“Tropa de Elite”, José Padilha, 2007

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Tropa de Elite

Nunca na historia recente do cinema brasileiro, um filme, causou tanto burburinho antes mesmo de sua estréia.

Acho maravilhoso ele causar tanta polêmica. Acho que o verdadeiro cinema é isso. Cinema tem que fazer você sentir alguma emoção. Seja medo, alegria, incomodo, ira, enfim, despertar algo dentro de seus espectadores, ou fazer pensar, como “Tropa de Elite”.

Não o classificaria simplesmente como um filme político. Ou mesmo apolítico. É acima de tudo um romance, uma ficção, realizado por um diretor que veio da classe média, e quea classe média brasileira, se incomodar. Ou por se identificar e ter medo dessa identificação, ou por concordar e apoiar a tudo que estava vendo no filme. O Capitão Nascimento, representa a mentalidade classe média brasileira, ou pelo menos de grande parte dela.

Adoro um cinema que nos faz pensar. Acho que “Tropa de Elite” tem essa força. Desde antes de chegar ao c inema, durante os milhares de DVD´s piratas. Muitos que tem discursos politicamente corretos ja baixaram da internet, ja compraram dvd´s piratas e “metem o pau” no capitão.

O filme trouxe a tona o debate da linha tênue entre a justiça legal, e a justiça a qualquer preço. Ou melhor ainda, trouxe a tona sobre “o que é justiça?”

Alguns dos maiores colunistas do país, como Arnaldo Bloch, Arthur Xexeu, Arthur Dapieve, o próprio Wagner Moura, ator principal do filme…todos ja falaram, filosofaram, escreveram sobre o “Tropa de Elite” em alguns dos principais jornais do país.

O filme foi ainda, capa das principais revistas semanais brasileiras, assunto nos principais jornais, para somente depois de tudo isso, chegar as salas de cinema e poder ser assistido pelo grande público.

José Padilha, o diretor do filme, foi produtor de filmes como “Estamira” e “Os Carvoeiros”,  e produziu e dirigiu “Ônibus 174”. Logo se percebe, que seu cinema, sempre teve um cunho de denuncia social. Sempre teve a intenção de mostrar assuntos que a maioria das pessoas que tem acesso ao cinema, preferem se manter obtusos sobre esses assuntos, por um simples motivo. Não se sentem atingidos diretamente. E esse é o ponto de “Tropa de Elite”. Mostrar o quanto tudo, se entrelaça

O filme, fará com que muitos se sintam vingados, como em “Dogville” ou ainda se sentirão tocados com a cruel realidade como em ” Crash”, muitos ainda apenas se divertirão como em “Guerra dos Mundos“. “Tropa de Elite” já nasce como um clássico do cinema brasileiro, como “Cidade Deus”

Na verdade, talvez o “Tropa de Elite” só exista graças ao “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles. Foi Meirelles quem abriu esse debate da violência urbana tão próximo da classe média, e realizou um romance, que beira o documental, na linguagem de roteiro, de câmera, forma de interpretação e serviu como marco, não só para o cinema nacional mas para o mundial.

Com o “Tropa de Elite”, o foco sai da favela, e vem para o outro lado. O da policia. Ou ainda, o da fragilidade da justiça, da policia brasileira, do envolvimento da classe média com o tráfico e a “culpa” que essa classe média tem do tráfico de drogas.

Linguagem também documental, fotografia de Lula Carvalho, com muita câmera na mão, luz e interpretações mais naturalistas possíveis, o filme chamou atenção não somente no Brasil, mas pelo mundo. Foi vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, um dos mais importantes prêmios do cinema mundial.

Claro que na maioria dos mercados, “Tropa de Elite” chega acima de tudo como um cinema de ação. Poucos fora do Brasil, entenderão que tudo aquilo ali apresentado no filme, é a realidade brasileira.

As interpretações, em especial de Wagner Moura, André Ramiro e Caio Junqueira estão ótimas. Em especial claro, Wagner Moura, que rouba a cena toda vez que entra em quadro. Wagner prova ser um dos mais versáteis e ousados atores de sua geração. Dá um carisma até perigoso para o seu personagem, Capitão Nascimento, que graças a esse carisma, passou a ser adorado pelo público. O que talvez, não seja a intenção do diretor.

“Tropa de Elite” divide opiniões. Não pelo filme que é, mas principalmente pela mensagem que passa, ou melhor ainda, pelo debate que levanta. A justiça a qualquer preço vale? A culpa do que vivemos no país é da classe média? Queremos um Capitão Nascimento como herói ou como vilão?

Jair Santana

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