“A Rainha” – Stephen Frears – 2006

A Rainha

A Rainha

“A Rainha” é antes de qualquer coisa, um belíssimo filme. Sério, técnicamente correto, sem muita ousadia, com cara do Oscar, mas um Oscar da década de 80. Para um diretor, de filmes como “Ligações Perigosas” e “Coisas, Belas e Sujas”, o ousado talvez, seja realizar um filme tão certinho.

É interessante então, observar um diretor que gosta de passear por diferentes estilos e consegue ter diferentes caras. Mas uma coisa não se questiona. Os filmes de Stephen Frears, você pode gostar não, mas o difícil é ficar indiferente. Sempre muito bem realizados, sutis e claro, maravilhosamente bem dirigidos.

A rainha Elizabeth II, interpretada por Helen Mirren, como o Oscar, BAFTA, Globo de Ouro, Volpi Cup, European Film Awards, e por ultimo, apesar de não ser indicada, na exibição de A Rainha no Festival de Veneza a interpretação de Helen Mirren recebeu 5 minutos de oaplausos após o término da sessão. Mais difícil que interpretar uma bêbada ou uma louca, interpretar uma Rainha, fria e contida como a rainha Elizabeth II. Helen Mirren incorporou, e foi simplesmente perfeita.

Fora a interpretação de Helen Mirren, temos ainda a delicadeza e comprometimento do roteiro de Peter Morgan, não em explorar a imagem da Rainha Elizabeth II, mas trabalhar os meandros de toda situação que a família real passou mediante a morte de Lady Di.

Também podemos falar que “A Rainha” é um filme crítico. Crítico acima de tudo a familia real e ao comportamento da rainha Elizabeth II, mas também mostra um outro lado, sua criação, as tradições e os valores aos quais está presa.

Uma cena em especial já se torna clássica. Sequência em que a rainha Elizabeth II, sozinha no meio do campo, sentada a beira de um rio, tem um minuto de fraqueza emocional, e chora. Chora mas nunca vemos seu rosto expressando dor, fraqueza, ela chora de costas para câmera. Stephen Frears em escolher filmar dessa maneira, só vem confirmar sua genialidade na direção. Ele assumiu desde o inicio mostrar uma rainha forte, que sempre “guarda para si seus sentimentos”, não cair em contradição com sua personagem foi acertadíssimo.

A fotografia correta, que misturava a textura de pinturas, sem extrapolar e constratar muito com as imagens documentais. O responsável pela bela fotografia é o brasileiro Affonso Beato. Podemos citar ainda o cuidado direção de arte, figurino, o todo, ou seja, o filme foi muito bem direcionado, e podendo ser redundante, muito bem dirigido mesmo.

Fora as indicações a premiação de Helen Mirren, o filme foi ainda indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora. Ganhou Globo de Ouro, de Melhor Roteiro. Foi ainda indicado nas categorias de Melhor Filme – Drama e Melhor Diretor. Ganhou além de atriz, prêmio BAFTA, de Melhor Filme. Foi ainda indicado nas categorias de Melhor Filme Britânico, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Michael Sheen), Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Maquiagem e Melhor Edição. Ganhou no European Film Awards, o prêmio de Melhor Trilha Sonora. Foi ainda indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Prêmio de Excelência (edição). Recebeu uma indicação ao César de Melhor Filme Estrangeiro e foi vencedor do Goya de Melhor Filme Europeu.

“Rainha” não é o melhor filme do ano, não é o mais impactante, mas é um belo filme, que de maneira alguma, pode passar em branco. É historicamente e cinematograficamente importante.

Jair Santana

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