“O Castelo Animado”, Hayao Miyazaki, 2004

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Castelo Animado

Mais uma fantástica animação de Hayao Miyazaki, mesmo diretor de “A Viagem de Chihiro” em 2001. Concorreu ao Oscar de melhor animação, perdeu para “Procurando Nemo” que é bom, porém inferior a “Castelo Animado’.

Mais uma vez Miyazaki nos coloca em um mundo de grande fantasia, entres magos, um heroi amaldiçoado, monstros, enfim, personagens que só existem em sonhos e contos de fada.

Na verdade em muitos pontos, “O Castelo Animado” se iguala com “A Viagem de Chihiro”, o que para alguns pode ser algo ruim, funcionando como uma repetição, e para outros ótimo. Porém mais que pontos parecidos, acho que o de fato é inconfundível é o estilo de Miyazaki. Dos traços a narração. Sua direção e técnica são de uma sensibilidade impar.

Diferente de “Akira” de Katsushiro Ôtomo , que era uma ficção densa e pesa (e maravilhosa também), “O Castelo Animado” é uma fábula, diferente das fábulas ocidentais, não há pragmatismo, se saber quem é bom ou mal não é o que mais importa no filme, se é que existe um lado bom e outro mal. O que importa realmente é a natureza de cada personagem, a individualidade, o porque de cada ação dentro daquela diegese.

 

 

“O Castelo Animado” não é um filme infantil lógicamente, é dificil para criança, mas o engraçado é que, ainda assim, elas ficam maravilhadas com o filme, talvez pela aguçada semsiblidade que lhes cabe, e de uma maneira ou de outra, elas embarcam no filme, talvez por se encatarem com bruxas e principes, ou simplesmente com a fantasia.

“A Viagem de Chihiro” ganhou o Oscar de melhor animnação em 2003 e foi o primeiro longa em animação a ganhar o Urso de Ouro em Berlim. “O Castelo Animado” não conseguiu a mesma façanha, não por desmerecer, mas porque não é mais uma novidade como foi o primeiro.

Mas ainda assim, assim como “A Viagem de Chihiro”, Miyazaki fez de “O Castelo Animado” um belo e imperdível filme. Não pragmático, não datado, inteligente e sensível. Desses, para se ter em casa, e assistir sempre que se quiser sair do mundo real.

Jair Santana

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“Jardineiro Fiel” – Alberto Iglesias

Filme: Jardineiro Fiel
Diretor: Fernando Meirelles
Ano: 2005
Composição: Ayubi Ogada
Música: Kothbiro
Trilha Sonora do Filme: Alberto Iglesias

 

“Central do Brasi” -Antônio Pinto e Jacques Morelembaum

Filme: Central do Brasil
Diretor: Walter Salles
Ano: 1998
Música: Tema Central do Brasil
Composição: Antônio Pinto e Jacques Morelembaum

 

“Minha Vida Sem Mim” – Gino Paoli

Filme: Minha Vida Sem Mim
Direção: Isabel Coixet
Ano: 2003
Compositor: Gino Paoli
Responsavel Pela Trilha do Filme: Alfonso Vilallonga 


“A Época da Inocência” – Martin Scorsese, 1993

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A Época da Inocência

O filme, projeto trocado entre ele e Spielberg, que pegou de Scorsese “A Lista de Shindler” foi o melhor que poderia acontecer para os dois diretores. Spielberg foi vencedor de 3 Globos de Ouro e 7 Oscars com seu filme.

“A Época de Inocência” conta a historia de um amor não realizado entre o advogado Newland Archer (Daniel Day-Lewis) e a condessa Ellen Olenska (Michelle Pfeiffer ) recém chegada  em uma Nova York conservadora do século dezessete. Para dificultar mais que, somente as idéias liberais da condessa inglesa se chocando conservadora Nova York, Archer está de casamento marcado com uma prima da Olenska, a encantadora May Welland, uma bela jovem da aristocracia local. Quem dá vida a May Welland é Winona Ryder, vencedora do Globo de Ouro pelo papel, além de também concorrer ao Oscar.

O roteiro é adaptação do livro livro de Edith Wharton, roteirizado por Jay Cocks e Martin Scorsese. Se vê um trabalho sem pontas de roteiro. Com sutileza e sensibilidade. A direção de arte de Speed Hopkins e Jean-Michel Hugon é de uma trabalho de pesquisa impressionante. As cenas do baile, de preparação de jantares são de uma riqueza de detalhes que lhe valeram o Oscar de melhor direção de Arte.

Outro ponto fortíssimo no filme é são as belíssimas músicas de Elmer Bernstein. O filme perderia força com certeza sem as músicas de Bernstein. Sequências como a do baile, tornam-se inesquecíveis também graças a música.

As maiores historias de amor, são aquelas de amores impossíveis de ser realizar. No caso de “A Época da Inocência” Archer tem que decidir entre a paixão por Olenska e amor por May. Apesar de parecer uma historia repetida, a delicadeza de como é contada, os conflitos culturais e morais paralelos do filme, o deixam mais ricos e interessante.

Existe uma sequência que sintetiza todo filme. Archer, ao tentar abandonar seu noivado para ficar com Olenska, vai atrás dela em um deck, então ele joga a decisão para sorte. E por uma virada de olhar, ou não, ele toma a decisão de ficar ou não com Olenska. Essa sequência é belíssima.

Anos mais tarde, o que Archer pode fazer, é ficar com a lembrança de sua paixão, ou viver arrependido de não ter vivido. E esse questionamento é outro ponto interessante trabalhado no filme.

Scorsese teve em minha opinião, sua direção mais sensível em “A Época da Inocência”. Seus filmes, sempre são perfeitos tecnicamente falando. Não temos o que falar de sua técnica perfeccionista. Porém, em sua maioria, sinto pouca entrega emocional, e aqui, ele parece totalmente entregue e apaixonado pelo trabalho que está realizando.

Sem contar ainda com as interpretações maravilhosas do trio central, Daniel Day-Lewis (Newland Archer) Michelle Pfeifer (Ellen Olenska) e Winona Ryder (May Welland). A sintonia entre eles e a entrega a seus personagens são magnificas.

É um filme para se ver e rever. É um filme para quem é apaixonado ou já se apaixonou, para quem ama ou já amou, é um filme de uma técnica e pesquisa histórica fantásticas. É um cinema completo.

Jair Santana