“Rebobine Por Favor”, Michel Gondry, 2008

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Rebobine Por Favor

Ao contrario da maioria do público, que vê o filme como uma grande comédia de paródias, ou dos críticos, que vêem o filme como um debate com a questão memória / tempo, vi, “Rebobine Por Favor”, o novo filme de Michel Gondry, como uma grande ode ao cinema.

Algo meio “Cinema Paradiso”. Claro, cada um em seu estio e tamanho. “Cinema Paradiso” é mais denso e poético, por exemplo. “Rebobine Por Favor” é mais leve e, digamos assim, afetuoso.

Parece uma grande declaração de amor ao cinema pop das décadas de 80 e 90, que provavelmente tiveram algum contato na vida do diretor.

Na verdade, Michel Gondry ficou primeiramente conhecido como diretor de videoclipe, como alguns da cantora Bjork, Massive Attack, Beck, The White Stripes e Radiohead por exemplo.

Gondry nasceu na França, em apenas seu segundo filme, ganhou grande reconhecimento internacional, com seu filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, ganhador do Oscar de melhor roteiro original. Roteiro esse que escreveu ao lado de Charlie Kaufman.

Reconhecido por deslumbrantes efeitos visuais, tanto em seus clipes como em seus filmes, “Rebobine Por Favor” é totalmente avesso a isso. Nada de grandiosos efeitos, apenas a criatividade e materiais toscos, para reproduzir grandes sucessos do cinema comercial.

 

 

Tudo na verdade parece uma grande brincadeira. Porém, dentro dessa brincadeira, Gondry levanta questões interessantes, que vão desde memória versus o novo, e essa memória vai da histórica a afetiva. Como filmes “suecados”. Expressão criada por eles.

Até que ponto, uma obra de arte, seja ela um grande quadro, uma música ou um filme, popular ou não, pode ser copiado, não como autêntico, mas pode ser lido de uma outra forma, sem que possa haver, negociação no meio.

Uma obra de arte deve ter seu acesso facilitado ou dificultado ao grande público? Deve, ou pode existir, ganhos a partir de uma releitura teatral, cinematográfica, musical ou seja lá o que for? O dinheiro é mais importante que qualquer obra de arte (daí as negociações de direitos autorais)? O que devemos considerar obra de arte e objetos comerciais apenas? O que é arte?

Pode-se pensar nisso tudo no filme, ou apenas, divertir-se. Pois “Rebobine Por Favor” é assim. Podemos fazer várias leituras. Como toda e qualquer obra de arte, não há preto no branco.

O final do filme em especial é um grande presente. Nada é fechado. Não sabemos se o final será feliz ou triste. Temos uma bela exibição, e uma questão a se resolver em seguida. Mas façamos melhor, ou melhor, Gondry nos deixou mais confortáveis. Deixamos em aberto. Para que finalizar?

Jair Santana

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