“Romance”, Guel Arraes, 2008

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"Romance"

Esse novo encontro de Jorge Furtado e Guel Arraes, não chega a ser uma completa decepção, mas até pela proposta do filme, elenco e equipe técnica, o filme poderia ser bem mais do nos é apresentado.

“Romance”, o novo filme de Guel Arraes, ou melhor, de Paula Lavigne como incrivelmente e inexplicavelmente é lido na tela de apresentação, conta com um ótimo elenco, Wagner Moura, Leticia Sabatéla, Vladimir Brichta, Andrea Beltrão e Marco Nanini, a fotografia nem sempre acertada, mas ainda assim funcional de Adriano Goldman, o ótimo figuro de Cao Albuquerque, e a forçada música de Caetano Veloso .

Sim, o filme tem suas qualidades, como vontade de misturar ficção e realidade através do uso da meta-linguagem, mas essa opição acaba sendo mal usada. Guel e Furtado são ótimos roteiristas e nos dão bons momentos no filme, mas ainda que não seja um filme longo, com aproximadamente 100 minutos, o filme apresenta certa barriga, cansando o espectador.

As interpretações também são por vezes exageradas, cheias de caras e bocas, talvez pela mistura do teatro-cinema, porém perde sentido quando se está fora do jogo de cena com o teatro, e a fotografia, principalmente na primeira parte do filme, acaba exagerando junto com a interpretação, ou seja, o real problema esta na direção.

Porém, as cenas no sertão da Paraiba, são bem mais interessantes. A fotografia cresce, as atuações idem, e com destaque para Vladimir Brichta e Marco Naniini que são os dois, dos melhores pontos do filme.

O figurino, principalmente dentro do Especial de TV, é espetacular, Cao Albuquerque só faz se reafirmar como um figurinista criativo e sensível.

“Romance” também erra por querer ser didático demais. Ora explicando a dramaturgia, ora explicando o processo teatro-TV para os atores brasileiros, ora, tendo que explicar sua própria proposta.

O roteiro apresenta bons textos, com diálogos inteligentes e alguns pontos que só os que trabalham no meio de cinema, teatro e TV entenderão. Porém, isso talvez seja um problema. Interessante também a situação de se colocar a relação existente do teatro em São Paulo e o trabalho TV no Rio de Janeiro, justamente pela posição que cada meio exerce com a cidade.

“Romance” é um “Jogo de Cena”, ficcional. “Jogo de Cena” é o documentário de Eduardo Coutinho que brinca com o jogo da ficção com a realidade. Mas isso, Coutinho ou Jia Zhangke com seu “24 City” por exemplo, fazem como mestres.

“Romance” tem seus  bons momentos, porém vale muito mais pela tentativa, pela equipe e pela premissa que tem, que pelo filme que é.

Jair Santana

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