“Um Conto de Natal”, Arnaud Desplechin, 2008

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Um Conto de Natal

Arnaud Desplechin, diretor de “Reis e Rainhas” de 20004, faz aqui um filme ao avesso a sua ficção anterior, onde cada personagem, tinha uma ligação emotiva e opcional com outro.

“Um Conto de Natal” nos apresenta uma família ligada por convenções sociais, pelo sangue e nada mais. Estar juntos, passar o natal como “uma família” é um grande fardo social.

Irmãos que não se falam, mãe e filho que se odeiam, amores mal resolvidos, enfim, “Um Conto de Natal” apresenta uma família absolutamente normal, e louca ao mesmo tempo, pois aqui, não se precisa fazer “média”, algo que a maioria das famílias na mesma situação, preferem fazer.

Entre algumas situações, no foco principal temos Junon, a mãe, interpretada por Catherine Deneuve, com uma doença grave, precisando de um doador de medula. É gostoso ver Deneuve num papel ambíguo como Junon, ora boa mãe, ora uma megera.

Ironicamente, seu doador compatível é Henri (Mathieu Amalric ), o filho que ela odeia. Os dois vivem se alfinetando o tempo todo. Henri se vê socialmente ou convencionalmente obrigado a fazer essa doação. Mais uma vez, o sangue aparece impondo uma união, que no fundo, realmente não existe.

 

 

Em certo momento, Junon fala pra ele, “Meu corpo está rejeitando seu sangue veja” mostrando manchas pelo corpo após a doação. Isso sintetiza o que sentem um pelo outro.

Nada de moralismo barato, aqui, o texto é sarcástico, ácido e explícito. A família, se tolera, e em alguns momentos, até se diverte, mas nunca esquecendo de suas diferenças.

Um ponto interessante é a fotografia. Realizada como um grande vídeo de família. Muita câmera na mão, o mais naturalista possível, com alguns momentos como vídeos ou fotografias antigas de família. Muito interessante a idéia da fotografia.

Teria tudo para ser um ótimo filme. Boa premissa, ótimo elenco, boa fotografia, mas cai em alguns pontos. Os personagens tentam explicar muito tudo que fazem. Ou seja, o filme tenta o tempo todo explicar as ações seus personagens, e isso é um erro primário de roteiro. Também poderíamos ter uma hora a menos de projeção, o filme é muito longo com sua duas horas e meia. Fica cansativo demais.

Ainda assim, mesmo com esses pontos negativos. Um Conto de Natal” é um filme interessante. Talvez por ser diferente da maioria dos filmes de Natal que estamos acostumados a assistir. Nada de milagres ou finais cheios de lágrimas. É frio e denso, como natal.

Jair Santana

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