“Feliz Natal”, Selton Mello, 2008

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Feliz Natal

Esperava bem mais do primeiro filme de Selton Mello, um dos melhores e mais atuantes atores docinema brasileiro desde a retomada. “Feliz Natal” é literalmente um filme de ator, e acaba se perdendo muito em outros aspectos. 

Talvez, nesse ponto, o da minha espera, o erro seja realmente meu de esperar que filme, consiga suprir as MINHAS espectativas.

Selton Mello tem uma filmografia variada. De filmes populares como “O Alto da Compadecida” e “Meu Nome
não é Johnny”
, filmes mais alternativos como “Cheiro do Ralo”“Árido Movie”, passando por “Lavoura Arcaica”, o filme  nacional mais cultuado pela crítica nos últimos anos.

Em “Feliz Natal”, Selton assina a direção, edição e dividindo o roteiro com Marcelo Vindicatto, o que para uma primeira direção, é um certo acumulo de funções, e isso acaba sendo refletido no resultado do filme, um filme pretensioso e hermético.

Selton com toda certeza, até pela sua historia, sempre envolvido em artes de uma maneira mais ampla, seja teatro, TV, música ou cinema, tem boa cultura cinematográfica, e talvez por ansiedade, quis despejar todas suas refências visuais e cinematográficas em seu primeiro filme.

É evidente a referencia de Selton a Cassavetes e Lucrecia Martel, por exemplo, mas em seu primeiro filme, Selton ainda não apresenta a genialidade de nem um dos dois.

“Feliz Natal” é um filmes de climas, situações soltas e nunca explicadas, surrealismo, drama familiar, relacionamentos. Tudo, contribui para tornar o filme cada vez mais confuso confuso.

Elenco curioso, formado por atores esquecidos como Paulo Guarnieri e Darlene Glória, ou ainda como nomes atuais e promissores como Graziela Moreto e Leonardo Medeiros

Inquestionável o bom trabalho de direção de atores que o filme apresenta. E dentro da construção dramática do filme, isso é bem explorado. Todos têm seu momento, como se entrassem e saíssem de cena do palco. E Selton deu liberdade de criação para essas interpretações, inclusive permitindo interferências dos atores em suas falas. Nesse ponto, o acerto é muito claro.

Mas o ator Selton Melo para que esqueceu a premissa básica para um bom filme, cinema é acima de tudo, uma historia bem contata. Sim, aliado à técnicas, mas o roteiro é literalmente, o inicio de tudo.

Fazer um filme é antes de mais nada, ter algo da dizer, ter uma historia pra contar. E o roteiro de “Feliz Natal” é fraco, muito fraco. Cheio de momentos fortes, que nunca fazem sentido nem um. Tudo é mal explicado, parece uma junção de pequenos curtas com os mesmos personagens.

A fotografia granulada de Lula Carvalho, lembra a de Hugo Colace em “Pântano” de Lucrecia e também parece repetir o mesmo estilo em “ A Festa da Menina Morta” de Matheus Natchergaele. Porém, acho que as vezes a fotografia peca em seu tom documental, ficando escura e perdida em seus movimentos.

Outro erro de Selton, foi a edição assinada por ele. O filme ficou cheio de picotes de cenas e elipses temporais confusas. Notadamente a falta de experiência falou mais alto aí.

O formato do cinema nacional hoje, dá liberdade de construirmos uma historia cinematográfica de cinema de autor. Nossas produções, em sua maioria, não são definidas visando público, pois não dependem do público.

Essa relação produção-público, sim tem lago positivo é claro. O lado negativo porém, fica com o descompromissado da conversa com o público. Parece que alguns diretores, fazem do cinema uma grande masturbação artística, onde só ele mesmo é produtor e redentor de prazer.

Feliz Natal” tem a pretensão de querer ser um filme “Cult”, cheio de referências e citações obvias, mas formalismo por formalismo não dá. Referencia todos temos, para o bem ou para o mal. O que se deve, é usar as referencias para se construir algo próprio, e não citar apenas por citar.

Sim, o filme tem qualidades. Mas talvez, por ser quem é, Selton seja mais cobrado do que se fosse um anônimo diretor estreante. Mas, na hora de se realizar seu primeiro filme, quando não se é um gênio, o melhor que tem que fazer, é um “feijão com arroz”, para depois se fazer algo mais elaborado. A humildade numa hora dessas, é a melhor das virtudes.

Jair Santana

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