“O Nevoeiro”, Frank Darabont, 2008

O Nevoeiro

O Nevoeiro

O diretor e roteirista Frank Darabont volta com sua terceira adaptação de livros de Stephen King. As outras duas foram “Um Sonho de Liberdade” e “À Espera de um Milagre”

“O Nevoeiro” é vendido basicamente para o grande público como um filme de terror. E até certo ponto o é, e por sinal, um filme que realmente dá medo. Porém não se resume somente a isso.

A historia, é sobre um grupo pessoas preso em um supermercado de uma pequena cidade americana, em função de um nevoeiro misterioso e fatal. Esse grupo se vê obrigado a conviver e sobreviver juntos durante um tempo indeterminado.

Em meio aquele microcosmos da sociedade americana pós-11 de setembro, temos uma clara noção do quanto o medo nos torna doentes e tão fatais quanto o nevoeiro, ou seja, tão ou mais fatais que o nosso medo do desconhecido. E esse desconhecido, ali representado pelo nevoeiro, poderia ser qualquer coisa, como um pais ou uma cultura diferente por exemplo.

Dentro daquele supermercado discutiremos então, o poder das forças armadas, a imigração, o extremismo em defesa da “moral”, da família, e principalmente o estado laico versus estado religioso.

A metáfora usada por Darabont para mostrar esse conflito é usada maravilhosamente bem. O filme mostra bem como a insanidade é usada em nome do bem, em nome de Deus, com discursos não muito irreais de muitos que vemos por aí.

Fotografia monocromática, dá um clima especial ao filme. A música do grupo “Dead Can Dance”, The Host Of Seraphim, interage perfeitamente com o final do filme, frisando o mistério de tudo que ocorre no filme.

Boas interpretações, em especial da insuportável extremista religiosa interpretada por Marcia Gay Harden, de “A Naturesa Selvagem”, numa interpretação digna de premiações.

Esses debates sociais e religiosos dentro do filme acabam sendo o que realmente importa e deve-se prestar atenção em “O Nevoeiro”. As atitudes violentas que nossos medos trazem a tona. O que mais nos chama atenção é a histeria coletiva, justificada por disputa de poder, territorialismo, religião ou qualquer outra situação que tente justificar esse comportamento quase animal.

O filme em si parece defender um estado laico e liberal. E por fim, nos coloca em cheque com ceticismo do personagem principal. O fim poderia ser diferente se existisse a crença por um final feliz? O filme então coloca nossa fé em cheque.

Me surpreendi muito com o filme. Que tem um dos finais mais arrebatadores, angustiantes que vi nos ultimos anos. Apesar de beirar o cinema trash em algumas cenas, onde aparecem insetos gigantes e tentáculos asquerosos, “O Nevoeiro” vale a pena a ida ao cinema, e se prestar atenção nas entrelinhas do filme.

Jair Santana

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2 Respostas

  1. este é sem duvida uns dos melhores filmes q assisti na minha vida. parabens… o final é legal.

  2. Olá,
    Ao assistir esse filme, me fez reportar um outro filme, onde o nevoeiro traz algo que vai mudar a vida das pessoas para sempre. O interessante do filme, não é o quê o nevoeiro traz, mas sim, nas pessoas que estão dentro do supermercado. A ser assim, conseguimos ver retratos de pessoas bem atuais e muitas das vezes dentro da nossa própria família. Com efeito o filme é um convite a fazermos uma reflexão do quê carregamos dentro de nós! Realmente surpreendente!

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