“Contato”, Robert Zemeckis, 1997

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"Contato"

“Contato” é na minha opinião é um do melhores filmes, sérios, de ficção cientifica dos últimos anos Entrando para um seleto grupo de filmes como “Blade Runner”, “O Dia em que a terra Parou” o original, “Inteligência Artificial” e Filhos da Esperança.

Com direção de Robert Zemeckis, mesmo de “Forrest Gump”, e baseado em um romance de Carl Sagan, que tambem colabora com o roteiro. O filme nos leva um possível contato com uma civilização mais avança que a nossa e muitas possibilidade de reações, sejam elas políticas ou pessoais.

O filme encanta com o rico roteiro de James V. Hart e Michael Goldenberg, pela fotografia sensível de Don Burgess, pela ótima interpretação Judie Foster, que faz um personagem humano, forte e que conquista o espectador. Judie concorreu ao Globo de Ouro de melhor atriz pelo papel.

O filme acontece, como um grande épico da ficção, no decorrer de vários anos, desde a busca pelo financiamento de pesquisas, passa pelo seu primeiro contato e vai até a construção de uma máquina para viajar pelo espaço.

Sua construção dramática não chega ser introspectiva ou poética, mas está longe de ser o tipo “video-clip” que estamos mais acostumados a ver no cinema americano.

Durante a pré-produção, ainda antes de começar as filmagens, o Carl Sagan daria uma palestra de 2 horas, para todos da equipe entrarem no clima do filme, e entenderem o que se passaria, mas a palestra acabou durando 10 horas, e ninguém queria ir embora. Isso sintetiza o quanto encantador é a historia do filme.

Carl Sagan infelizmente morreu antes do lançamento do filme, e “Contato” é dedicado a sua memória. Nada mais justo.

Interessante observar, a busca da Dra Eleonor, personagem de Judie Foster, por financiamento para suas pesquisas, seu interesse e sua força de vontade, e mais ainda, o oportunismo do governo ao tomar pra si o trabalho da Dra. Eleonor, somente quando consegue algo de concreto em suas pesquisas, financiadas até então por dinheiro privado. Algo comum de acontecer.

Outro ponto interessante abordado pelo filme são discussões filosóficas. Com o próprio debate da existencia ou não de uma civilização fora do nosso sistema solar, ou mesmo a existência ou não de Deus, e ainda como somos apegados a certos formalismos filosóficos, mais que qualquer outra coisa. No fim, não estamos muito distantes da Santa Inquisição, por mais que agora, estejamos mais civilizadamente disfarçados.

Preste atenção também na maravilhosa trilha sonora de Alan Silvestri. É emocionante, grandiosa e também melancólica, passando todas as emoções que o filme precisa. É assim que tem que ser uma boa trilha. Ser casada com tudo no filme.

“Contato” é desses filmes para ver e rever, muito bem produzido, dirigido, e com um desses personagens inesquecíveis. Um ótimo filme de Robert Zemeckis que, com muitos acertos, tem construído uma filmografia coerente ao longo de sua carreira. Com filmes ousados para o cinema americano, mesmo se utilizando de um formalismo tradicional.

Jair Santana

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“Porcelain” – Moby

Música: Porcelain
Album: Play
Ano: 1999

“Águas de Março” – Tom Jobim

Música: Águas de Março
Disco: Elis & Tom
Ano: 1974

 

“Romance”, Guel Arraes, 2008

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"Romance"

Esse novo encontro de Jorge Furtado e Guel Arraes, não chega a ser uma completa decepção, mas até pela proposta do filme, elenco e equipe técnica, o filme poderia ser bem mais do nos é apresentado.

“Romance”, o novo filme de Guel Arraes, ou melhor, de Paula Lavigne como incrivelmente e inexplicavelmente é lido na tela de apresentação, conta com um ótimo elenco, Wagner Moura, Leticia Sabatéla, Vladimir Brichta, Andrea Beltrão e Marco Nanini, a fotografia nem sempre acertada, mas ainda assim funcional de Adriano Goldman, o ótimo figuro de Cao Albuquerque, e a forçada música de Caetano Veloso .

Sim, o filme tem suas qualidades, como vontade de misturar ficção e realidade através do uso da meta-linguagem, mas essa opição acaba sendo mal usada. Guel e Furtado são ótimos roteiristas e nos dão bons momentos no filme, mas ainda que não seja um filme longo, com aproximadamente 100 minutos, o filme apresenta certa barriga, cansando o espectador.

As interpretações também são por vezes exageradas, cheias de caras e bocas, talvez pela mistura do teatro-cinema, porém perde sentido quando se está fora do jogo de cena com o teatro, e a fotografia, principalmente na primeira parte do filme, acaba exagerando junto com a interpretação, ou seja, o real problema esta na direção.

Porém, as cenas no sertão da Paraiba, são bem mais interessantes. A fotografia cresce, as atuações idem, e com destaque para Vladimir Brichta e Marco Naniini que são os dois, dos melhores pontos do filme.

O figurino, principalmente dentro do Especial de TV, é espetacular, Cao Albuquerque só faz se reafirmar como um figurinista criativo e sensível.

“Romance” também erra por querer ser didático demais. Ora explicando a dramaturgia, ora explicando o processo teatro-TV para os atores brasileiros, ora, tendo que explicar sua própria proposta.

O roteiro apresenta bons textos, com diálogos inteligentes e alguns pontos que só os que trabalham no meio de cinema, teatro e TV entenderão. Porém, isso talvez seja um problema. Interessante também a situação de se colocar a relação existente do teatro em São Paulo e o trabalho TV no Rio de Janeiro, justamente pela posição que cada meio exerce com a cidade.

“Romance” é um “Jogo de Cena”, ficcional. “Jogo de Cena” é o documentário de Eduardo Coutinho que brinca com o jogo da ficção com a realidade. Mas isso, Coutinho ou Jia Zhangke com seu “24 City” por exemplo, fazem como mestres.

“Romance” tem seus  bons momentos, porém vale muito mais pela tentativa, pela equipe e pela premissa que tem, que pelo filme que é.

Jair Santana

“Ilha das Flores”, Jorge Furtado, 1989

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Sinopse
Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.

Ficha Técnica
Direção e Roteiro: Jorge Furtado
Produção Mônica Schmiedt, Giba Assis Brasil e Nôra Gulart
Fotografia: Roberto Henkin e Sérgio Amon
Edição: Giba Assis Brasil
Direção de Arte: Fiapo Barth
Trilha original: Geraldo Flach Narração Paulo José

Prêmios e Festivais
Urso de Prata no Festival de Berlim 1990
Prêmio Crítica e Público no Festival de Clermont-Ferrand 1991
Melhor Curta no Festival de Gramado 1989
Melhor Edição no Festival de Gramado 1989
Melhor Roteiro no Festival de Gramado 1989
Prêmio da Crítica no Festival de Gramado 1989
Prêmio do Público na Competição “No Budget” no Festival de Hamburgo 1991

 
Assista Aqui:

“The Scientist” – ColdPlay

Musica: The Scientist
Album: A Rush Of Blood To The Head
Ano: 2004

“Creep” – Radiohead

Música: Creep
Album: Pablo Honey
Ano: 1993