvimento com alguém tão mais novo.

Michael vai para faculdade, onde estuda direito, e em determinado momento ele reencontra ocasionalmente Hanna. Ele esta assistindo a um julgamento, como parte de sua aula, e ela, está sendo julgada, como uma soldado do Exército Nazista, responsável por centenas de morte.

Temos então uma questão interessante. Tanto Michael como nos espectadores, vimos uma Hanna, sensual, bonita, as vezes fria, durona, e as vezes sensível e divertida. Ficamos íntimos daquela mulher. íntimos até sexualmente.

Não temos o campo visual de uma assassina. Temos somente as informações, que não nos despertam raiva nem ódio, apenas mágoa.

 

 

Então, nos humanizamos com a personagem. Não a vimos em campos de concentração, e nem matando ou maltratando ninguém. Mas são por esses motivos que esta sendo julgada.

Assim como Michael, aquilo nos choca, e nos coloca em uma situação delicada. Como se humanizar com uma pessoa como aquela? Essa é uma das questões fundamentais do filme.

A culpa então aparece. Michael tem uma informação fundamental para o julgamento, que poderia não livrar, mas amenizar muito, a pena de Hanna. Mas talvez, a própria mágoa, (ou será senso de justiça?) não deixe Michael soltar essa informação facilmente. Qual o certo?

Pior ainda, quando a própria condenada, quer guardar esse segredo. Acima de tudo, por vergonha da condição que a salvaria.

Hanna foi o primeiro amor, e talvez o único, da vida Michael. Você, na situação dele, com toda mágoa, se humanizaria com aquela ex-soldado nazista?

Mas, um soldado nazista pode ser, e deve, ser comparado a qualquer outro soldado. Os soldados de Guatánamo são diferentes por que? Obedecem ordens. Executam vidas quando precisam. E muitos se divertem com isso. Como em toda e qualquer guerra.

“O Leitor” nos coloca em situações no mínimo curiosas e inquietantes. Compartilhar de pena, de um personagem facilmente odiado. Mas é merecidamente odiado? Qualquer outro soldado em qualquer outra guerra não tomaria as mesmas atitudes?

Podem realmente existir crimes de guerra? Isso é discutido em uma aula de direito de Michael por exemplo. E jogado para o espectador pensar.

“O Leitor” tem roteiro David Hare, baseado em livro de Bernhard Schlink, de direção de Stephen Daldry. Ou seja, temos novamente a dobradinha responsável pelo filme “As Horas”.

A trilha, que concorre ao Oscar, é um show de trilha sonora. Responsabilidade de Nico Muhly. Esta é apenas sua primeira trilha. Mas Nico Muhly ja trabalhou com nomes como o de Antony Hegarty, vocalista do grupo Antony and the Johnsons.

A maquiagem, a fotografia de Roger Deakins e Chris Menges e a Christian M. Goldbeck e Erwin Prib estão corretas e afinadas. Mas não são o forte do filme. Que tem um roteiro de rouba todo foco para si.

Um filme para não perder. Para pensar, se inquietar, chorar, amar, odiar, se deliciar

Jair Santana

“Em Busca da Terra do Nunca”, Jan A.P. Kaczmarek

Filme: Em Busca da Terra do Nunca
Ano:: 2004
Diretor: Marc Foster
Música: Variation in Blue
Composição: Jan A.P. Kaczmarek
Trilha Sonora do Filme: Jan A.P. Kaczmarek

 

“O Curioso Caso de Benjamin Button”, David Fincher, 2008

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O Curioso Caso de Benjamin Button

O Curioso Caso de Benjamin Button” é acima de tudo, uma linda historia de amor, de perdas e de relações humanas. O personagem Benjamim é a síntese, dos problemas e das oportunidades da individualidade de cada, e o que ela pode oferecer, entre perdas e ganhos à cada indivíduo.

Baseado em um conto de F. Scott Fitzgerald, escritor americano de clássicos comoO Grande Gatsby”, o mesmo teve como premissa inspiradora ao seu conto a famosa frase de Mark Twain: “A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18”.

Apesar de já conceituado depois de “O Grande Gatsby”, a vida de Fitzgerald era estravagante, rodeado de luxo, vivia entre os EUA e os grandes hotéis da moda na Europa. Foram os contos, e entre ele “Benjamim Button”, que Fitzgerald vendia jornais, que o ajudou a bancar a vida extravagante que levava.

Apaixonado por jazz e pela vida, uma vez falou sobre ele e sua esposa Zelda, sobre seus estilos de vida “às vezes eu não sei se Zelda e eu somos reais ou se somos personagens de uma das minhas novelas.”

No conto de Benjamin Button, ele traz prova, que não é tão melhor assim, se o ciclo de vida fosse invertido. Benjamim, quando criança, ficou impossibilitado de brincar com outras crianças, quando pré-adolescente ficou impossibilitado de realização do seu primeiro amor, e assim foi continuamente a historia de sua vida.

Carregava o fardo de estar parentemente maduro no inicio da vida. Porém ingênuo, sonhador, como qualquer jovem de 15, 20, 25 anos.

Mas o personagem assume sua diferença, graças a sua mãe adotiva Queenie, interpretada linda e levemente pela atriz Taraji P. Henson, não como um problema, mas acima de tudo como uma diferença. E isso o faz crescer seguro de sua individualidade.

Queenie trabalha em um asilo, e Button desde cedo começa a lidar com perdas. Em dado momento conhece a jovem Dayse e logo de apaixona. Porém, mais que isso, ela passa a ser o único amor de sua vida. Romântico e até meio clichê, mas funcional.

Claro, que naquele momento era um amor impossível, Dayse com doze anos, era uma linda criança, Benjamim, com doze anos, parecia um velho de oitenta. Mas entre eles cresceu uma bela amizade.

No percurso de sua vida, Benjamin conheceu outras mulheres, chegou a se apaixonar, mas como dizem os poetas e os clichês, um grande amor, ele teve somente um.

 

 

Técnicamente falando, a maquiagem é realmente perfeita. Não apenas quando apresentando Brad Pitt e Cate Blanchett envelhecidos demais, mas também, os dois rejuvencidos, com seus rostos como quem tem 17, 20 anos.

A trilha sonora de Alexandre Desplat compositor de trilhas como de “A Moça do Brinco de Pérolas” e “Syriana”, é tocante, emocionante ao mesmo tempo que ora apoteótica ora melancólica.

A fotografia é outro detalhe maravilhoso no filme. É apenas o segundo longa metragem do diretor de fotografai chileno Claudio Miranda. A textura de época, o tom dourado do passado, e azulado do presente, fazem nos remeter a “um passado dourado” como se costuma falar ao lembrar de décadas passadas.

Temos ainda o presente da bela Julia Ormond como Caroline, a ilha de Dayse, lendo o diário de Benjamin, e aguardando o furacão ao lado da mãe. Furacão esse que levara consigo historias, da cidade e de pessoas, lavará a cidade de parte de seu passado, mas também trará o ressurgimento de novas historias de perdas mas também conquistas.

Com o filme, David Fincher recebe sua primeira indicação ao Globo de Ouro e ao Oscar. Fincher é diretor do frustrante “Alien 3”, do surpreendete “Clube da Luta” e do claustrofóbico “Quarto do Pânico”.

” O Curioso Caso de Benjamin Button” é um ode ao amor, a aceitação de si mesmo, a aceitação do outro, e acima de tudo, um ode a vida.

Roteiro sensível da dupla Eric Roth (seu primeiro roteiro) e Robin Swicord (roteirista de “Memórias de Uma Gueixa” e “Adoráveis Mulheres”), os atores em excelentes performances e direção segura. A produção é de um valor exagerado, com um orçamento de 150 milhões de doláres. Para tudo ficar perfeito.

Tinha tudo pra ser o grande vencedor do Oscar 2009, principalmente por seu formato “certinho”. Mesmo que não seja o melhor entre os concorrentes

Jair Santana

“Templo”, Lenine & Chico Cesar

Música: Templo
Composição: Chico Cesar
Album: Respeitem Meus Cabelos Brancos
Ano: 2002
Interpretação: Lenine

Obs: Apresentação ao vivo. Não foi encontrado clipe oficial.

 

“Desejo e Reparação”, Dario Marianelli

Filme: Desejo e Reparação
Direção: Joe Wringht
Ano: 2007
Música: Briony Theme
Composição: Dario Marianelli
Trilha Sonora do Filme: Dario Marianelli

 

“Travessia” – Milton Nascimento, Bjork

Música: Travessia
Composição: Milton Nascimento
Interpretação: Bjork

Obs¹: Pesquisei mas parece que essa gravação não saiu em album nem um

Obs²: Não é um clipe, apenas a música com demonstração de fotos da cantora.

 

“Foi Apenas um Sonho”, Sam Mendes, 2008

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Foi Apenas um Sonho

Mais que um filme aparentemente inocente e sobre dramas pessoais, “Foi Apenas um Sonho” é um filme altamente crítico obre a sociedade americana.

Frank e April formam um “lindo” casal. Jovens e bonitos, Frank tem uma carreira promissora e April é uma mãe e dona de casa exemplar. Mas isso é tudo o que eles não queriam ser: Exemplo. Essa palavra leva um fardo maior que qualquer outra.Porém, é assim que todos os veem.

Decidem então jogar tudo pra cima e começar uma vida nova, na rômantica e culturalmente rica, Paris. Mas para conseguir isso devem deixar tudo que conseguiram e socialmente lhes é valorizado.

Manter essa vida de “adulto” exigida socialmente por todos, é um peso, mas ao mesmo tempo uma vitoria. Essa aparente felicidade, tipo “american way of life” é hipócrita e sem sentido, mas vista como o certo pela maioria das pessoas na América.

As interpretações de Leonardo DiCaprio como Frank, ví como seu primeiro trabalho realmente maduro, e de Kate Winslet como April, que diferente de seu parceiro, já alcançou uma maturidade como atriz que pode ser considerada se não a melhor, uma das melhores de sua geração, estão maravilhosas.

Uma boa surpresa, fica a cargo das participações de Kathy Bates, vivendo  uma personagem menor, mas que representa essa hipocrisia americana. Tudo é perfeito até que ela enxerga um problema, e tudo é motivo para se apontar defeitos a partir de então. E ainda Michael Shannon interpretando o “louco” John Givings, talvez o personagem mais sensato do filme. Suas cenas são espetaculares. O personagem, riquíssimo e a boa interpretação de Shannon, lhe rendeu indicação ao Oscar de coadjuvante.

A direção de Sam Mendes é segura, sem firúlas, com boa decupagem, e muito cuidadosa. A câmera é sempre certinha, o clima é sempre aparentemente ingênuo, e tudo é altamente pensado. A música de Thomas Newman é particulamente forte, dando clima e força às cenas igualmente fortes do filme.

Técnicamente, a fotografia de Roger Deakins, nos remete a uma textura anos 50, década a qual o filme se passa. Isso dá um plus no filme. Deakins é um diretor experiente e dos mais solicitados, fez a fotografia de filmes como “Onde os Fracos não tem Vez, “A Vila”, levou o Bafta em 2009 por “O Leitor” e ja ganhou o Oscar por “Um Sonho de Liberdade” e “Fargo”.

A direção de arte de Teresa Carriker-Thayer, John Kasarda e Nicholas Lundy , que também concorre ao Oscar, juntamente com o figurino de Albert Wolsky que foi indicado ao Bafta, são perfeitamente sutis. Nada grita “olha como sou de época”, mas sua perfeição está justamente na sutileza. O detalhe das roupas, a televisão, o cabelo, o sofá, tudo esta casado com o filme. E isso é o mais importante. Não o fato de ser de época, mas o estar dentro do que o filme pede.

“Foi Apenas um Sonho” é um filme de amores possíveis, que dão ora certo, ora errado. Um filme de gente de verdade. Frustadas, mas aparentemente felizes, como a grande maioria de pessoas felizes, que lutam, mais do que pela casa perfeita e por um emprego que lhe pague bem, pela sua felicidade, que está bem além de tudo disso.

Jair Santana

“A Troca”, Clint Eastwood, 2008

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A Troca

Clinton Eastwood tem se mostrado cada vez mais, que nasceu pra ser diretor, e não ator.

Depois de filmes como “A Menina de Ouro”  “Como Meninos e Lobos”, o diretor chega com “A Troca”, filme com a atriz pop e politicamente engajada Angelina Jolie, sobre, acima de tudo, “INJUSTIÇA”.

Mais que uma guerra Davi&Golias, Eastwood aqui relata, uma historia real, da luta de alguém pela esperança, e acima de tudo, pela justiça. Mas a personagem Christine Collins, não é a mulher boazinha e heroina, é sim, uma mulher forte e egoísta. Collins não teria feito nada, lutador por nada, se não fosse por um motivo extremamente pessoal e em certo ponto, vingança.

Angelina Jolie dá um show de interpretação. Esqueçam a Angelina gostosa, bonita e etc… por que EU mesmo fui com pé atrás por isso, sua interpretação é dificil, pois apesar de sofrida, forte, é contida. É muito mais facil interpretações explosivas que contidas como é a personagem Christine Collins.

Desculpe o cinema nacional, mas Angelina dá um baile em Sandra Corveloni, ganhadora de melhor atriz em Cannes com o “Linha de Passe” de Walter Salles. As duas estavam concorrendo pelo prêmio em Cannes.

Um ponto que me chamou atenção foi a bela música. Sensivel, intimista, delicada…esperei pra saber de quem era. Surpresa. O próprio Clint Eastwood era o compositor da trilha.

Ron Roward é o produtor do filme. Roward é produtor de filmes como “O Jornal”, “Código de DaVinci” e outros. Ou seja, é uma grande produção, com o estilo “alternativo” de Clint.

 

 

Na verdade, Clint Eastwood não pode ter uma classificação muito clara. Esta entre o “alternativo” e o “conservador”. Digamos que, está além de classificações.

“A Troca” é um filme revoltante. Com nossa própria atitude omissa diante de tanta injustiça. A prova, que a voz, que o grito, pode sim dar resultado.

Ao mesmo tempo, em que, Collins era passiva demais, contida demais, o personagem é totalmente condizente com sua época. E isso também é revoltante. Me surpreendi com o filme, o que não deveria, depois do currículo de direções maravilhosas de Eastwood.

É um filme que vale a pena ser visto e relembrado sempre. Lembrado de como o governo deturpa os fatos, de como as informações são manipuladas. Lembrado de como podemos mudar alguma coisa se realmente quisermos. Sim, o filme discute tudo isso, apresentando uma historia real, uma heroína de origem humilde, uma mulher em uma época que as mulheres não tinham força social.

“A Troca” concorre ao Oscar de melhor atriz com Angelina Jolie, ainda a Melhor Fotografia, com a belíssima fotografia de Tom Stern, e ainda de Direção de Arte, a cargo de Patrick M. e Sullivan Jr. que é realmente impressionante, apresentando grandes planos abertos de uma Los Angeles que não existe mais.

O filme vem colocar Angelina Jolie, não mais como a “gostosa de Hollywood” mas agora, no hall de atrizes de verdade, não pelo Oscar, ou por qualquer indicação ou prêmio que ganhou ou venha ganhar, mas sim pelo personagem e belo belíssimo trabalho que apresentou.

Jair Santana

“So Long, Lonesome”, Explosions in the Sky

Música: So Long, Lonesome
Album:All of a Sudden i miss Everyone
Ano: 2007
OBS: Clipe não oficial

 

“As Much As I Ever Could”, City and Colour

Música: As Much As I Ever Could
Album: Bring Me Your Love
Ano: 2008

 

“Casamento de Rachel”, Jonathan Demme, 2008

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Casamento de Rachel

O novo filme de Jonathan Demme, é no mínimo diferente de tudo que ele ja fez até então. Um drama familiar, mais estilo “Dogma 95” do cinema americano, contrariando o estilo usual do diretor.

Para nos situarmos, Jonathan Demme é diretor de um dos maiores vencedores do Oscar da historia que é “Silêncio dos Inocentes”, um dos poucos filmes da historia do cinema a ganhar os 5 principais prêmios. Demme é também diretor de “Filadélfia” e “Sob Domínio do Mal” por exemplo.

O filme traz no papel principal Anne Hathaway, como Kim, uma ex viciada, que volta pra casa às vésperas do casamento da irmã Rachel, interpretada por Rosemarie DeWitt. Essa reunião familiar levanta questões delicadas, como a morte de um irmão mais novo, a separação dos pais, o próprio relacionamento entre as irmãos Kim e Rachel.

Anne Hathaway realmente dá um show de interpretação, mas está sendo superestimada pela crítica americana. Recebeu indicação ao Oscar de melhor atriz, perdeu para Kate Winslet em “O Leitor”. Um show também dá Debra Winger, na pele de Abby, mãe de Kim e Rachel.

Na verdade, a interpretação de Anne Hathaway lhe rendeu não só a indicação ao Oscar, mas ainda do Globo de Ouro , que também difouc com Kate Winslet, e na Independent Spirit Awards. O roteiro também foi indicado na Independent Spirit Award como melhor roteiro de estreia.

O filme fala de uma mãe louca, uma filha patricinha, um pai ausente, uma segunda filha viciada e um filho morto em um acidente de carro que a irmã viciada dirigia, e todos conflitos que podem surgir a partir daí. Um forte drama familiar, cheio de pendencias, acertos de conta, sentimentos ocultos.

Em síntese, o filme coloca que as famílias têm problemas sim, se amam sim, e tem que aprender a conviver com tudo isso, e não simplesmente tentar colocar pra baixo do tapete. Em um determinado momento, tudo vem a tona.

Filmado com câmera na mão, luz o mais naturalista possível, edição rápida, o filme busca características mais de documentários que de ficção. Parecendo por vezes, um vídeo de família simplesmente. Essa aproximação dá uma aproximação personagem-espectador que fortalece a dramaticidade do filme.

Jair Santana