“Gomorra”, Matteo Garrone, 2008

Gomorra

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 “Gomorra”, de Matteo Garrone, junto com “Il Divo”, Paolo Sorrentino, estão sendo considerados pelos maiores críticos internacionais como os representantes do “renascimento do cinema italiano”. Ovacionados pela não só pela crítica, mas também pelo público, saíram de Cannes em 2008, mais que festejados.

Baseado no livro de mesmo nome e fundamentado em pesquisa jornalísticas de Roberto Saviano, que está jurado de morte na Itália em função do livro. “Gomorra” tem aguçado a curiosidade e o interesse do público no mundo todo.

Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes, o filme faz uma nova leitura da máfia italiana, entrando pra o hall dos bons filmes do tema, como “Poderoso Chefão”, “Era Uma Vez na América”, por exemplo.

“Gomorra” apresenta uma máfia menos glamorosa e mais seca. Seus chefões não são romantizados como em “O Poderoso Chefão” de Coppola. Pelo contrarário, são feios, sujos e, podendo parecer trocadilho, e malvados.

A proposta é de uma narrativa voltada para se aproximar o máximo do documental. Pra isso, Garrone se utiliza de uma fotografia pouco trabalhada, suja e do grande uso de câmera na mão. Além de pouca utilização de música incidenteal e mesmo trilha sonora.

Sem um personagens central, o filme apresenta cinco situações se entrelaçam, e o que tem em comum, são as relações com a máfia, mais especificamente com a Organização Camorra. Situações não distantes das que, os residentes da província de Nápoles e Caserta, são obrigados a conviver diariamente.

O filme mostra a relação da máfia com o comércio local, com a moda, enfim, com tudo que pode render algum lucro para a organização e como tudo é controlado por eles, direta e indiretamente.

A mistura de atores e não atores, a violência e as várias historias entrelaçadas e mesmo o tipo câmera, fazem lembrar, e talvez seja uma citação proposital, do filme “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles. Inclusive, citado em várias criticas internacionais sobre o filme de Garrone.

Scorsese definiu o filme, na noite de estréia no New York Film Festival, da seguinte maneira:

“Esqueçam a narrativa tradicional. E as explicações. Aqui vocês não sabem em que país estão, não sabem em qual estrada estão. E não o saberão nunca. Estão encurralados em um outro planeta e estão sozinhos. Ninguém os socorre, não existe saída. Ou melhor, perece que a única saída para os personagens será ruim. E entenderão que este mundo vai continuar. E é uma verdadeira desgraça”.

Poucas explicações poderiam ser melhor. Garrone é pessimista. Não existe redenção, nem saída visível. Não existe controle do estado, somente o da máfia. É ela quem decide quem vive ou quem morre, quem ganha e quem perde, e quem vende ou não.

Porém, apesar de toda crítica favorável, público apostando, foi o vencedor de Melhor Filme do Festival do Rio, segundo o júri popular. Não vejo o filme como tão encantador assim. Como já foi dito, essa narrativa desconstruída e a violência exagerada, já se viu em “Cidade de Deus” ou em menor escala,Crash e “Babel”.

É um bom filme sem dúvida, mas acredito em uma superestima da crítica pelo filme e pelo próprio diretor. Não apresenta nada de novo, ou que realmente possa chocar quem já tem os filmes citados, em sua bagagem cinematográfica.

“Gomorra” foi escolhido para representar a Itália, para concorrer ao Oscar de Melhor Filme, estrangeiro. Seu maior concorrente, “Il Divo” de Sorrentino, aborda o mesmo tema. A Máfia Italiana.

Jair Santana

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