“A Época da Inocência” – Martin Scorsese, 1993

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A Época da Inocência

O filme, projeto trocado entre ele e Spielberg, que pegou de Scorsese “A Lista de Shindler” foi o melhor que poderia acontecer para os dois diretores. Spielberg foi vencedor de 3 Globos de Ouro e 7 Oscars com seu filme.

“A Época de Inocência” conta a historia de um amor não realizado entre o advogado Newland Archer (Daniel Day-Lewis) e a condessa Ellen Olenska (Michelle Pfeiffer ) recém chegada  em uma Nova York conservadora do século dezessete. Para dificultar mais que, somente as idéias liberais da condessa inglesa se chocando conservadora Nova York, Archer está de casamento marcado com uma prima da Olenska, a encantadora May Welland, uma bela jovem da aristocracia local. Quem dá vida a May Welland é Winona Ryder, vencedora do Globo de Ouro pelo papel, além de também concorrer ao Oscar.

O roteiro é adaptação do livro livro de Edith Wharton, roteirizado por Jay Cocks e Martin Scorsese. Se vê um trabalho sem pontas de roteiro. Com sutileza e sensibilidade. A direção de arte de Speed Hopkins e Jean-Michel Hugon é de uma trabalho de pesquisa impressionante. As cenas do baile, de preparação de jantares são de uma riqueza de detalhes que lhe valeram o Oscar de melhor direção de Arte.

Outro ponto fortíssimo no filme é são as belíssimas músicas de Elmer Bernstein. O filme perderia força com certeza sem as músicas de Bernstein. Sequências como a do baile, tornam-se inesquecíveis também graças a música.

As maiores historias de amor, são aquelas de amores impossíveis de ser realizar. No caso de “A Época da Inocência” Archer tem que decidir entre a paixão por Olenska e amor por May. Apesar de parecer uma historia repetida, a delicadeza de como é contada, os conflitos culturais e morais paralelos do filme, o deixam mais ricos e interessante.

Existe uma sequência que sintetiza todo filme. Archer, ao tentar abandonar seu noivado para ficar com Olenska, vai atrás dela em um deck, então ele joga a decisão para sorte. E por uma virada de olhar, ou não, ele toma a decisão de ficar ou não com Olenska. Essa sequência é belíssima.

Anos mais tarde, o que Archer pode fazer, é ficar com a lembrança de sua paixão, ou viver arrependido de não ter vivido. E esse questionamento é outro ponto interessante trabalhado no filme.

Scorsese teve em minha opinião, sua direção mais sensível em “A Época da Inocência”. Seus filmes, sempre são perfeitos tecnicamente falando. Não temos o que falar de sua técnica perfeccionista. Porém, em sua maioria, sinto pouca entrega emocional, e aqui, ele parece totalmente entregue e apaixonado pelo trabalho que está realizando.

Sem contar ainda com as interpretações maravilhosas do trio central, Daniel Day-Lewis (Newland Archer) Michelle Pfeifer (Ellen Olenska) e Winona Ryder (May Welland). A sintonia entre eles e a entrega a seus personagens são magnificas.

É um filme para se ver e rever. É um filme para quem é apaixonado ou já se apaixonou, para quem ama ou já amou, é um filme de uma técnica e pesquisa histórica fantásticas. É um cinema completo.

Jair Santana

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