“Os Desafinados”, Walter Lima Jr, 2008

Os Desafinados

Os Desafinados

Parece incrível, mas mesmo Walter Lima jr, com toda sua historia, sendo um dos poucos diretores do Cinema Novo que filma até hoje, demorou mais de 2 anos para finalizar seu ultimo projeto.  Por falta de dinheiro pra finalizar, pra distribuir, pra qualquer coisa, mas infelizmente, mas é assim o cinema no Brasil.

“Os Desafinados”  é um filme que no fundo, parece ser, um grande ode à juventude de Walter Lima. Alguém que esteve próximo de alguns dos grandes acontecimentos, e personalidades culturais do século passado no país.

Bossa Nova, Cinema Novo, nossa MPB engajada. Walter esteve presente. Conversando com Glauber, ouvindo Tom, bebendo com Chico.

E seu filme, dança entre uma bossa nova alheia qualquer engajamento, falando de amores, barquinhos e paisagens, e um cinema novo, politizado, empírico e censurado. Seu filme é assim. Meio romântico, meio crítico, mas, sobretudo, é um filme nostálgico.

Um velho encontro, lembranças da juventude, amores e paixões que se foram, e a vontade, ou a esperança, que tudo possa voltar. Como acontece no filme, com o retorno de um personagem, representando esse novo começo, ou melhor recomeço.

“Os Desafinados” em sua diegese, é um grande flashback. Walter Lima deixa um pouco seu vanguardismo, e pra falar de saudade, se posiciona no cinema mais careta, mais certinho.

Um filme difícil para o grande público, sem as referências culturais que o filme apresenta. Tentando sintetizar toda uma geração naqueles cinco amigos, e em Luiza, a grande diva de todos. Bonita, culta, moderna, independente.

Há uma sequência em especial, que me chamou muita atenção em particular, e que também deve ter sido uma das mais emocionantes para diretor e também para os atores envolvidos, em especial Selton e Rodrigo Santoro.

A gravação da música de Joaquim, interpretado por Rodrigo Santoro, para trilha do cineasta do grupo, Dico, na pele do sempre ótimo Selton Melo. O crescente da cena, da união do cinema novo com o vanguardismo da música brasileira, e a expectativa de tudo que poderia ter sido esse casamento e não foi, pois a música caminhou e o cinema estagnou.

Eu diria, que mais que um filme feito pra classe média, é um filme para uma geração saudosista de cultura, de um país que não temos mais. Deixamos a bossa, perdemos nossas musas como Nara Leão, Maysa, e oque se colocou no lugar foram Carlas Perez, Kellys e Ivetes.

O filme peca talvez por tornar essa nostalgia evidente demais, parece meio meloso as vezes. Mas não chega a acabar com o filme. Algumas situações poderiam menos explicitas. Mas ainda assim, e mesmo com duas horas e vinte de filme. “Os Desafinados” vale a ida ao cinema.

Jair Santana

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