“Lemon Tree”, Eran Riklis, 2007

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Lemon Tree

Diretor israelense de comerciais de tv, curtas e séries, Eran Riklis realiza aqui, seu segundo filme, um filme acima de tudo, sensível, bonito e imparcial.

Salma Zidane, interpretada pela atriz Hiam Abbass, é uma solitária viúva palestina que cuida de um pomar de limoeiros, herdados de seu pai, e dele tira seu sustento e ocupa sua vida além de enganar a sua solidão. Seus filhos, já crescidos tomaram rédea de suas próprias vidas. Sua filha, casou-se e mora com o marido não tão distante da mãe, e seu filho, foi morar nos EUA, onde trabalha em um bar.

Mais que uma briga do fraco contra o forte, o filme mostra como cada um dos lados tem sua razão. De um lado, os judeus, constantemente ameaçados por terroristas, homens bombas, atentados. Do outro, o povo palestino, que nada tem haver com a luta política, e quer levar ali, a vida que sempre levou, mesmo antes da criação do Estado de Israel.

Baseado em fatos reais, e dramatizados e ampliados pelo roteiro da jornalista Smadar Yaaron e do diretor Eran Riklis. Filho de um ex-consultor científico do consulado israelense no Rio de Janeiro, o cineasta já viveu no Brasil, entre 1968 e 1971.

Aqui, a luta pela existência ou não de um limoeiro, sintetiza essa grande briga política. Alertado por seus seguranças sobre a possibilidade de um atendado a sua vida ou de sua esposa, o Ministro da Defesa de Israel, visinho do pomar de limoeiros, manda derrubar o pomar. Então, Salma entra na justiça pra tentar proteger sua herança familiar.

Em um estado feito realmente para homens, o roteiro coloca bem, a fragilidade feminina naquela região. Tanto Salma, a humilde viúva palestina, quanto Mira, a esposa do Ministro da Defesa, são repreendias e moldadas o tempo todo pelo mundo em sua volta.

Salma é reprovada e ameaçada por vários amigos de sua família, pelo comportamento suspeito com seu advogado, Ziad Daud (Ali Suliman, de “Paradise Now”). Mira, vive a vida de seu marido, Além de aceitar seus flertes com suas assistentes, leva uma vida de prisioneira rica em sua mansão, impossibilitada sequer de dar opinião sobre a questão dos limoeiros.

Interessante notar também, como tanto o filho de Selma, como a filha de Mira e do ministro da defesa de Israel, saíram de seu país em busca de um realidade distante da que seus pais levam ali, e foram morar nos EUA. Mais uma vez, o cinema retrata a questão da falta de identidade nacionalista da geração mais recente. Assim como em “Horas de Verão”  de Olivier Assayas e “Do Outro Lado” de Fatih Akin.

Ao fim do filme, a irônica realidade. Toda briga judicial, toda briga política, poderia ter sido resolvida com apenas, a construção de um muro. O que evitaria um atentado ao Ministro e a derrubada do pomar de Salma.

“Lemon Tree” é um ótima pedida. Não para tomar partido, mas pra entender um pouco, de como essa guerra entre palestinos e judeus, afeta não somente ao Estado, mas a todo indivíduo, que tem sua raiz naquela região.

Como comentei anteriormente, é um filme sensível, com bela música, boa decupagem, ótimas interpretações. O cinema Israelense tem apresentado filmes humanistas e questionadores. E dentro desse cinema, o diretor Eran Riklis através de seu filme, trata essas questões políticas com muita sobriedade.

Jair Santana

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