“A Má Educação”, Pedro Almodovar, 2004

maeducacaoQuando criança, Ignacio (Gael Garcia Bernal) estudou em um colégio interno católico. Lá ele sofreu abusos sexuais por parte de seu professor de Literatura, o padre Manolo (Daniel Gimenez, que marcaram sua vida para sempre. Ignacio se apaixona por um colega do colégio, Enrique (Fele Martínez), que termina sendo expulso por ciúmes do Padre Manolo.. Vinte anos mais tarde, Ignacio reencontra Enrique, com quem relembra várias histórias do passado de ambos no colégio e por fim …bom … acreditem existe mais trama ainda nesse filme. Só vendo.

Pedro Almodóvar é um diretor sempre polêmico, inteligente, ousado. O melhor de tudo é que ele não cria uma polêmcia gratuita. Não ataca. Faz pensar. Assim foi em “Maus Hábitos”, em “Tudo sobre minha mãe” e “Fale com Ela”.

Agora em “A Má Educação” almodovar não ataca a igreja, não diz que seu herói é perfeito. Eu diria que Almodovar faz o filme no estilo “noir”, como fez em “A Lei do Desejo”.

Mais uma vez também,  Almodóvar faz um filme tecnicamente perfeito. Fele Martínez (Enrique Goded)e Gael Garcia Bernal (Ignácio / Zaíra) estão ótimos, fortes, convincentes. Infelizmente a participação Leonor Watling (Mônica) é pequena, pois ela é linda e além de uma atriz maravilhosa, trabalhou com Almodoar em “Fale com Ela”.


 

“Má Educação” foi o primeiro filme espanhol a abrir o festival da Cannes. Recebeu 7 indicações ao European Film Awards ( Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Diretor – Júri Popular e Melhor Ator – Júri Popular -Fele Martinez).

Realmente a trilha é um show a parte, o que também já uma característica dos filme de de Almodóvar. Trilhas fortes e marcantes.

Não é dos melhores filmes do diretor, não está entre seu top 3, mas “A Má Educação” ´e um ótimo filme. “Fale com Ela” pra mim, é o grande filme da vida de Almodóvar. Costumo falar que é o “Hor Concours”. da carreira do diretor.

“A Má Educação” lembra seus filmes em muitos momentos, seus outros filmes, talvez por isso não seja o melhor dele. É uma historia que parece de alguma forma, já ter sido contada por ele mesmo. Paixões arrebatadoras, frustrações, política de costumes que impendem o afloramento de sentimentos verdadeiros.

Enfim, o diretor é rei em criar personagens realmente humanistas. Que amam, odeiam, que sentem medo, personagens que acordam sem parecer maquiados, que se desarrumam, Almodóvar cria pessoas reais.

Não atoa, Pedro Almodóvar, não é um diretor somente espanhol, mas sim, um dos maiores mestres do cinema mundial da atualidade.

Jair Santana

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