“Queime Depois de Ler”, Joel e Ethan Coen, 2008

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"Queime Depois de Ler"

Brilhante. Essa é a melhor definição para o filme “Queime Depois de Ler” dos irmãos Joel e Ethan Coen. Filme de abertura do Festival de Veneza de 2008, faz uma bela crítica ao governo Bush e suas trabalhadas de política externa, uma bela crítica, ou melhor ainda, uma ridicularização ao “American way of life”, ou como alguns costumam chamar, o modo de vida do “americano médio”.

O filme é tão ácido e crítico quanto o anterior “Onde os Fracos Não Tem Vez”, porém mudando totalmente o tom, de drama para comédia. E uma comédia de erros, tudo vai se atrapalhando cada vez mais, de uma maneira inteligente, bem amarrada e com interpretações fantásticas.

Claro que muitos verão apenas como uma maravilhosa comedia, mas os Coen não estão a toa, e seus filmes, sempre apresentam algo mais do que simplesmente você identifica numa olhada superficial.

Todos os personagens são como uma partícula do que é os EUA de hoje, principalmente agora, final da era Bush. A paranóia de perseguição do personagem de Cloney por exemplo, o investigador federal Harry Pfarrer, como o próprio EUA, Harry acha sempre que o mundo o persegue, essa paranóia americana reforçada no governo Bush, principalmente depois do 11 de setembro.

A CIA é um amontoado de agentes atrapalhados e sem rumo. A começar do próprio personagem, Osbourne Cox , interpretado por John Malkovich, que é rebaixado por “problemas com o álcool”, acusação essa, que parte de um agente que é Mormo, que segundo Osbourne, qualquer um teria problemas com álcool para um Mormo.

E assim continuam as piadas afiadas, criticando a ditadura de “moral e bons costumes”, que o “americano médio” tanto valoriza, por mais hipócrita e irracional que sejam esses costumes.

E as paranóias americanas não param por ai. Também temos a personagem da ótima Frances McDormand, Linda Litzke em busca de sua cirurgia plástica, Temos então a crítica da busca pela perfeição física. E boa parte do filme é praticamente é movimentado para esse fim. A cirurgia plástica de Linda.

Na verdade, o filme, é uma grande sacada, de onde nada é o que realmente é. Nem o próprio  filme, que pode ser vendido como um grande thriller policial e é uma grande comédia. E assim são todos os personagens e situações do filme. Espionagens que não existem, traições, um cd secreto com informações bobas, enfim, NADA É O QUE PARECE.

Os irmãos Coen dão um show de direção, da escolha do elenco, com nomes como Brad Pitt, ótimo no papel do loiro burro Chad, Tilda Swinton, George Cloney, John Malkovich e Frances McDormand. Acertam também na bela trilha sonora de Carter Burwell , tudo é muito bem casado. O filme na verdade é uma bela surpresa, não pelos seus acertos, mas pela leveza apresentada principalmente depois do pesado e denso “Onde os Fracos Não Tem Vez” , vencedor do Oscar de 2008.

“Queime Depois de Ler” é uma ótima comedia de erros, mas não pode ser vista simplesmente como comédia. É um filme acima de tudo inteligente, acido e critico. Como já disse anteriormente, é sim, um filme brilhante.

Jair Santana

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