“O Silêncio de Lorna” – Luc Dardenne e Jean-Pierre Dardenne, 2008

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O Silêncio de Lorna

Ffilme dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, vencedor do prêmio de melhor roteiro em Cannes, carregando todo peso e responsabilidade que um projeto de vencedores pode trazer.

Seus filmes sempre são esperado com certa espectativa. Os Dardenne, que já ganharam a Palma de Ouro em Cannes, ou melhor, duas palmas de ouro, por “Rosetta” (1999) e “A Criança” (2005). E com o “Silêncio de Lorna”, por pouco não levam a terceira.

No filme, o “silêncio” da personagem título, é como uma conformação por toda pressão e angustia vivida por Lorna, diante da mudança, da busca por uma vida normal e estável.

“O Silêncio de Lorna” um filme contido, sério, crítico. O filme discute entre outras coisas, um assunto que está sendo abordado por vários diretores ultimamente, como em “Do Outro Lado” de Eran Riklis e “Horas de Verão”  de Olivier Assayas, que é a falta de identidade nacionalista.

No filme, Lorna casa em busca da nacionalidade belga, para poder entrar de sócia em uma lanchonete com o namorado. Seu casamento, com um belga envolvido com drogas, torna ua vida um inferno. Lorna acaba, sem querer, tornando-se responsável pela vida de seu marido Claudy. E ainda assim, em determinado momento, é obrigada por um mafioso, que lhe arranjou o casamento, a matar Claudy, para conseguir dinheiro com outro casamento arranjado.

O medo do novo, o medo da solidão, Lorna, interpretada por Arta Dobroshi, é um mix de sentimentos fortes, que explodem numa gravidez, ou suposta gravidez da personagem.

A fotografia naturalista, o pouco uso das cores, e mesmo o clima frio e o céu acinzentado da cidade, dão um tom melancólico ao filme, ambientado numa cidade qualquer da Bélgica.

Temos ainda participação impressionante é de Jérémie Renier, como o personagem Claudy. Marido de Lorna. Jérémie Renier por sinal faz seu segundo trabalho com os Dardene. Esteve em “A Criança”, e recentemente com Olivier Assayas em “Horas de Verão”.

Claudy é viciado em cocaina, rejeitado pela família, Lorna é seu único ponto de apoio, e de uma maneira ou de outra, a única pessoa que se importa com ele. O trabalho do ator Jérémie é convincente e impressionante.

“O Silêncio de Lorna”, é um filme imperdível. Retrato de um novo cinema europeu, mais que isso, retrato de um cinema, que independe de nacionalismos, formalismos, que independe de normas diegéticas.

Jair Santana

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