“A Fruta e a Casca”, Manuel dos Prazeres

a-fruta-e-a-casca-298cc1

Fotografia Silvana Marques

Interessante trabalho de pesquisa de Manuel dos Prazeres, que resultou na peça “A Fruta e a Casca”, encontro de duas Capitus, de Dom Casmurro. Uma mais velha exilada na Suíça, e a outra, ou melhor, a mesma Capitu, mais nova, antes de se casar com Bentinho.

Helena Varvaki e Bianca Comparato dão vida a essas Capitus, sob a direção e o texto de Manuel dos Prazeres, em peça em Cartaz no Teatro Café Pequeno , no Leblon, Rio de Janeiro, até o dia 15 de fevereiro de 2009.

Helena Varvaki e Bianca Comparato se conheceram nas gravações do filme “Anjos do sol”, de Rudi Lagemann. Essa parceria, o texto, enfim, a peça, tem sido sucesso de crítica e público, até mesmo por isso, está em sua segunda temporada.

Bianca vem provando estar acima da classificação de atriz global. Tem marcado presença sim em novelas “Belíssima” e “Beleza Pura”, no cinema com “Anjos do Sol” apresentando um belíssimo trabalho, no teatro com peças como “Últimos Remorsos Antes do Esquecimento”, montagem da Cia Os Dezequilibrados, e agora em mais um projeto “A Fruta e a Casca”. Bianca tem arriscado, e, apesar de seu rosto angélica, tem apresentado papeis mais densos, mais adultos.

Helena Varvaki tem feito apenas pequenas participações em televisão. A maior parter de seu trabalho tem alternado entre cinema e teatro. Esteve em curtas como “A Encomenda” de Alan Minas ao lado de Othon Bastos, e “Penélope”, onde divide a direção com Célia Freitas. No teatro, ficou conhecida com a personagem Sebastiana, de “A Aurora da Minha Viva”, texto e direção de Naum Alves de Souza, em 1984.

Manuel dos Prazeres nos leva a uma viagem gostosa, da premissa de uma possibilidade, onde um mesmo personagem se depara pra conversar com ele mesmo, em dois momentos tão distintos. Ainda mais, imaginar isso, de um dos personagens mais interessantes da literatura brasileira, que é a Capitu de Dom Casmurro.

Aqui, Capitu está com um filho de 20 anos, já separada de Bentinho, morando na Suíça, então, encontra Capitu com 24 anos, no dia que decidiu casar com Bentinho. O encontro dessas duas Capitus, torna-se então, tão interessante quanto a grande questão sobre a possível traição de Capitu.

Capitu, diferente da que está delimitada dentro do livro Dom Casmurro, passa a ter passado e futuro, passa a divagar sobre seus sentimentos, suas angustias, seus sonhos e suas paixões.

Ela se questiona. Seu futuro tenta orientar seu passado, e essa brincadeira, bem realizada, e com o cuidado de se tratar dessa personagem tão polêmica, desperta em seu público uma gostosa e encantadora curiosidade sobre ela. A Capitu de Dom Casmurro.

Jair Santana

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: